29 de dezembro de 2005

Rumo a caderininhos 2006

Os projetos em longo prazo que disse outro dia podiam ser, por exemplo, conseguir fazer da vida um texto.
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Enquanto isso, fico na vida por itens, sem apresentação, desenvolvimento, conclusão, alguma narração e quase nenhuma carta.
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Pouca poesia, a não ser aquela que já vem pronta nos livros ou na rua, que nem aquele homem que vi há pouco, carregando desajeitado e solene um ramo de rosas brancas e vermelhas embrulhadas em plástico, atravessando a rua murmurando sozinho, provavelmente as palavras que diria ao entregar o presente.
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Também vejo na rua por aqui crianças andando de bicicleta junto com os carros, jogando futebol aos domingos, ou um velho andando bem pra lá do meio fio, com os passos calmos do interior (dele mesmo). Eu vejo pouco medo de carros em alguns.
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Comecei hoje meu caderno do ano que vem. O ano começou hoje, sem festa. Com cerveja sozinha com este amigo computador de tantas horas.
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Foi hoje que larguei meu emprego em busca de uma vida nova. Como diz o filme que chorei assistindo, o último do caderno passado ou o primeiro deste ano, estou abrindo os trilhos, mesmo que ainda não haja trem.
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Este emprego, com carteira assinada, me dava muita informação e pouco conhecimento, quase nenhuma amizade, lesão nos tendões, nenhuma militância, pouco crédito para meu cérebro. Larguei em busca da escola pública.
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Um pouco antes da carta de demissão, documento inédito nos meus escritos, saiu a nomeação no diário oficial. Não estou desempregada, portanto. Ano que vêm no mínimo 210 crianças de 11 a 14 anos me esperam. Espero que eles me esperem, porque eu espero eles!
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Este ano tem mesmo a lista de promessas de ano novo. É infindável, mas serve mais pra eu não esquecer quem eu sou, o que quero mesmo, o que gosto tanto, o que eu não agüento mais.
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E ainda se a vida continuar em itens, ao invés de números, estrelas!

27 de dezembro de 2005

Homenagem à minha 'essência mineral'

que hoje faz aniversário....

“Segundo ele, o corpo era feito de tempo. Acabado o tempo que nos é devido, termina também o corpo. Depois de tudo, sobra o quê? Os ossos. O não-tempo, nossa mineral essência. Se de alguma coisa temos que tratar bem é do esqueleto, nossa tímida e oculta eternidade”

do Mia Couto

22 de dezembro de 2005

Promessas de Ano Novo

Apesar do ano novo ser a data mais importante pra mim, somente depois dos meus primeiro e segundo aniversários, eu nunca fiz promessas de ano novo, nunca. E nem senti vontade de fazer porque acabo prometendo promessas todo domingo, ou toda sexta-feira, algumas eu cumpro, outras eu esqueço, nada por escrito, e sem testemunhas.

Este ano escreverei uma carta, em duas vias. Uma para Iemanjá, a ser depositada no mar em seu devido momento. A outra será guardada e lida só no próximo momento de fazer promessas.

Vamos ver se assim consigo dar conta de alguma delas, talvez a mais importante: realizar planos em longo prazo.

19 de dezembro de 2005

Conversando com o rádio nº278

Não quero mais me desmentir
Eu não vou mais te procurar
(clique na primeira musiquinha, dos mombojos)

13 de dezembro de 2005

A resistência tombou (ou temporariamente fora do ar)


Já é sabido que para alguns este órgão aí abaixo funciona como uma esponja em momentos de crise. Sim, tenho amigdalite toda vez que meu desânimo entra em estado crítico.

Dizem os especialistas que as amigdalas (apontadas no desenho aí em cima) são a porta de entrada (fechada ou aberta) para as infecções.

“As amígdalas seriam uma primeira barreira de nosso organismo contra agressões do sistema ambiente.”
(especialistas)

Por falta de uma tive duas amigalites na seqüência, a primeira mal curada porque os antibichóticos são droguinhas para a maioria das bactérias mutantes de hoje. A segunda, curada com injeções. Que bom que eu perdi o medo de agulhas faz tempo.

As “agressões do sistema ambiente” provavelmente referem-se ao fato de que ainda não consegui decidir os próximos passos para um futuro que é quase amanhã. Bem como não consegui decidir um passado quase ontem que entalou na minha aorta.

É mentira, estou decidida a não. Mas, enquanto o futuro não chega, as vezes as manhãs e as tardes ficam vazias e as noites insuportáveis.

