28 de novembro de 2004

Violênciofobia

Por favor, colegas mestrandos ou mestres.
Quem pode me dizer como é possível pensar mais ou menos três anos meio no mesmo assunto e não enlouquecer?

Eu quase que não agüento mais pensar na minha dissertação...bem agora que eu tenho que terminá-la. Enquanto isso, quero todas as coisas do mundo.Queria escrever sobre tudo, menos isso.

As revoltas mineiras na Bolívia, a emancipação das mulheres, o mst, a amizade, os zapatistas, as coisas que eu vejo na rua, um romance tipo Júlia ou Bianca, uma história pornográfica, a história da minha avó.

E o pior que quando eu defender tenho certeza que não vou escrever nada disso. Por que daí eu vou ter tempo demais pra pensar...

Eu ando com tanta vontade de escrever sobre coisas (menos “aquilo”), que eu ando na rua reparando nas coisas mais surreais, conversando com tudo mundo, entrevistando árvores e prédios, pirando nas crianças. Acho que estou numa crise de hipersensibilidade...me emociono até com a Avenida São João. E não que eu esteja triste. Não estou.

Fora que o guey me chamou de “galeano mulher” por causa de umas coisas que eu escrevi. Pode?! Uma puta responsabilidade de continuar sendo...até a gente se encontrar de novo.


Fazia três dias que eu estava na casa da Jú. Tava super bom...fumo num bar novo, o Noronhas, e tava cheio de polícia armado tomando breja, vi o batizado da capoeira da Ynaê, comi o macarrão com frango da escola, tomei breja até cair com ela e a Aline, comi panqueca de brigadeiro, fomo na casa da Lu e do Tuto, comi mais coisas, tomei caipirinha de frutas e saquê, carregamos as crianças pra cama e a Jú roubou meu travesseiro. Tudo isso em 24 horas.

Nesta jornada pensei 459.647, 4 vezes que eu tinha que estudar. E vim embora pra casa antes que eu não agüentasse com peso da minha própria cabeça.

Consciência pesa!

PS1: Vocabulário fundamental para o real conhecimento das coisas, desde agora, VOFURECO.

Parte 2
By Ynaê et alli.

Quadro: é um quadrado famoso
Quantidade: é um monte de coisas juntas

26 de novembro de 2004

Paixão de mil e uma

“Vou indo, caminhando, sem saber aonde chegar
Quem sabe na volta te encontro no mesmo lugar.”
Caminhemos, por Ná Ozzetti!


A Jú viu ontem...eu perdi a mão. Sabe assim quando você vai fazer uma coisa que não faz há um tempo e tá sem prática. É isso!

Menino lindo aquele guey...será que ele me xaveca? Bem ele xaveca todas, porque comigo seria diferente?
Porque eu queria que fosse diferente. Esse é o problema!

Eu aceito uma noite e nada mais, mas com toda a paixão das mil e uma.

Um abraço bem bem apertado quando nos vimos e quando fui embora.
(...)
Caminhemos, talvez nos vejamos depois!

25 de novembro de 2004

Bala de Coco

Se há um doce que eu ame mais que brigadeiro em festa de criança é a bala de coco.

Bala de coco é sublime, derrete na boca. Vem embaladinha uma a uma num papelzinho com aquela franjinha...que dá pra gente brincar depois. E o melhor, dá pra levar pra casa e por na geladeira...e ela fica mais gostosa ainda.

Quem já viu fazer bala de coco?
é um processo complicadíssimo. Quando eu era criança minha vizinha fez e eu cheguei na casa dela bem na hora em que ela e outra vizinha estavam a uns dois metros de distância uma da outra, puxando a bala.

É uma cena maravilhosa...aquele caramelo meio transparente vai ficando branco...e o troço é tão quente que as mulheres passavam manteiga na mão e mesmo assim ficavam vermelhas e doídas.

E quem já comeu bala de coco neste estado? Ainda mole?

Puts, é a melhor coisa do mundo...

Tudo isso é porque eu comi bala de coco agora, depois do almoço.

23 de novembro de 2004

Superstição!

Hoje, chegando do almoço, olhei o relógio.
Meio dia em ponto.
Inevitavelmente pensei: ele gosta de mim!

Quem?

