29 de dezembro de 2004

Rumo a Cadeninhos 2005

Com essa minha mania de caderninhos já resgatei muita coisa boa. Já contei que às vezes anoto as coisas no meio da baladas ou no meio do dia ou da noite. São idéias que eu não posso perder, são coisas que eu vi, alguém me disse, alguma informação importante, um telefone, um site...e intermináveis lista de FAZER... ir na depil, comprar sal, ligar quem...

Bem este ano de 2004 coube em dois caderninhos. O primeiro todo arrumadinho, era o oficial, acabou na Argentina. O segundo iniciou depois da volta da Argentina e da morte da minha avó. Era o puro caos...sem as capas, todo riscado de INSS, herança, cemitério, piqueteros, Casas André Luiz, ortopedistas e Nossa Senhora de Fátima.

Olha o que eu achei no primeiro caderninho. Foi meu último grande momento com a minha avó. Tinha sido meu aniversário na sexta-feira santa, e nesses 27 anos foi o que caiu mais próximo da época em que nasci, o domingo de Páscoa de 1977.

Daí, depois de gritar que em Itu não tinha nada de bom, resolvi prestigiar uma de suas festas populares mais antigas: o Estouro de Judas.

Minha avó festeira foi a única que quis vir comigo. Deixei-a em um lugar seguro, com sombra mas bem no gargarejo possível...a 20 metros do show pirotécnico. Neste dia tinha ido com a câmera e avistei um conhecido que era jornalista. Consegui ficar dentro da linha de segurança e ficar mais perto do show para tirar fotos... Encontrei-a logo depois do estouro, gargalhando super feliz, e me disse: “Nunca vi tanta gente torcendo pro diabo!”

Foi a máxima do dia! A religiosidade da minha avó me fascina muito...até ontem lembrei que ela conseguiu ensinar o Pai Nosso, a Ave Maria, e pasmem, a Salve Rainha e o Credo...para os netos pagãos...só por dormirmos pequenos os dois amontoados na cama dela. Subversão!

Voltando ao caderno, achei isto.

Fim da quaresma, meio dia em ponto.
Seu Zico Fogueteiro acende o estopim. Estoura o primeiro morteiro e toda praça treme. Crianças choram e pedem pra ir embora (lembrei porque fui uma vez na infância e nunca mais gostei de ir). Até os Guardas Civis estão com as mãos nas orelhas. Na seqüência, explodem dez morteiros...o último impulsiona o Judas para cima e o diabo pra baixo..eles estão num varão bem comprido e se encontram no meio, para a apoteose.

O diabo sentado nos ombros de Judas, a espera é tensa. O povo mesmo diz que eles estão brigando e todos assistem esta luta corporal mais antiga que os bisavós, em silêncio. Na verdade, os bonecos não se mexem, mas quem se importa, todo mundo vê!

Daí, a explosão final que leva pelos ares o grande mal do mundo.

Alertada pelo amigo que a cabeça do diabo uma vez tinha sido arremessada inteira e ferido um cara gravemente, fiquei mais tensa ainda antes da explosão. Mas nada de grave aconteceu. Seu Zico Fogueteiro aliviado anda pelo meio dos destroços...serragem, madeira, explosivos e pregos. É uma bomba mesmo! Mas tudo correu bem...e no recomeço da vida, com o fim da quaresma, o mal tinha sido eliminado sem maiores problemas.

E além de tudo encontrei a minha avó gargalhando no meio da multidão.

27 de dezembro de 2004

Tava esquecendo

que hoje é o meu segundo aniversário...
Tenho certeza que no ano passado nem lembrei, mas este ano a jornada "Meu Pé Esquerdo" está de volta. Daí, foi inevitável lembrar!

Estou tão animada pra chegar 2005, pra ir pra praia...

...pra voltar da praia eu já estou com um pouco de medo. Entro na faca dia 11 ou 13/01.

Enquanto isso, preparo minha matula para que a virada seja tão, mas tão boa que garanta felicidade pelos dois meses de tédio...

23 de dezembro de 2004

sem comentários

Ontem calei
E aproveitei pra não dizer nada.

21 de dezembro de 2004

Relaxando o zóios

Como prometi há algum tempo estou mandando o endereço do fotoblog do filho do Chinês.

Dêem uma olhadinha, ele é fofo.

Dá vontade de fazer um filho...

http://mateu.04.fotoblog.uol.com.br/index.html

La noche y la herida

Estava com saudades de um amigoamor que encontrei ontem.
E fazia um tempo que meu coração não batia no estômago.
Fui embora rápido, ele vai embora rápido.
Só aquele tempo que cura tudo parece passar devagar...devagar...

Lembrei da música:

La noche ira sin prisa de nostalgia
Habrá de ser un tango nuestra herida
Un acordeón sangriento nuestas almas
Seremos esta noche todo el día

Vuelve a mí
Ámame sin luz
En nuestra alcoba azul
Donde no hubo sol para nosotros

Ciégame
Mata mi corazón
En nuestra alcoba azul

Mi Amor

18 de dezembro de 2004

Deprimentemente Bridget

Não falei! Tenho ódio de parecer com ela no quesito estragar tudo...