8 de dezembro de 2005

sem-título

Se eu tivesse um filho, estaria pensando no que fazer do natal da criança.
A primeira questão diz respeito a figura do Papai Noel, porque sim é bom ter fantasias, cultivar a imaginação e o mágico. Mas existem tantas outras fantasias mais legais, especialmente aquelas ligadas a outras formas de ver o mundo e não ligadas ao consumo.
Da mesma forma o natal em família é uma ocasião difícil de romper. Já sugeri outras formas de festas que não incluíssem esta pretensa comemoração do nascimento de um menino há dois mil anos atrás...que apesar da família católica, pouco ou nada tem a ver comigo e minha vida.
Além do mais as comidas de Natal, que nada tem a ver com nossas comidas do dia-a-dia e são quase todas importadas...
Já tentei, mas é difícil entre os meus uma comemoração de natal regada a vatapá, numa praia, sem presentes (nem pras crianças) e pensando em outras coisas que não sejam nossos mortos que não estão presentes naquele momento. É claro, pode ser toda a família junta, que até que é legal!
E o Natal é quase insubversível! Você já se imaginou querendo criar seu filho de outro jeito e dizendo: _ Tia, não vou a festa! Ou _ Não, filho, presentes não são importantes!, em frente à árvore cheia e às outras crianças presenteadas.

Pensando nisso melembrei das inúmeras crianças sem papai-noel. Como aquele menino que trabalha ao lado da exibição pirotécnica do Banco de Boston, na Avenida Paulista. Um teatro de bonecos não muito animados, com vozes daqueles disquinhos de história infantil. Todas as vezes que passei na frente vi pessoas hipnotizadas pela parafernália, que inclui até um cuspidor de neve de mentira, que o vento leva até o menino que está ali do lado trampando e deve saber, há muito tempo, que o papai noel dele é ele mesmo.

5 de dezembro de 2005

Eu sabia que era crise de abstinência!

Dos que vieram antes de mim!

Faz tempão que eu tenho um avô que não conheço. Aliás, conheci pequena, mas logo meus avós se divorciaram (mesmo, nos anos 70, devem ter sido os pioneiros, de papel e tudo), brigaram e minha avó tomou posse da família. Ele, por seu lado, criou outra. Há dez anos atrás o vi, beijei e abracei no enterro do meu pai, situação muito triste para conhecer um avô já velho.
Mas está fazendo um mês que estou sentindo muita necessidade de conhece-lo. Diz a lenda que era um avô bonachão, boêmio, bom-coração, poeta, jogador de futebol corintiano roxo das antigas várzeas do Tietê (tem foto disso, lindo!). Era também um homem lindo, de olhos verdes rasgados, moreno índio, espírito de italiano.
Daí neste final de semana recebi um telefonema de uma tia avisando: o homem está fazendo 80 anos. Parece que com alguns problemas de saúde, circulação, varizes, risco de amputação. Também, fuma até hoje. Mas está vivíssimo e bem.
Que alívio: é muito bom se encontrar naqueles seus que vieram antes de você.

Resolvi telefonar.
_Oi, aqui é sua neta, eu soube que o senhor está fazendo 80 anos?!
_ Que emoção, que felicidade, filha, deusteabençoe, eu lembro de você no meu colo querendo pegar o abajur (?).
(Sim, avô, faz quase trinta anos, mas eu estou aqui e queria te agradecer por ter vivido tanto pra esperar por isso.)

27 de novembro de 2005

Recomendo


A peça Casa de Bonecas, em cartaz no teatro fábrica.
Amigos e primo em cena, muito bons.

Além do mais o texto é fantástico; a cena final caiu como uma luva no meu malviver daqueles dias.

A virada de Nora, você pode ler aqui

26 de novembro de 2005

Um ano de lume vagante, com atraso

Estou trabalhando neste sábado, amanhã e nos próximos finais de semana. Planos de descanso, só no futuro em com cinco estrelas...depois eu conto.
O pior é vir de ressaca trabalhar, tendo dormido cinco horinhas na cama de um moço de cheiro muito bom. O cheiro até veio comigo!
Descobri hoje que esse blog fez aniversário e eu nem liguei. Aproveitando o tempo infindável na Internet resolvi reler tudo o que escrevi.
Que incrível ter registrado um ano de vida! Aconteceram muitas coisas, mas nem tantas assim que me fizessem me sentir diferente de hoje.
Há um ano atrás eu estava me sentindo meio parecida com hoje...a não ser pelo pé que estava ruim e agora está bom.

25 de novembro de 2005

Alguma coisa sobre os nós

No meio da mesa branca a mandala colorida, traçada com os pontos cardeais mais longínquos, aqueles que ninguém sabe bem o nome mas que todo mundo já esteve algum dia.

Na mandala, conchinhas que caem com as bocas dentadas pra cima e dizem, praquele pai, onde você mora, está, sente, fica, sofre e quer.

A sala branca desenhada tem cheiro doce, de perfume antigo, luz de vela colorida, ofertas mil de gente que busca aquela muitacoisa que nos falta. Um pouco pra todo mundo, sempre. Alguns mais outros menos, sempre também.

Eu não estou querendo nada, pai! Assim, digo, nada que seja uma coisa só.

Tento entender esta linhagem antiga que me fez ir ali, tento desfazer os nós da longa corda que carrego, corda carregada de pessoas mais velhas do que eu, talvez gente que eu nunca tenha conhecido. Estranha as heranças que não sabemos ter, mas que são tão vivas quanto a cor da pele depois de um furinho. Vaza então esta cor e todas as coisas que trago nem sei de onde.