Este resquício de infância me fez lembrar de tudo o que eu acredito.
1. Não deixo sapato virado pra baixo
2. Tenho anústia de quebrar espelho
3. Não gosto que varram meu pé
4. Eu rezo quando tenho pesadelos
5. Não gosto de falar "azar" e sim "má sorte". Meu avó ensinou...
6. Isolo três vezes na madeira qualquer pensamento ruim
7. Eu não acredito no "pensamento positivo", mas tenho medo do negativo...
8. Dá arrepio cruzar um gato preto
9. Por via, não passo em baixo das escadas
10. Não uso roupa do avesso, atrasa a vida
11. Orelha direita ardendo: alguém falando bem de mim
12. Orelha esquerda: falando mal
13. Fecho da correntinha do lado direito: um loiro pensando em você
14. Fecho do lado esquerdo: um moreno (ou vice-versa)
15. Não falar a palavra "maldito" ou derivados
16. Não presta matar louva-deus
17. Eu realmente dou os três pulinhos pra São Longuinho
18. Tenho medo de não passar o ano novo com algo de rosa, algo de branco e de amarelo
19. Sempre como lentilha no Ano Novo, pro dinheiro
20. Não gosto quando as velas que eu acendo se apagam sozinhas
21. Se você encontra uma aranha em casa, sempre vai ter outra...
22. Se o dia da passagem de ano for ruim...o ano todo será meio xinfrim.
23. Não ponho bolsa no chão
24. Não deixo ningém me pular, senão não cresço
25. Guardo os sete carocinhos de uva, nem que seja pra jogar no dia seguinte...
26. Se estou na praia no ano Novo, pulo sete ondas, acendo vela e jogo flor
27. Me sinto protegida com meu colar vermelho
28. Ver sapo dá sorte
29. Ver joaninha dá sorte
30. Se uma borboleta branca ou amarela encosta em você... Como que era mesmo?

21 de novembro de 2004

Crianças, amor!

Gente, nasceu o chinês loiro mais lindinho de Campinas.
Nasceu o Matheus...mais um menino! Filhotinho do China e da Fê
Ele é amassadinho, mas tem os olhos bem bem compridinhos. Um xuxu!
XoX

Tinha um monte de coisa engraçada que eu queria contar nesse blog. Mas como sempre a memória das noitadas não é muito nítida, e para eu não parecer a louca que sou, resolvi não passar a balada anotando o que eu pensei ou o que me contaram para eu poder me lembrar depois.

Apesar que esse hábito já me garantiu boas histórias, ou boas piadas. No final da República Las Chicas Tienen Fuego, estávamos todas nós há meses reunidas em torno da mesa redonda, fumando e conversando coisas. A Chica comendo o pé da mesa ou no sofá preto. E a Denise rodando pela cozinha. De repente, ela solta:

Cadê aquele filha da puta daquele puxa-saco!

Bem, cagamos todas de rir, e eu anotei esse desabafo emocionado no caderninho. E ficou pra posteridade porque tenho certeza que, naquele estado, ninguém ia se lembrar.

Voltando pra ontem à noite, as histórias que eu ia contar eu não anotei, mas me lembro que tinha a ver com a Ynaê e seu dicionário etimológico pra adultos entenderem o fundamental da vida! Os verbetes, esqueci quase todos.

Mas tinha,
Menina: é uma criança mulher
Beleza: é quando menina passa batom na boca
Como eu gosto da Ynaê!

20 de novembro de 2004

Rua da Palmeira

Não sei se estou bebendo mais ou se estou ficando velha mesmo... Ontem o mundo começou a girar, girar...fui beber água de coco.
Santo Remédio!

As vezes também me acho meio louca...das coisas que ando reparando nessa cidade.

Aqui perto tem criança jogando bola no meio da rua, no centro de são paulo.

Outro dia vi uma velhinha bem pequena, usando casaco vermelho, cachecol...bermuda xadrez com meinha soquete e galocha azul. Uma fofa! Como eu reparo nas velhinhas...Saudade.

Outro dia vi um casal deles, aqui no centro tem muitos, meio abandonados...dignamente cuidando de si mesmos quando já não dá mais. O casal caminhava a passos lentos, de braço dado. Ele, terno risca de giz, cabelo com gumex. Ela, saia longa, xale e uma roda de blush vermelho das bochechas.

Andavam tão devagar, no ritmo dos bondes, que é o ritmo dessa gente que carrega a São Paulo antiga na memória. Nem ligavam pros atropelos, pro congestionamento causado na calçada, pras caras feias e empurrões. Ali na Rua das Palmeiras, parecia até que eles ainda podiam enxergar as árvores que nomearam a rua...se é que um dia elas existiram.

Parece que sim. Outro dia consegui ver a única palmeira que ainda vive lá. E ela me contou...