Vamos lá, eu conto tudo.
Sexta-feira à noite, banho tomado, sainha, rimel transparente, óleo de maracujá...tudo pra atravessar a rua e ir no samba. Meia hora depois chega o pessoal...mais meia hora depois chega ele.

Só pra esclarecer, "ele" não é o Guey, é outro que apareceu por aí e vamos de chamá-lo por Neurinha. Este apelido, foi ele mesmo que se deu...porque ele diz que é neurótico. Pior, é ex-neurótico.

Em tendo uma longa experiência com neuróticos e pela minha incrível capacidade de atraí-los, fiquei preocupada. Não quero! Pensei, falei, jurei... Até ontem à noite encontrar com ele, beber, fumar, beber, beber, fumar, fumar... e conversar um papo bom...meio neurótico, mas bom.

De repente, todo mundo foi embora e eu e ele ficamos. Vamos pra minha casa, tá chovendo, vão roubar minha bicicleta, estaciona lá dentro, vamos comprar a última cerveja, eu não quero mais, eu quero.

Papo vai... chega uma hora nos atracamos. Nem estava morrendo de amores por ele, mas paguei pra ver no que dava.

Poucos minutos depois, na minha confortável cama, acontece aquela pergunta crucial: você têm camisinha? Não, nem eu. Chi, não dá, de jeito nenhum. Ah, eu tenho uma feminina em algum lugar....

Abre o saquinho, olha, gira, ninguém entende muito o que fazer com ela. Provado o potencial triplamente brochante deste acessório. E daí, vem a máxima da noite: É melhor mesmo não acontecer nada porque eu tenho uma namorada.

Eu dei uma risadinha só e falei algumas coisas que não eram exatamente o que eu gostaria de dizer e ...escorracei-o da minha cama. Muito mais pela raiva dele ter trazido a namorada como justificativa daquele ensejo do que propriamente por ela existir.

Estou ficando craque em escorraçar pessoas da minha cama. É o segundo neste ano, tô mandando mal. Nos dois casos eu não estava morrendo por eles.

Apesar de sexo nunca ser demais, fica a questão:

Se tivesse rolado, será que eu me sentiria pior do que me senti nesta manhã, acordando de ressaca, lembrando que eu toquei o cara no meio da tempestade, que eu comi macarrão e fui dormir, sozinha?

16 de dezembro de 2004

Se rio ou se mar

Bem, hoje está uma daquelas noites muito aprazíveis. É quinta-feira e o verão parece ter chegado no dia certo.

Acho mesmo quinta-feira o melhor dia da semana. Tem lógica, até. Você já trabalhou de segunda até hoje...quatro dias...já está meio cansada...ao mesmo tempo em que o corpo, este rebelde incurável (ou drogado conformado não estou certa), já pede por embriaguez, um pega de luxúria e pelo menos meio trago de ilusão, afinal...desponta o final de semana.

Quinta-feira é o dia que dá pra tocar o foda-se, com o perdão da palavra. Se hoje eu for dormir tarde, não faz mal passar o dia de amanhã com sono. Vai ser sexta-feira, e, caralho, como é bom viver no Brasil... e termos este acordo unânime e mais ou menos velado de que às sextas-feiras e segundas-feiras não se trabalha. Em segundo lugar vêm às quartas. Que não se trabalha muito porque é dia de meio de semana. O mais triste, de longe! E em geral as terças-feiras são conformadas.

Mas as quintas..!!!

De verão, chinelos, roupa bem podrona, aquela de cavucar quintal, pairei o dia todo sobre o dia...só comemorando que minhas aulas de inglês acabaram hoje e ...meu coletivo de monstros (alguém sabe esta palavra? Alcatéia dá muito valor a eles, constelação é parnasiano demais) hoje resolveu me dar uma folga e passear...Afinal é quinta-feira!

E, de forma mais ou menos deliberada, hoje optei por estar sozinha. Se eu tivesse dado algumas telefonadas, pode ser que encontrasse alguém aqui pelo centro...acreditem, já tem uma comunidade aqui...Mas não...estou sozinha e com aquela sede que disse numa outra vez.

Desci no buteco da frente de casa...menos de dez passos (Viva o Centro!) e comprei umas brejúsculas. Skol gelada de garrafa, não muito barata, o cara empresta o casco. Aliás, ele me vê de longe e já estende um LM. Também tentei fazer um daqueles, mas o consumo coletivo me destreinou ao ponto de produzir o mesmo tipo de pastel que àqueles dos velhos idos de 1996.

E sentei primeiro na frente do telefone...merda de linha econômica (eu odeio a Telefônica parte XXII, § 4). Tava com vontade de conversar com minhas amigas...mas pra fazer interurbano você compra um cartão nas lotéricas, carrega seu telefone...e a voz te avisa...você tem 3 min e 42 seg de conversação...se a gente acha que é roubada pela Telefônica normalmente, imagina neste esquema. Bom, já comprei dois cartões e gastei tudo. Agora não tenho, e resolvi escrever.