Hoje está sentado na minha cabeça um deus velho que se chama Oxumarê. Estranho homem/mulher, arco-íris cobra-coral, bom mal, que gira suas vontades helicópteras em direção a mudança, insaciável sede de mudança. Deus que não é, mas está! Difícil companhia! Mas posso ter entendido alguma coisa.

Agora de dia escuto:
“Hoje a lua é uma canoa, amanhã é uma espada!”

24 de novembro de 2005

Dormir...mais do que tudo!

Estou prezando dormir mais do que tudo, isso é um sinal de que as coisas não estão tão bem, sinal de falta de ânimo, falta de perspectiva e excesso de saudade encruada daquela companhia que não te deixava sair da cama.

22 de novembro de 2005

Sobre o clássico buteco

Um dia um amigo pensou no emprego dos sonhos...rodar o Brasil mapeando os butecos mais butecos do país, e fazer um guia para aficionados como muita gente que eu conheço.
Pra começar boteco não tem nada a ver com aquilo que se encontra na Vila Madalena, uma reles imitação, aquilo são “barzinhos”.
Em um buteco clássico consegui identificar alguns elementos, mas comentem se me esqueci de algo...

. Mesinhas de plástico ou ferro de marcas de cerveja, nunca nada mais confortável que isso
. Máquinas de caça-níquel com o som alto, para vc escutar o pin-pin o tempo todo
. Vende cigarro
. Tem uma juke box com o som no último, com o melhor do pagode e do brega
. A maioria dos freqüentadores são homens
. Tem uma santa escondida em algum lugar
. Tem patuás perto do caixa, sempre um balcão de vidro, com doces e quiquilharias
. Rola um samba escondido da polícia de vez em quando
. Tem o melhor dos petiscos, desde picanha até tremoço (que eu adoro)
. Garçons muito ágeis, que logo ficam amigos
. Tem saidera sagrada, fato que não ocorre em qualquer barzinho
. Tem pôsteres de algum time quase sempre do Timão, de alguma mulher bonita meio pelada
. Mas a maioria da decoração é de mulheres bonitas meio peladas ao lado de marcas de cervejas famosas...
. Tem banheiros que vão ficando cada vez mais sujos e molhados e sem papel
. Dá pra pedir um rolinho de papel para o garçom amigo
. Dá pra usar o banheiro dos homens na emergência

. Sempre alguém vai começar a dançar, muito bem, um sambinha de dois ou um forró.

Se tem mais eu esqueci

21 de novembro de 2005

Sabedoria pagodera ou o melhor do lelelê!

Ninguém melhor pra falar de amor que o pagoooode!

Entrei numa fase pagodeira total....nessa de freqüentar sambinhas de sexta e domingo, junto com os gaviões da fiel e os fieis gaviões meus amigos homens.
Ontem mesmo a gente acompanhou, ao vivo, uma história de amor. O casal brigado. Ele um magrelo branquelo parado do lado da mesa, com olhar de perdão. Ela negra linda e formosa, desprezando com o canto dos olhos. Os dois conversam, ela de braços cruzados, ele com a mão no bolso. Ele de braços cruzados, ela com o dedo na cara.

Pensamos na hora: ele fez merda, perdoa, não perdoa!

Até tomei mais três cervejas pra ver o desfecho da novela.

E ela foi embora com as amigas, depois de sambar bonito. Ele olhou até ela sumir na esquina da rua e sentou com o tantã no colo na roda de bambas, pra chorar seu amor num pagode que dizia “a moça foi embora...”

O melhor do lelelê é essa música que vem na seqüência. Se chama Jogo de Sedução e é do Grupo Revelação. (O que seria do pagode sem os aumentativos, que também tem tudo a ver com o amor, pelo menos pra mim com fortes tendências hiperbólicas/mexicanas)

“Só você tem o meu amor
Não tem por que motivo agir assim
Só você sabe o meu sabor
Não tem porque desconfiar de mim

Ta pegando a rota do fim
A contra-mão do amor
Desconfiança é tão ruim
Foi assim que tanto sonho se acabou

Eu não vou, me deixar levar
Por esse jogo seu de sedução
Vou fazer tudo pra salvar
Confesso que te amo de paixão
É melhor você parar
Eu quero ser feliz
É você o meu lugar
Não tenho outra diretriz”

E o melhor lelele de todos os tempos de todos os sambas é o refrão...

“ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ....lê lê lê lê lê lê lê..."

Tomara que dê pra ouvir!

19 de novembro de 2005

sobre cidades baixas


Demaaais de bom!
Uma linda linda história de amor e amizade, sem final feliz. Nem infeliz.