XoX
Na Rua das Palmeiras também morava uma rainha africana. Ela morava na rua, em frente à Caixa econômica...dormia enrolada no edredom verde que o Gil deu pra ela...com um lenço na cabeça cobrindo um coque meio alto...negra bem negra, com olhos grandes e assustados.
No dia que ela reparou que eu reparei nela, ela passou a me ignorar...eu tentava dizer bom dia e ela baixava o olho. Vergonha de existir!
Daí eu mudei da rua das palmeiras...e voltei lá outro dia e ela não está mais. Perguntei ao caixa do supermercado em frente, não sei, perguntei ao dono da banca de flores em frente, não sei, será que mataram ela? Ninguém sabia...pode ser que ela jamais tenha existido...ou que ela deixou de existir quando quem reparou que ela existia sumiu.
Dizem que ela estava meio violenta...um dia pegou um pedaço de pau e bateu em uma mulher... E eu vi ela ser presa e depois devolvida pra rua.
Pode ser que seus súditos tenham vindo buscá-la...ou alguém da saúde pública...e ela hoje more num hospício.

18 de novembro de 2004

Ordinatér

Olá,
Estou há três dias acumulando livros pra ler, tenho uns dois capítulos pra fazer, neste ano, antes da cirurgia em janeiro (É.)

Enquanto isso me vem aquela sede de liberdade, a vontade de beber, conhecer meninos novos que ando precisando muito, conversar com amigos, aprender árabe, dar a volta ao mundo.

Essa vontade de aprender árabe tá batendo. É a língua do futuro, quando os americanos perderem...Vai que eu aprenda até caligrafia artística ao mesmo tempo!

Enquanto isso, o inglês. Que eu estudei tanto e esqueci muito. To aprendendo a pronunciar tudo de novo...o pior é que eu odeio sotaque americano. Odeio mesmo...então eu luto pra manter meu acento brasileiro. Pontos a menos... Quem se lembra do ordinatér?!

XoX

Historinha de Buenos Aires I
Não importa a temperatura do dia, que nesta cidade pode oscilar do abaixo de zero aos quarenta graus, todas as quintas-feiras, há exatos 27 anos, um grupo de mães que agora seriam avós se tivessem tido chance, vão a Plaza de Mayo reclamar seus filhos.

Na cabeça levam lenços brancos que na verdade não são simplesmente lenços, são as fraldas de seus filhos mortos pela ditadura. São mulheres que inverteram bastante a ordem das coisas, enterraram (ou sonham enterrar) seus filhos, herdaram os ideais de luta dos jovens e mais ainda, saíram de casa com medo e dor para enfrentar cães, metralhadoras, policiais, militares, esquecimento.

Elas contam que conseguiam espantar os policiais quando começavam a rezar a Ave Maria com toda força e que eles tinham tanto medo de Deus que deviam se lembrar que bater em mulher os poderia levar para o inferno. Eles mal sabiam que em meio a essas rezas, no canto monótono das vozes, elas combinavam entre elas e com o próprio Deus o próximo lugar de encontro.

12 de novembro de 2004

Viche!!

Estou ansiosa pra escrever nesse blog...que engraçado!

Apesar desta incômoda sensação de monólogo, recebi hoje recados da Cris e da Ana. Feliz!

É estranho porque estou escrevendo coisas muito sérias, quer dizer, coisas que eu realmente quero compartilhar, mas não estou certa se alguém vai ler...ou se todo mundo que mora no mundo vai ler...

Numa Revista da Folha de algumas semanas atrás uma reportagem sobre a falta de privacidade na internet.

Pânico !Das coisas que a gente sabe... das que a gente não sabe, só imagina...

Bom, as histórias são tétricas...tudo nos EUA, é claro, terra de gente neura. Mas com o presidente do mundo reeleito, todo cuidado é pouco!

Sinteticamente pra quem não leu:

1. Jovem professora casada trepa com aluno de 14 anos e põe no Blog
1.2 Todas as provas na internet= prisão

2. Jovem militante estadunidense resolve se juntar ao Taleban.
2.2 Todos os rastros na internet= prisão

3. Apresentadora de TV tira foto pelada, e gosta somente de seu olhar. Recorta no Fotoshop e põe só os olhos na internet.
3b . Nerd de plantão descobre (não sei dizer como), o “fantasma” desta foto, o lado obscuro, consegue ampliá-la e resgata....tchan!! A moça pelada!

3.1 Tudo na internet = mico

Veja bem, não querendo assusta-las. Será seguro este negócio de Blog?
Tô paranóica? Ou sempre fui?

Viche!!

11 de novembro de 2004

Sobre as avós

Escrevi esta historinha bem antes de minha avó morrer, num surto de amor...