To quase escrevendo para a Bia, a Cris, a Ana, o James e o Degan..os quais eu leio todos os dias religiosamente...e sofro com as ausências porque, a não ser o Degan...vocês são todos uns relapsos com o relato de seus cotidianos! Humpf! Vamos escrever minha gente!

Então consegui comer meu pastel, com direito a ingestão de partículas, já acabei a primeira garrafa de cerveja...e fumei alguns cigarros. Ao contrário da Bridget Jones, eu nunca os conto.

Aliás, ontem a Ana Emi, a Aline e eu nos encontramos e fomos ver o filme da Bridget Jones. Todas decididas! Tomara que vocês tenham visto, ou pretendam ver de qualquer jeito, pois achei o filme uma bosta, e não quero influenciá-loslas com minha opinião. Tenho muito ódio, não acho graça, de ter algumas coincidências com ela, algumas cruciais como ter a incrível capacidade de estragar tudo. Por isso não sei se rio ou mar com as histórias dela. Mas mesmo assim, o primeiro filme é melhor!

*

Me esqueci de dizer. Estou escutando um cd de Salsa que comprei por 9,90. Se chama Los Latin Brothers, sente o clima! Tem tantas horas que me faz lembrar o Calcinha Preta que até me emociona. É o mesmo balanço e a mesma quentura.

Reli tudo o que escrevi e to achando uma viagem! Espero que não fique chato de ler.

Preciso contar que estou com as unhas compridas e cor de ameixa, que meu cabelo ta comprido e esquisito, que faz três dias que como um saco de confeti assistindo Plantão Médico na TV e que eu estou com medo e vontade de acabar conversando com minha avó quando eu tomar anestesia geral de novo...daqui a menos de um mês.

Uma certa dose de morbidez me fez assistir um documentário outro dia, e foi bem punk. A mídia ocidental dedica-se bastante a mostras as patologias socioculturais da China, como àquela de abandonar bebês menina. Desta vez o documentário dedicou-se à questão do preconceito que sofrem as pessoas baixinhas. A ponto de não conseguirem emprego nem namorado! (Será que não tem isso por aqui?)...Para reverter a situação as pessoas se submetiam a uma cirurgia de encompridamento da perna. Pra saber, perna é o nome dado àquela parte da perna que não é coxa, só o que está abaixo do joelho. Então aquelas pessoas passam por um puta sofrimento, com aqueles ferros (aqueles) na perna, girando uma manivela que impede a consolidação do osso, esgarçando o osso serrado (quebrado) artificialmente em uma cirurgia, pra ficar meio saracura, desproporcionalmente mais alto sete centímetros.

OK, OK, é mórbido eu ficar vendo uma cirurgia ortopédica ao vivo e ao sangue...eu só vi porque estava sozinha...ninguém me deixaria ver. Merda de discovery chanel! Ao mesmo tempo estou procurando entender mais uma vez que meu sofrimento não é único...tem pra todo mundo. E me sentir melhor com isso...por pelo menos fazer parte da raça humana.

Desculpe o desabafo! Mudei de cd e comecei a ouvir Narcotango, um grupo de argentino de tango-eletrônico, levo na praia procês verem. É demais!
E o cd sem querer levou meu clima de verão e chinelas diretamente para um futuro próximo.

E assim seria se eu estivesse sentada nos banquinhos desconfortáveis, mas viciantes da cozinha amarela, na mesa redonda. Tudo esfumaçado e amigo.

E podia até ser que fosse quinta-feira!

Sede de vento bom.

Nesses últimos dias fiquei lembrando da minha adolescência em Itu. E de como eu sentia uma sede de todas as coisas, das músicas do mundo, dos filmes, das culturas, das viagens, do que bonito podia haver...

...sufocada na cidade e no meu pequeno quarto embaixo da casa, em noites de crise aguda de desidratação eu trepava no muro do vizinho e ficava sentada, só pra sentir o vento na cara, sinal de que o ar andava e por conseqüencia, o mundo estava girando independente da minha paradez.

Estou lendo uma história que me lembrou este episódio. A personagem associa as grande mudanças da vida dela ao vento que soprou naquele dia.

Hoje, tô com sede de vento bom.

13 de dezembro de 2004

Siri ri

Poeminha besta que escrivi na minha primeira noite neste apê.

Eu me senti em casa quando os siriris chegaram.
Aos montes, rodando na lâmpada nova.

O siriri é um bicho salsinha e eu, quando criança, morria de medo de comê-los confundido na batatoada.

É bicho que faz sombra de morcego e que se mata de amor pela luz enquanto dança tango.

Bem-vindos siriris! Eu vou dormir mais deixo uma luz acesa pra vocês!