Quem quiser ler mais

é virada, mas é cultural

Hoje a noite tá prometendo balada destróier

Das 22:00 as 3:30 - Léo Maia, Berimbrown, Funku, Sinhô Preto Velho e DJ Uirá
Das 3:30 as não sei - Mundo Livre e Nação na Orquestra Manguefônica

Estou com muita vontade de dançar até descabelar

Yes, nós agora (e ainda) somos vermelhos


Da visita do Bush aqui na América Latina, mapa publicado no "Times", jornal da direita inglesa, sobre a configuração política da terra dos fora-da-lei

legenda
O mapa à esquerda é do ano 2000, o da direita é o atual
Os países que estão em:
Azul - são governos de direita
Vermelho - governos de esquerda

14 de novembro de 2005

Médio meio mais ou menos

Sem maiores sustos, estou feliz e triste ao mesmo tempo.
Quase feliz e um médio triste, nessa proporção.
Acho que por isso as lágrimas não saem nem a fórceps

Procuro não pensar muito numa pessoa que virou saudade.
Procuro pensar muito em mim, nas minhas razões e atitudes.
Até que funciona...

Muito arriscado são as horas que ficam entre as 22:00 e a 1:00.
(Assista TV, leia um livro, faça um crochê, tire a cutícula)
Também é arriscado o solzinho da manhã na fresta de veneziana apontando para o vazio no local ao lado na cama gigante
(Vc pode dormir na diagonal, nada como sentir-se tão repleta e cheia de espaço)
As noites de calor também são crueis para lembranças doloridas
(Saia para uma praça animada, beba muitas cervejas com amigos bons)

Encravada


Tem uma dorzinha encravada nas lágrimas que ainda não derrubei.
Estou fazendo um esforço pra chorar tudo logo de uma vez, chega, passa pra outra

Aluguei, portanto, um filme que me disseram certeiro para esses casos graves de necessidade médica de desopilação.

E nenhuma das lágrimas, encravadas, resolveu sair.

Pra quem não conseguiu ler sobre as fogueiras

Ação é descentralizada e sem líderes claros
DO ENVIADO A PARIS
A revolta que assusta a França tem códigos de articulação próprios de um conflito cuja marcas mais intrigantes são a descentralização do poder rebelde e a total ausência de líderes.Em dois dias de conversas com jovens de três cidades da periferia de Paris, a Folha confirmou algo de que a polícia e o governo já haviam se queixado: os incendiários franceses são senhores de seus atos, não seguem nenhuma entidade nem nenhum guia.Um adolescente de origem tunisiana de Clichy-sous-Bois, primeira localidade a explodir, relatou sua lógica, que dificulta o trabalho da polícia de identificar os autores das ações."Somos solidários uns aos outros. Quando decidimos fazer alguma coisa", explica, "sempre fazemos todos juntos. Assim é bem mais fácil, porque, quando todo mundo faz, ninguém faz. Não há um só culpado."No grupo à sua volta, diante da pergunta sobre qual o inspirador da revolta, ninguém fala nada. "Não tem modelo, não tem ninguém em que a gente se espelhe."Nesse contexto, a organização depende de improviso, criatividade e tecnologia. A maioria dos encontros se dá à base do boca-a-boca, em encontros que são marcados nos pátios das "cités", os conjuntos habitacionais que são o nascedouro dos distúrbios.Mensagens de texto por telefones celulares também têm sido usadas à exaustão. Ontem, a polícia anunciou ter identificado vários blogs em que jovens combinavam reuniões para organizar arruaças e incitavam a violência.Há ainda as rádios piratas. Quem conta é a alemã Ann Kathrin Goebel, que trabalha como recepcionista em Paris."Anteontem eu voltava para casa [num subúrbio ao norte da capital] e, sintonizando o rádio, topei com uma emissora clandestina, que convocava os jovens a comprarem armas e combaterem a polícia", relatou à Folha.

11 de novembro de 2005

10 de novembro de 2005

Sobre amores pulgões

O que dizer de uma conversinha rápida, de um cartão telefônico para um celular, de uma moça para um moço, que se vêem há sete meses, que não se vêem nem falam há quatro dias porque começaram a fugir um do outro, a moça porque quer se salvar correndo par as montanhas, o moço porque tem compromissos com o bar e os amigos e a conversa rápida segundos antes de acabar o cartão é: _ Fui viajar pro sítio do amigo, aprendi a tratar de pulgão, lembrei de você!
OS: Tá, minha planta tem pulgão, mas haja!

Veja acima que é um pulgão
Um bicho verdinho que destrói as plantas “comendo sua seiva”. Alguma analogia?

8 de novembro de 2005

Me peçam depois pra contar dos pulgões

Mais uma vez escrevo em itens, mais pela necessidade de atualização deste brog. Ando pensando tantas, tantas que não dá pra ter coerência. Ou será que eu já tive?

. A maior novidade é que acabo de ser convocada no concurso para professora do Estado. No tempo certo, depois do mestradim e talvez para assumir só no ano que vem. Tudo me embaralha a cabeça agora: emprego público, duas férias por ano, moleques interessantíssimos, moleques sofridos, loucura. O professorado é uma das classes mais loucas que conheço, no bom e no mal sentido. Medo de perder a tão cultivada sanidade mental que quem me conhece mesmo sabe que eu nunca tive.