As mãos de minha avó

Como toda mão de quase todas as avós, as da minha era cheia de pintinhas. Daquelas manchas da velhice que não falham e, mesmo se na palma lhes faltarem os calos da lida, no dorso não faltaram aqueles do passar dos anos. O que havia de diferente nas mãos de minha avó era imperceptível. Para mim mesma, sua companhia constante durante anos, eram mais indutivos do que visíveis. Eram milhares de furos, que se abriam e cicatrizavam em uma mesma rotina há 68 anos de prática de costureira. Costureira não, modista! – ela costuma dizer. As agulhas e alfinetes nunca a perdoaram, assim como a vida.
Com suas mãos, que nunca se habituaram a ficar paradas, minha avó construía alguns sonhos. Em seus oito anos a mãe duvidou dela, que ela não poderia costurar um vestido. E comprou-lhe uma chita feia pra não desperdiçar dinheiro. E o vestido ficou pronto, assim como o seu caminho. Ajudava as tias no cozer cotidiano de calcinhas e lençóis, e tudo mais que antigamente não se comprava, e no grande armário da sala de costura, mergulhava seus sonhos em rendas e botões.
Quando moça, por ousadia ou mesmo necessidade, foi trabalhar fora. Na sessão de costura de uma grande loja de departamentos passou de arrematadeira para a sessão do corte num pulo. Corte que ela tanto se orgulhava de ser muito estudado e muito seu. E durante este tempo e depois, o que ela gostava mesmo era de fazer os vestidos de noiva, de festa, de debutantes. Com lindos tecidos e cores e pedras e apliques. De noite, em sua velha máquina de costurar, minha avó transformava aquilo tudo nos sonhos de alguém.
Seu nome é Theresa, mas ao contrário do que dizem por aí, ela nunca se cansou da guerra, era incansável. E invencível. Dentro de seu corpo, onde realmente eu nunca pude ver, estavam outras cicatrizes. Não eram furos de agulha, mas talvez grandes covas negras, com grandes dores enterradas que ela conta rindo. Aliás, minha avó ri chorando e chora sorrindo.
Sua mãe muito cedo, seu pai queridíssimo, sua única irmã, seu marido, seu filho predileto, sua filha (por algum tempo), quase toda sua família está morta. E se não morreram, já foram enterrados. E esses furos também foram abertos e cicatrizados na mesma rotina.
Descobri outro dia que ela costura com pontos pequenos e delicados estas grandes covas que moram no seu peito. Cada ponto dado em uma seda ou outro tecido fino vale outro em suas feridas. Ela vai cerzindo com linha de bordar, bem fininha. Assim, em todos estes anos, os furos de suas agulhas foram a sua salvação. Só uma vez a vi não querendo costurar, quando seus netos estavam quase morrendo e ela achou que não ia agüentar mais. Nós não morremos e ela segue trabalhando.
No fundo, eu desconfio que com as linhas mais bonitas num bordado de miçangas ou rendas ou pedrinhas de cristal, minha avó constrói escondida sua própria teresa para poder um dia fugir para o céu.


Luto...

Hoje acordei com a notícia da morte do Arafat. Que triste...
Que vontade de pendurar uma bandeira da Palestina na minha sacada.

Ontem à noite saí com a Ju, vimos um samba bonito no Sesc Consolação, tomamos umas "júsculas", caminhamos até minha casa, tomamos mais umas... enquanto falávamos de pintos e de seus donos, das avós que se foram ou estão indo, de "causos" reais e fantásticos, coisas bonitas e feias. Foi ótimo!

Meio bêbadas fomos pro ponto e distraídas não vimos as torneiras do céu se abrirem...Devia ser umas 11:00 da noite e a galera lá em cima estava fazendo uma faxina geral pra receber o Arafat.
Caiu uma chuva muito, muito forte, e tão de repente....

XoX

Aqui em Sampa está uma epidemia de suicídio de árvores. Já caíram umas três, em avenidas conhecidas. Uma mais revoltada se matou e levou um motoqueiro junto...se a gente entendesse o que ela fala, daria pra ter escutado o grito na hora da queda:
- Liberdaaaaaade!!!

10 de novembro de 2004

Bom dia!

Seguindo a sugestão de minha amiga Cris, começo hoje o meu Blog. Mais um jeito de gastar um tempo na Internet (depois conto por que).
Detestei o orkut e agora quero outro passatempo...

Motivos porque eu detestei o orkut
1. Tem pessoas que você não quer econtrar
2. Tem pessoas que você não quer que te encontre
3. Tem cara de arquivo policial internacional da CIA
4. é difícil de sair... (Como eu faço?)

Bem, este é meu primeiro contato. Vamos ver quanto de paciência eu tenho pra partilhar meu cérebro (por escrito) todos os dias com vocês.

Estão tá!