12 de dezembro de 2004

a Música e o domingão

Aí, Pessoal
Sei que não é privilégio meu procurar sentido na vida aos domingos à noite. Uma das melhores maneiras de fazer isso é ligar o rádio do rádio-relógio e ver que música toca. O que o oráculo-dial-fm vai te dizer tem que fazer algum sentido.
Então vai, ouvi meia hora de música e todas encaixaram um pouco na minha vaziez dominical. A programação foi a seguinte:

1. Deslizes, Fagner (incomparável!)
Não sei porque insisto tanto em te querer(...)
Pois aprendi que o meu silêncio vale mais e desse jeito eu trazer você pra mim E como prêmio eu recebo o teu abraço Subornando o meu desejo tão antigo (...)
Me enganando só assim somos amigos


2. Próxima: Se eu não te amasse tanto assim, Ivete Sangalo (dispensa comentários!)

3. Seguinte: Adriana Calcanhoto, não sei nome da música.
"Avião sem asa,
piu piu sem Frajola,
Buchecha sem Claudinho,
Sou eu assim sem você"
(não nessa ordem)

4. Na seqüência: Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval , do da Viola. (linda!)

5. Mais uma pra você querido ouvinte:
"Eu perco o sono e choro, sei que quase desespero mais não sei porque..."
(Na versão Paula Toler acústico, muito menos gritada e muito pior)

“A vida é sempre um risco eu tenho medo do perigo.”
“...que justifique a vida pelo menos neste instante”

6. Mais uma, horror!
Colombina, do Ed Motta. Pelamordedeus!
“Sou um triste pierrot mal amado, mestre sala desacompanhado!”

7. Pra finalizar a noite: Zizi Possi
“Noite, à horas te espero e vc não chega. Ai meu coração!
Fogo aceso, ...e paixão
Sou toda explosão!”

Daí veio o intervalo comercial e começou a tocar Simone. Melhor eu desligar logo.

Boa noite!

10 de dezembro de 2004

Tal filha tal mãe

Ontem à noite, na Geologia
_ Dá uma olhada, Jú. Aqui só tem esses meninões saudáveis!

_Claro! Saudável de tanto brincar na terra!

De duas tias-roucas* sentadas na Geologia, fumando e bebendo e olhando.
Pensando se o nosso tempo já passou ou ainda está por vir!

* Tia-rouca: terminologia cunhada pela nossa amiga Julinha ao referir-se àquela qualidade de tias superlegais, solteronas, filiadas ao PT, funcionárias públicas, besteirentas e roucas de tanto fumar e beber. Variações locais: "bezorrão"

7 de dezembro de 2004

Meu blogue tá com problemas? Não consigo acessar.

6 de dezembro de 2004

Em tempo 2: Alejandra Pizarnik

Encontrei esta poeta na Argentina, disse pra Bia que ela ia gostar.

Ontem peguei com o Carioca as coisas que as meninas me mandaram lá de Buenos Aires, entre tudo,
o xerox do livro de Alejandra.

Eu amei os poemas dela...que são de uma tristeza irreparável. Muito, muito maior que a minha.

Hija del viento

"Han venido
Invaden la sangre.
Huelen a plumas,
a carencia,
a llanto.
Pero tu alimientas al miedo
y a la soledad
como a dos animales pequeños
perdidos en el desierto.

Han venido
a incendiar la edad del sueño
Un adiós és tu vida
Pero tú te atrazas
como la serpiente loca del movimiento
que solo se halla a sí misma
porque no hay nadie.

Tú lloras debajo de tu llanto
tú abres el cofre de tus deseos
y éres más rica que la noche

Pero hace tanta soledad
que las palavras se suicidan."

O Amor e a máeducação

Fui assistir Má Educação.
Não Gostei Apesar Do Che Guevara Lindo Como Mulher.

Achei que faltou aquela paixão dos outros filmes, os últimos três me fizeram chorar muito. Hoje, fui assistir filme porque estava com o choro encravado e precisava desopilar.

Entreguei os capítulos hoje. Consegui, sem muito estresse, não muito mais do que aquele que continuou não me deixando dormir. Obrigado Ana e todo mundo que torceu.

E acho que queria chorar por causa daquela sensação pós pressão. Um vazio, estranho...Quase me lembrou o 1º de Maio do Mário de Andrade...

O que faço com tanta folga? Mental principalmente, porque física eu não ando tendo...

Daí descobri que, quem sou eu pra dizer que o Almodóvar não tem paixão?

Sou eu que não tenho... mais.

Descobri também que minhas amigas são muito, muito corajosas. Umas amam de longe, outras enfrentaram perrengues pesadíssimos ao lado da família do namorado e começaram de novo, outras são pegas de surpresa pela paixão, outras têm filhos, vão morar junto, mesmo que leve mais de dez anos pra decidir se isso é o certo.

Faz algum tempo que eu percebi que o amor, mesmo que unilateral, passageiro, profundo, pra sempre, é pra poucos. Ou pra todos aqueles que têm a coragem de se dobrar, se entregar, cair, admitir, gritar, chorar e sofrer. E recomeçar.

Por isso eu não choro mais, parece. Nem com um filme do Almodóvar.

PS: Em tempo: o nome dele é G-U-E-Y, e não GAY (Viu Jú?!), que significa cara, tipo, meu paquerinha!