. Sobre as coisas velhas então. Percebi hoje que estou falando sozinha, na rua, enquanto caminho e até no elevador. E o pior é que só me toquei porque as pessoas estavam me olhando esquisito. Na hora eu brigava com um moço em voz alta, discutia tudo o que eu falei ou deixei de falar. Que sintoma de sanidade!

. Estou lendo um livro muito empolgante. Se chama Afrodita e foi a Isabel Allende que escreveu. É sobre culinária e erotismo, cheiro e desejo, em última instância gula e luxúria, de acordo com ela os únicos pecados capitais que valem a pena. Ela fala, na introdução, sobre a relação entre comer e comer, que me lembrou da velha máxima: quem nunca teve um orgasmo gástrico? Ela conta de uma simpatia antiga, que se parece muito com o velho “coar café na calça”, um pouco mais complicadinha talvez. Mistura farinha, água e faz uma massa. Molde esta massa na sua menina, com muito cuidado, para incorporar eflúvios, põe pra assar e dê para o amado comer.

. Estou “acelulada”, sentindo uma imensa liberdade. Cheguei a vincular o piriririri do toque musical ao nome de uma pessoa que esperei muito muito ligar,vestida pronta na sala de estar. O celular quebrou, o conserto demorou e eu...me sinto muito feliz!

4 de novembro de 2005

Regra três

Num blogamigo, achei a música que pode dar maiores explicações.

Uma tentativa fracassada (acho).
Menos de colocar sabiá dosd outros na gaiola e mais de não ficar meses esperando arrumada na sala de estar.

Inspirada na filosofia B. Jones, quero algo muito, mas muito mais extraordinário!

31 de outubro de 2005

...mais ou menos, altos, altíssimmos, baixos, baixíssimos mas em geral, médio.

Um pouco de vontade de chorar, um pouco de orgulho, outro tanto de vergonha, uma pitada de humilhação, outra de saudade.

meio louca, histérica, tranqüila, determinada, com dúvida, muito segura, com certeza que sim, com certeza que nunca mais...

26 de outubro de 2005

Um pouco mais sobre o Afanásio de todos nós.


A impressão que me resta do resultado final desta batalha entre as torcidas de cá e de lá (com alguns viracasacas para quem dou o meu voto apesar de não compartilhar desta razão niilista) é que deixaram aquele afanasiozinho que mora dentro de todo mundo sair feliz e contente achando que suas idéias são geniais, e pior, aplicáveis.

Voltando pra antes do começo então.
Escolhi o Afanásio como um símbolo, mais midiático. Esse monstrinho conservador poderia também ser chamado de Erasminho ou Jairzinho, ou qualquer um de sua preferência. O discurso é o mesmo.

Agora, pro começo.
Nos meus exercícios de previsão de futuro percebi que o barco afundou mesmo. A população parece não demonstrar só desilusão com a esquerda, vulgo Lula. Esta desilusão pode e parece ter sido transformada em outras perspectivas que convocam a adoção de outras políticas. Políticas condenáveis por mim e que partem de outros princípios. Para sermos mais claros, temo com desespero que saindo da pauta e do planalto quem teoricamente pensava a igualdade e justiça social como solução, as que vierem substituir sejam aquelas identificadas com aquele pessoal do lado de lá.
Ganhando o direito de legítima defesa, que está na pauta da TFP e de outras galeras da torcida inimiga, a proibição total do aborto, a redução ou abolição da maioridade penal, a pena de morte ou a perpétua ganhem a dimensão de lei apoiados pelo mesmo afanasiozinho de todos nós.

E depois do fim
Derrota para o argumento da manipulação quimérica da grande mídia. Mesmo com o bombardeio da Rede Globo, Folha, Estado, O Globo a favor do SIM, a derrota foi feia. Lembro pela última vez do Jesus Martín-Barbero: sem a cumplicidade cultural de determinadas demandas e discursos, os meios de comunicação não são nada. Desta vez, o publicitário do Collor ganhou da Rede Globo, porque soube de maneira espetacular alimentar o mostrinho conservador que mora dentro de tantos.

22 de outubro de 2005

“Não irmão, artista não!”

Eu queria ser artista. Artista que é artista é aquele que consegue transformar angústia em expressão, qualquer que seja.

Se eu pudesse fazer um xerox fotocópia de meu cérebro e coração neste momento isso não seria necessário. Não dá pra fazer isso, nem com raio-x que eu tenho um monte.

Então eu precisava ser poeta. Precisava ter aquela incrível capacidade de síntese emocional que alguns tem aos conseguir contar com as mesmas palavras que eu tenho, as coisas mais tristes ou felizes. Sínteses, só.

A solução para crises de expressão para quem sofre de angústia crônica como eu são dois: atazanar as amigas com conversas sem nexo ou terapia psicanalítica. Ambos, um porre!

O primeiro porque você fica com a sensação de que ninguém merece escutar o que você está pensando, de novo. Rola uma certa impaciência para escutar infinitas vezes sobre o mesmo assunto, e ainda por cima não seguir os conselhos lógicos que lhe são oferecidos, não ter atitudes coerentes.