1 de dezembro de 2004

Santa Cecília e a intelectual de salão

É isso, amigos e amigas. Descobri que para o dia 6/12, ou seja, A PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA, tenho que entregar meu relatório da Capes. Isto é, aqueles dois capítulos que eu deveria entregar ainda este ano deverão sair neste final de semana.

Notei que meu corpo, meu inconsciente, os espíritos do bem, meu anjo da guarda ou algo do gênero, estavam tentando me avisar de que um alerta 911 estava próximo. Há três dias eu não durmo direito.

Nos dois primeiros, rolei como um churrasco grego na cama, me embrulhei nas cobertas como um charuto e acordei como uma morta-viva... tudo isso por causa de uma sensação bem esquisita, que não era ruim e nem boa. No último dia, dei um golpe certeiro na insônia. Tomei três latinhas e um leitinho com Nescau pra arrematar. Dormi que nem ma morta-viva deve dormir. Mas as 5:30 da manhã...o alerta voltou.

Descubro hoje que o relatório é pra segunda. Já tinha marcado depilação, mão e pé (ou seja, no mínimo 3 horas de cabeleireiro). Não faz mal, levo O Poder do Mito comigo e quem sabe consigo me concentrar. Em geral não consigo nem ler Caras, só olho as figurinhas. Vamos ver!

A partir de sexta-feira, estarei trancada em casa, construindo, pensando, me desesperando, fumando, cocacolando, chorando, dormindo, xingando, e principalmente...rezando.

Aceito qualquer ajuda espiritual, torcida, rezas, macumbas, velas, incensos e promessas pra santo. Encaminhar para o dona Veridiana, apt. 603.

Aos cuidados da Santa Cecília.

28 de novembro de 2004

Violênciofobia

Por favor, colegas mestrandos ou mestres.
Quem pode me dizer como é possível pensar mais ou menos três anos meio no mesmo assunto e não enlouquecer?

Eu quase que não agüento mais pensar na minha dissertação...bem agora que eu tenho que terminá-la. Enquanto isso, quero todas as coisas do mundo.Queria escrever sobre tudo, menos isso.

As revoltas mineiras na Bolívia, a emancipação das mulheres, o mst, a amizade, os zapatistas, as coisas que eu vejo na rua, um romance tipo Júlia ou Bianca, uma história pornográfica, a história da minha avó.

E o pior que quando eu defender tenho certeza que não vou escrever nada disso. Por que daí eu vou ter tempo demais pra pensar...

Eu ando com tanta vontade de escrever sobre coisas (menos “aquilo”), que eu ando na rua reparando nas coisas mais surreais, conversando com tudo mundo, entrevistando árvores e prédios, pirando nas crianças. Acho que estou numa crise de hipersensibilidade...me emociono até com a Avenida São João. E não que eu esteja triste. Não estou.

Fora que o guey me chamou de “galeano mulher” por causa de umas coisas que eu escrevi. Pode?! Uma puta responsabilidade de continuar sendo...até a gente se encontrar de novo.


Fazia três dias que eu estava na casa da Jú. Tava super bom...fumo num bar novo, o Noronhas, e tava cheio de polícia armado tomando breja, vi o batizado da capoeira da Ynaê, comi o macarrão com frango da escola, tomei breja até cair com ela e a Aline, comi panqueca de brigadeiro, fomo na casa da Lu e do Tuto, comi mais coisas, tomei caipirinha de frutas e saquê, carregamos as crianças pra cama e a Jú roubou meu travesseiro. Tudo isso em 24 horas.

Nesta jornada pensei 459.647, 4 vezes que eu tinha que estudar. E vim embora pra casa antes que eu não agüentasse com peso da minha própria cabeça.

Consciência pesa!

PS1: Vocabulário fundamental para o real conhecimento das coisas, desde agora, VOFURECO.

Parte 2
By Ynaê et alli.

Quadro: é um quadrado famoso
Quantidade: é um monte de coisas juntas

26 de novembro de 2004

Paixão de mil e uma

“Vou indo, caminhando, sem saber aonde chegar
Quem sabe na volta te encontro no mesmo lugar.”
Caminhemos, por Ná Ozzetti!


A Jú viu ontem...eu perdi a mão. Sabe assim quando você vai fazer uma coisa que não faz há um tempo e tá sem prática. É isso!

Menino lindo aquele guey...será que ele me xaveca? Bem ele xaveca todas, porque comigo seria diferente?
Porque eu queria que fosse diferente. Esse é o problema!

Eu aceito uma noite e nada mais, mas com toda a paixão das mil e uma.

Um abraço bem bem apertado quando nos vimos e quando fui embora.
(...)
Caminhemos, talvez nos vejamos depois!

25 de novembro de 2004

Bala de Coco

Se há um doce que eu ame mais que brigadeiro em festa de criança é a bala de coco.

Bala de coco é sublime, derrete na boca. Vem embaladinha uma a uma num papelzinho com aquela franjinha...que dá pra gente brincar depois. E o melhor, dá pra levar pra casa e por na geladeira...e ela fica mais gostosa ainda.