O segundo envolve o maldito velho barbudo, que nunca me convenceu não ser mais do que um conservador. Ou será minha terapeuta?

Eu queria ser poeta, pra ver se cura, ou pelo menos gasta essa obsessão.

Por que? Meu coração se entregou a tempestade que estava ali há algum tempo. Ou sempre esteve. E de tempos em tempos ela volta pra dar um rolê nas minhas decisões afetivas, zoar um pouco meu sono, minha maneira de comer, minhas unhas, minha sanidade, minha capacidade de me distrair.

21 de outubro de 2005

Só porque eu demorei


pra aprender a colocar imagens nesse blogue.
Aí vai uma, sem mais comentários...

19 de outubro de 2005

A incrível batalha dos “Cidadãos de Bem” contra “Os dedos alados”

Estamos a uma semana do referendo e algumas coisas estão me deixando nervosa.
As duas posições envolvem certo tipo de cegueira danosa e daninha, os debates estão tão esquizofrênicos quanto a proposta de revisão de um direito constitucional de maneira apressada e bem deslocada de outras amplas realidades que envolvem a Segurança Pública.
Não sou capaz de retomar a trajetória desta discussão de desarmar a população. Retomo então, minha trajetória de envolvimento, sem mesmo gostar, com estes casos.
Acho que foi na década de 90 que alguns pesquisadores de centro-esquerda começaram a pensar a Segurança Pública fora daquelas idéias de repressão violenta, prisão, pena de morte, punição dura, justiça implacável, característica daquela parcela da população sentada do outro lado, com os quais não partilho nada.

Acho também que dentro dessa imensa pauta, que consideraria a justiça social e igualdade econômica como pressupostos, estariam também outras propostas como unificação das polícias, polícia comunitária, mediação de conflitos, punição da violência policial, ouvidoria da polícia, etc. A pergunta que não se calou é aonde foram parar estes outros tópicos da pauta, e porque o desarmamento emplacou a ponto de virar referendo.

Antes de tudo, tenho que falar que vou votar sim no domingo que vem, porque eu tenho medo de arma, desde que meu pai me fez segurar uma pra me defender, caso acontecesse algo quando ele estivesse fora. Pra ter uma idéia, nesse dia a bala escorregou e caiu no meu pé. Não gosto e não quero: nem pra mim e nem contra mim. Vejam então que voto também envolvida na minha cegueira, que alguns julgariam igualmente subjetiva. Outra razão, também muito forte, diz daquela postura atenta em votar contra quem está sentado do outro lado do plenário, embaixo do outdoor da CBC, usando canetas da taurus, os velhos senhores da guerra (sim, eu li o menino do dedo verde)

Cidadãos do mal
Olhando então para o discurso do NÃO. Quem diria que veríamos a galera do lado de lá falando em direito. Mais um conceito nosso roubado. Já roubaram minha liberdade e transformaram em livre-mercado, já transformaram minha justiça e pioraram em vingança, e já zoaram com minha igualdade chamando de oportunidade, a fraternidade, então: virou lei de incentivo fiscal. Quem luta pelo direito somos nós: Educação, Comida, Saúde, Terra, Informação. É assustador que o discurso do “direito” possa ser fortalecido por eles lá, comandados por assassinos como o Fleury. É mais assustador que estes mesmos aí seriam os mais ferrenhos contra o aborto, outro direito individual, mas dessa parcela de sub-gentes que somos nós, as reprodutoras. Outro ponto que me incomoda muito é que todo este discurso está embasado no “cidadão de bem contra rapa”. Pessoalmente acho ridícula esta dicotomia, mas se há cidadãos de bem, não são eles.

Dos dedos alados
As inúmeras conversas de bar, sempre as do bar, me trouxeram também outros olhares para o SIM. Não há como negar que o que está sendo cassado é um direito assegurado na constituição. E isso, realmente é difícil de aceitar. Levando que conta que um dos meus passatempos preferidos é pensar as projeções para o futuro, o barco realmente pode virar, se não já virou. Eu creio que a decepção com o PT não vai passar incólume, e podemos pirar num futuro em que se defender do estado vai fazer sentido. Ou mesmo defender esse estado, que é ruim mais é nosso, daquela galera sentada lá em cima do outro trópico.
E mesmo que pesquisas (que são de muitas formas “carteiradas” semelhantes ao uso da palavra “especialistas” pela grande imprensa) mostrem o grande número de mortes por arma de fogo, que muitas armas roubadas dos “cidadãos do bem” vão para o crime, etc., fica difícil acreditar que o tráfico de armas, que só perde pro de drogas e o de gente no mundo, não deve aumentar.

Outra situação que está na pauta deste discurso: os crimes de periferia, as brigas, as paixões mal resolvidas. Que se pensarmos bem devem continuar a ocorrer com ou sem as armas, ou com instrumentos insólitos que alimentem as páginas policiais dos jornais. E o Estatuto do Desarmamento não prevê a total proibição da venda de armas e munição. Se você provar qualquer um daqueles itens previstos, ou simplesmente que corre risco de vida, você vai comprar uma. Pensar a proibição como uma reforma constitucional é assustador, mais ainda se percebermos que bem pouco pode mudar.