Quem já viu fazer bala de coco?
é um processo complicadíssimo. Quando eu era criança minha vizinha fez e eu cheguei na casa dela bem na hora em que ela e outra vizinha estavam a uns dois metros de distância uma da outra, puxando a bala.

É uma cena maravilhosa...aquele caramelo meio transparente vai ficando branco...e o troço é tão quente que as mulheres passavam manteiga na mão e mesmo assim ficavam vermelhas e doídas.

E quem já comeu bala de coco neste estado? Ainda mole?

Puts, é a melhor coisa do mundo...

Tudo isso é porque eu comi bala de coco agora, depois do almoço.

23 de novembro de 2004

Superstição!

Hoje, chegando do almoço, olhei o relógio.
Meio dia em ponto.
Inevitavelmente pensei: ele gosta de mim!

Quem?

Este resquício de infância me fez lembrar de tudo o que eu acredito.
1. Não deixo sapato virado pra baixo
2. Tenho anústia de quebrar espelho
3. Não gosto que varram meu pé
4. Eu rezo quando tenho pesadelos
5. Não gosto de falar "azar" e sim "má sorte". Meu avó ensinou...
6. Isolo três vezes na madeira qualquer pensamento ruim
7. Eu não acredito no "pensamento positivo", mas tenho medo do negativo...
8. Dá arrepio cruzar um gato preto
9. Por via, não passo em baixo das escadas
10. Não uso roupa do avesso, atrasa a vida
11. Orelha direita ardendo: alguém falando bem de mim
12. Orelha esquerda: falando mal
13. Fecho da correntinha do lado direito: um loiro pensando em você
14. Fecho do lado esquerdo: um moreno (ou vice-versa)
15. Não falar a palavra "maldito" ou derivados
16. Não presta matar louva-deus
17. Eu realmente dou os três pulinhos pra São Longuinho
18. Tenho medo de não passar o ano novo com algo de rosa, algo de branco e de amarelo
19. Sempre como lentilha no Ano Novo, pro dinheiro
20. Não gosto quando as velas que eu acendo se apagam sozinhas
21. Se você encontra uma aranha em casa, sempre vai ter outra...
22. Se o dia da passagem de ano for ruim...o ano todo será meio xinfrim.
23. Não ponho bolsa no chão
24. Não deixo ningém me pular, senão não cresço
25. Guardo os sete carocinhos de uva, nem que seja pra jogar no dia seguinte...
26. Se estou na praia no ano Novo, pulo sete ondas, acendo vela e jogo flor
27. Me sinto protegida com meu colar vermelho
28. Ver sapo dá sorte
29. Ver joaninha dá sorte
30. Se uma borboleta branca ou amarela encosta em você... Como que era mesmo?

21 de novembro de 2004

Crianças, amor!

Gente, nasceu o chinês loiro mais lindinho de Campinas.
Nasceu o Matheus...mais um menino! Filhotinho do China e da Fê
Ele é amassadinho, mas tem os olhos bem bem compridinhos. Um xuxu!
XoX

Tinha um monte de coisa engraçada que eu queria contar nesse blog. Mas como sempre a memória das noitadas não é muito nítida, e para eu não parecer a louca que sou, resolvi não passar a balada anotando o que eu pensei ou o que me contaram para eu poder me lembrar depois.

Apesar que esse hábito já me garantiu boas histórias, ou boas piadas. No final da República Las Chicas Tienen Fuego, estávamos todas nós há meses reunidas em torno da mesa redonda, fumando e conversando coisas. A Chica comendo o pé da mesa ou no sofá preto. E a Denise rodando pela cozinha. De repente, ela solta:

Cadê aquele filha da puta daquele puxa-saco!

Bem, cagamos todas de rir, e eu anotei esse desabafo emocionado no caderninho. E ficou pra posteridade porque tenho certeza que, naquele estado, ninguém ia se lembrar.

Voltando pra ontem à noite, as histórias que eu ia contar eu não anotei, mas me lembro que tinha a ver com a Ynaê e seu dicionário etimológico pra adultos entenderem o fundamental da vida! Os verbetes, esqueci quase todos.

Mas tinha,
Menina: é uma criança mulher
Beleza: é quando menina passa batom na boca
Como eu gosto da Ynaê!

20 de novembro de 2004

Rua da Palmeira

Não sei se estou bebendo mais ou se estou ficando velha mesmo... Ontem o mundo começou a girar, girar...fui beber água de coco.
Santo Remédio!

As vezes também me acho meio louca...das coisas que ando reparando nessa cidade.

Aqui perto tem criança jogando bola no meio da rua, no centro de são paulo.

Outro dia vi uma velhinha bem pequena, usando casaco vermelho, cachecol...bermuda xadrez com meinha soquete e galocha azul. Uma fofa! Como eu reparo nas velhinhas...Saudade.

Outro dia vi um casal deles, aqui no centro tem muitos, meio abandonados...dignamente cuidando de si mesmos quando já não dá mais. O casal caminhava a passos lentos, de braço dado. Ele, terno risca de giz, cabelo com gumex. Ela, saia longa, xale e uma roda de blush vermelho das bochechas.