O que eu perdi nesta trajetória subjetiva (e coletiva também) de compreensão do processo histórico e político envolvido neste referendo? Ainda não deu pra perceber.

Mas eu vou votar domingo contra o maldito afanásiozinho que estou descobrindo morar dentro da maioria.

13 de outubro de 2005

Ta todo mundo espiano...

Cansei desse blog, cansei dos meus sentimentalismos baratos (para os outros, claro pois para mim saem meio caros).
Nesse momento de mudar de vida caberia um silêncio reservado, porque ninguém merece escutar o que estou pensando.
Essa decisão vem também de uma crítica, pequena porém dolorida, que sofreu minha dissertação: “Certa dose de egolatria” Ta vendo no que dá se meter com jornalista? Três anos e deu no que deu. Se bem que alguns poderiam dizer que é de nascença.
A decisão agora é que neste blogue só constará, a partir de hoje, considerações filosóficas sobre minha vida. Chega de fofoca, de diz que disse. Com um certo espaço para parábolas ilustrativas. E um toque de sabedorias incompreensíveis. Coisas que no mínimo me façam pensar pra escrever. Não mais vômitos desabafantes emocionados e bêbados.

Quando eu não souber o que dizer, recorro ao meu repertório de frases, entre aspas, com citação de fonte. Com muito mais credibilidade.

Por exemplo, sobre o amor, meu amor difícil e sofrido, cito o velho mais jovem do momento, o Antônio José, ou seja qual for o nome dele: “O amor é um rock e a personalidade dele é um pagode”

Por exemplo, sobre o trabalho, meu trabalho chato e emburrecedor, cito: “Ninguém merece”.

Sobre o baratismo dos sentimentalismos, fica o Leminski: “o bicho alfabeto passa, fica o que não se escreve”

Sobre as sabedorias incompreensíveis, cito de novo o home: “um salto de sapo jamais abolirá o velho poço”

É pra isso que serve mestrado ou eu me desautorizei quando devia me autorizar?

7 de outubro de 2005

Vazio carregado de surpresas.

É certo, defendi, sou mestre, mas a segundona seguinte me pareceu igual. No fundo essas passagens são iguais a ano-novo ou aniversário. São passagens, rituais, símbolos...mas que mudam pouco o dia seguinte.

Tenho tanta coisa pra esperar agora que nem sei por onde começar. Fazer uma viagem? Fazer doutorado? Fazer regime? Virar professora? Fazer um filho? Um jornal? Uma revista? Outra graduação? Outro mestrado? Um curso de corte-costura? Oficinas no Sesc? Volto pra Cuba?

É claro, o alívio não tem preço. Dá até um vazio, que reflete na preguiça de acordar. Mas pelo menos, é um vazio cheio de expectativas, do que será que eu quero ser quando eu crescer...

28 de setembro de 2005

“Eloqüência”

Ou “elouqüencia”, que deveria ser a palavra correta, meio relacionado a “louca”, que é como me sinto agora.
Se tiverem que torcer por mim, rezem, peçam, inspirem minha eloqüência para que amanhã, a essa hora, eu já seja uma mestre.

Faz dois dias que não trabalho, que pareço uma louca quente vagando entre computador, cozinha, varanda, rua. Preparo uns parágrafos da defesa, que contou com sete minutos, menos do que o desejado. Já terminei e não gostei do que fiz. Mas o problema está nesta palavra, defender o que se faz é, mas não deveria, ser difícil pra mim. Botei a alma aos bofes.

Preocupada também com a festa, que no fundo é o melhor de tudo, escrevi para os amigos realmente esperando por todos. Liguei para outros de quem não tinha emeio. Foi engraçado, pois de cada um recebi um conselho, um melhor que o outro.

1. Meu professor de inglês, na prova oral que tive hoje: “Breath, remember breath. And...let them wait!”
2. A primeira conversa com Oriana, recém defendida, guerreira pra caralho, levou porrada numa banca de superintelectuais e saiu-se perfeita. “Cuca, você vai ser aprovada, não importa se com louvor, com louvor e distinção, ou com louvor e distinção e indicação para publicação. Pro currículo isso não vale nada. E anote tudo, não fuja das perguntas. A qualificação é pior”. Grandes dicas, me senti melhor por segundos.
3. Du, a segunda conversa: “é só ritual, não é? Fica fria, vai dar tudo certo”
4. César, a terceira: “Todo mundo sabe que é tranqüilo a defesa, que é só um ritual. Menos o cara que faz”. Falou e disse.
5. Do Francisquinho, ao telefone, recém disparando sua eloqüência: “Oi Cuca”. “Que barulho faz o pato, Francisco?” “Au Au”, ele responde. “Então conta pra Cuca ver”, peço. “Um, cato, cinco, sete, deiz”. Quero ter o sem medo de falar dele."Um meijo", mandou ele. que lindo.