Andavam tão devagar, no ritmo dos bondes, que é o ritmo dessa gente que carrega a São Paulo antiga na memória. Nem ligavam pros atropelos, pro congestionamento causado na calçada, pras caras feias e empurrões. Ali na Rua das Palmeiras, parecia até que eles ainda podiam enxergar as árvores que nomearam a rua...se é que um dia elas existiram.

Parece que sim. Outro dia consegui ver a única palmeira que ainda vive lá. E ela me contou...

XoX
Na Rua das Palmeiras também morava uma rainha africana. Ela morava na rua, em frente à Caixa econômica...dormia enrolada no edredom verde que o Gil deu pra ela...com um lenço na cabeça cobrindo um coque meio alto...negra bem negra, com olhos grandes e assustados.
No dia que ela reparou que eu reparei nela, ela passou a me ignorar...eu tentava dizer bom dia e ela baixava o olho. Vergonha de existir!
Daí eu mudei da rua das palmeiras...e voltei lá outro dia e ela não está mais. Perguntei ao caixa do supermercado em frente, não sei, perguntei ao dono da banca de flores em frente, não sei, será que mataram ela? Ninguém sabia...pode ser que ela jamais tenha existido...ou que ela deixou de existir quando quem reparou que ela existia sumiu.
Dizem que ela estava meio violenta...um dia pegou um pedaço de pau e bateu em uma mulher... E eu vi ela ser presa e depois devolvida pra rua.
Pode ser que seus súditos tenham vindo buscá-la...ou alguém da saúde pública...e ela hoje more num hospício.

18 de novembro de 2004

Ordinatér

Olá,
Estou há três dias acumulando livros pra ler, tenho uns dois capítulos pra fazer, neste ano, antes da cirurgia em janeiro (É.)

Enquanto isso me vem aquela sede de liberdade, a vontade de beber, conhecer meninos novos que ando precisando muito, conversar com amigos, aprender árabe, dar a volta ao mundo.

Essa vontade de aprender árabe tá batendo. É a língua do futuro, quando os americanos perderem...Vai que eu aprenda até caligrafia artística ao mesmo tempo!

Enquanto isso, o inglês. Que eu estudei tanto e esqueci muito. To aprendendo a pronunciar tudo de novo...o pior é que eu odeio sotaque americano. Odeio mesmo...então eu luto pra manter meu acento brasileiro. Pontos a menos... Quem se lembra do ordinatér?!

XoX

Historinha de Buenos Aires I
Não importa a temperatura do dia, que nesta cidade pode oscilar do abaixo de zero aos quarenta graus, todas as quintas-feiras, há exatos 27 anos, um grupo de mães que agora seriam avós se tivessem tido chance, vão a Plaza de Mayo reclamar seus filhos.

Na cabeça levam lenços brancos que na verdade não são simplesmente lenços, são as fraldas de seus filhos mortos pela ditadura. São mulheres que inverteram bastante a ordem das coisas, enterraram (ou sonham enterrar) seus filhos, herdaram os ideais de luta dos jovens e mais ainda, saíram de casa com medo e dor para enfrentar cães, metralhadoras, policiais, militares, esquecimento.

Elas contam que conseguiam espantar os policiais quando começavam a rezar a Ave Maria com toda força e que eles tinham tanto medo de Deus que deviam se lembrar que bater em mulher os poderia levar para o inferno. Eles mal sabiam que em meio a essas rezas, no canto monótono das vozes, elas combinavam entre elas e com o próprio Deus o próximo lugar de encontro.

12 de novembro de 2004

Viche!!

Estou ansiosa pra escrever nesse blog...que engraçado!

Apesar desta incômoda sensação de monólogo, recebi hoje recados da Cris e da Ana. Feliz!

É estranho porque estou escrevendo coisas muito sérias, quer dizer, coisas que eu realmente quero compartilhar, mas não estou certa se alguém vai ler...ou se todo mundo que mora no mundo vai ler...

Numa Revista da Folha de algumas semanas atrás uma reportagem sobre a falta de privacidade na internet.

Pânico !Das coisas que a gente sabe... das que a gente não sabe, só imagina...

Bom, as histórias são tétricas...tudo nos EUA, é claro, terra de gente neura. Mas com o presidente do mundo reeleito, todo cuidado é pouco!

Sinteticamente pra quem não leu:

1. Jovem professora casada trepa com aluno de 14 anos e põe no Blog
1.2 Todas as provas na internet= prisão

2. Jovem militante estadunidense resolve se juntar ao Taleban.
2.2 Todos os rastros na internet= prisão

3. Apresentadora de TV tira foto pelada, e gosta somente de seu olhar. Recorta no Fotoshop e põe só os olhos na internet.
3b . Nerd de plantão descobre (não sei dizer como), o “fantasma” desta foto, o lado obscuro, consegue ampliá-la e resgata....tchan!! A moça pelada!

3.1 Tudo na internet = mico

Veja bem, não querendo assusta-las. Será seguro este negócio de Blog?
Tô paranóica? Ou sempre fui?

Viche!!

11 de novembro de 2004

Sobre as avós

Escrevi esta historinha bem antes de minha avó morrer, num surto de amor...

As mãos de minha avó

Como toda mão de quase todas as avós, as da minha era cheia de pintinhas. Daquelas manchas da velhice que não falham e, mesmo se na palma lhes faltarem os calos da lida, no dorso não faltaram aqueles do passar dos anos. O que havia de diferente nas mãos de minha avó era imperceptível. Para mim mesma, sua companhia constante durante anos, eram mais indutivos do que visíveis. Eram milhares de furos, que se abriam e cicatrizavam em uma mesma rotina há 68 anos de prática de costureira. Costureira não, modista! – ela costuma dizer. As agulhas e alfinetes nunca a perdoaram, assim como a vida.
Com suas mãos, que nunca se habituaram a ficar paradas, minha avó construía alguns sonhos. Em seus oito anos a mãe duvidou dela, que ela não poderia costurar um vestido. E comprou-lhe uma chita feia pra não desperdiçar dinheiro. E o vestido ficou pronto, assim como o seu caminho. Ajudava as tias no cozer cotidiano de calcinhas e lençóis, e tudo mais que antigamente não se comprava, e no grande armário da sala de costura, mergulhava seus sonhos em rendas e botões.
Quando moça, por ousadia ou mesmo necessidade, foi trabalhar fora. Na sessão de costura de uma grande loja de departamentos passou de arrematadeira para a sessão do corte num pulo. Corte que ela tanto se orgulhava de ser muito estudado e muito seu. E durante este tempo e depois, o que ela gostava mesmo era de fazer os vestidos de noiva, de festa, de debutantes. Com lindos tecidos e cores e pedras e apliques. De noite, em sua velha máquina de costurar, minha avó transformava aquilo tudo nos sonhos de alguém.
Seu nome é Theresa, mas ao contrário do que dizem por aí, ela nunca se cansou da guerra, era incansável. E invencível. Dentro de seu corpo, onde realmente eu nunca pude ver, estavam outras cicatrizes. Não eram furos de agulha, mas talvez grandes covas negras, com grandes dores enterradas que ela conta rindo. Aliás, minha avó ri chorando e chora sorrindo.
Sua mãe muito cedo, seu pai queridíssimo, sua única irmã, seu marido, seu filho predileto, sua filha (por algum tempo), quase toda sua família está morta. E se não morreram, já foram enterrados. E esses furos também foram abertos e cicatrizados na mesma rotina.
Descobri outro dia que ela costura com pontos pequenos e delicados estas grandes covas que moram no seu peito. Cada ponto dado em uma seda ou outro tecido fino vale outro em suas feridas. Ela vai cerzindo com linha de bordar, bem fininha. Assim, em todos estes anos, os furos de suas agulhas foram a sua salvação. Só uma vez a vi não querendo costurar, quando seus netos estavam quase morrendo e ela achou que não ia agüentar mais. Nós não morremos e ela segue trabalhando.
No fundo, eu desconfio que com as linhas mais bonitas num bordado de miçangas ou rendas ou pedrinhas de cristal, minha avó constrói escondida sua própria teresa para poder um dia fugir para o céu.


Luto...

Hoje acordei com a notícia da morte do Arafat. Que triste...
Que vontade de pendurar uma bandeira da Palestina na minha sacada.

Ontem à noite saí com a Ju, vimos um samba bonito no Sesc Consolação, tomamos umas "júsculas", caminhamos até minha casa, tomamos mais umas... enquanto falávamos de pintos e de seus donos, das avós que se foram ou estão indo, de "causos" reais e fantásticos, coisas bonitas e feias. Foi ótimo!

Meio bêbadas fomos pro ponto e distraídas não vimos as torneiras do céu se abrirem...Devia ser umas 11:00 da noite e a galera lá em cima estava fazendo uma faxina geral pra receber o Arafat.
Caiu uma chuva muito, muito forte, e tão de repente....

XoX

Aqui em Sampa está uma epidemia de suicídio de árvores. Já caíram umas três, em avenidas conhecidas. Uma mais revoltada se matou e levou um motoqueiro junto...se a gente entendesse o que ela fala, daria pra ter escutado o grito na hora da queda:
- Liberdaaaaaade!!!

10 de novembro de 2004

Bom dia!

Seguindo a sugestão de minha amiga Cris, começo hoje o meu Blog. Mais um jeito de gastar um tempo na Internet (depois conto por que).
Detestei o orkut e agora quero outro passatempo...

Motivos porque eu detestei o orkut
1. Tem pessoas que você não quer econtrar
2. Tem pessoas que você não quer que te encontre
3. Tem cara de arquivo policial internacional da CIA
4. é difícil de sair... (Como eu faço?)

Bem, este é meu primeiro contato. Vamos ver quanto de paciência eu tenho pra partilhar meu cérebro (por escrito) todos os dias com vocês.

Estão tá!