Estou eu e uma garrafa de vinho. Sono garantido e inspiração de última hora, porque ainda dá tempo de escrever uma defesa contundente, para uma dissertação nem tanto.

Não importa. Amanhã a esta hora estarei feliz!

PS : Pintei as unhas de vermelho para inspirar confiança, e não roer.

14 de setembro de 2005

Cratera no estômago

A defesa foi marcada, e no mesmo segundo uma cratera foi aberta no meu estômago. Maldito ácido corrosivo.

Medo pânico de defender o que escrevi, que nem sei se concordo mais, já passou muito tempo. Não gostei de tanta coisa ali! Insegurança intelectual que não passou nestes três anos e uma dissertação depois.

Desta forma peço a meus amigos que não venham para a defesa. Não me levem a mal, mas não quero público neste momento que considero difícil pra caramba. Nem mesmo público amigo que tenho certeza que qualquer problema ia me apoiar até o fim, dizendo que a banca é cretina, ou mesmo usando de violência para fazê-los assinar o formulário que me dirá: mestre.

Sobre a jornada de festas comemorativas ainda nem consegui pensar direito. Mas tenho certeza, e essa sim poderia defender com unhas e dentes em frente a uma banca, de que quero todos nas festas, longínquos ou presentes. Começa na sexta dia 30, não sei quando vai parar...

8 de setembro de 2005

que não tem fim

“ Eu vou te dar um prato de flores
e no seu ventre vou fazer o meu jardim
que não tem fim
que não tem fim”

Continuo o esforço pela diversificação das paixões. Livros, outras pessoas amigas, trabalhinhos, planos para outro blog, risadas, bebedeiras, comidas. Os dois últimos, além da conta.

Visitei meus cachorros ontem, eles estão lindos e felizes. A baleia uma senhora respeitável, com cataratas e dentes poídos. A zaza gorda e meiga e brava como sempre. A chica também gorda mas bem musculosa, com as berebas usuais, uivando lindinha como sempre. O bê feliz e trouxa. A capitu, minúscula. Fiquei feliz que até vim fedendo cachorro pra casa, de saudade daquela muafa que só a matilha inteira sabe cultivar, por mais banhos que tomem.

No mais, comi ameixinha do pé, visitei cachoeira na chuva, espantei gambá da lareira, tomei vinho e esquentei o pé gelado nos pés do moço que foi comigo. Coisa quente que é isso tudo, apesar do frio do feriado de pátria independente.

Estou apaixonada também pelo site na orelha, músicas + entrevistas, tudo super moderno, mas aconchegante que nem conversa de bar. Fica aqui também a paixão pela Nação, só que a Zumbi, que canta com voz de poço fundo, a letra linda com que começo este pouste.

Pensei numa porrada de coisas nesta semana, nos encontros do findi passado, nas conversas com os amigos de sempre ou ausentes há algum tempo. Sempre amigos queridos. As idéias abaixo, que serão medidas provisórias para quando o socialismo chegar, não são necessariamente minhas. Mas são idéias que só uma mesa de bar pode criar. Só consigo me lembrar de algumas, mas se lembrarem de mais aproveitem para me telefonar pra matar todas as saudades (no plural)

1. Toda quarta feira deveria ser feriado

2. A seleção brasileira deveria fazer espetáculos públicos mensais, em todos os estados, gratuitos. E não cobrando 300 pilas naquela fétida capital federal.

3. O minhocão deveria ser derrubado em uma fúria coletiva

4. A careca do josé serra deveria ser anunciada como espaço publicitário

5. Todo bar deveria ter computador com internet de grátis, se quiser ter máquinas caça-níqueis

23 de agosto de 2005

Política das múltiplas paixões

Alerta: estou piegas!

Acordei sábado no meio da noite, olhei pro meu lado e vi que estava completamente apaixonada. Perdida mesmo, fodida, amarrada, desesperada, ansiosa, feliz.
Minha mente de fortes tendências objetivo-sintéticas tenta dar conta de entender o que se passa, de prever o que vai se passar comigo. Descobri que eu tenho medo mesmo é de odiar, e não de amar. No fundo é a mesma coisa, mas muito pior.
Elaboro então estratégias, com a ajuda de meus amigos, das velas que acendo, dos livros de amor que eu leio. Estratégias pra não odiar, que tratem ao mesmo tempo de não me deixar viver seca como eu estava há um tempo, ou morrer afogada.
A mais recente delas é a das múltiplas paixões, sentenciada sem querer por um amigo urbanista. Aproveitar essa coisa energética bem estranha que é a paixão e disseminar para todos os lados. Ou nadar, trabalhar, andar, estudar, ler, ouvir música, escrever, sonhar. O que nunca fazer com esta mesma energia: esperar um telefonema, comer, fumar, beber, unhas, pinça.
Os livros de amor também ajudam muito. O último foi Mar me quer, do Mia Couto. Historia bonita, da qual anotei esta sabedoria aí abaixo, que me lembra que cair de cabeça é a única maneira de viver porque essa coisa de futuro é uma criação dos cientistas norte-americanos.

“Futuro é uma coisa que existindo, nunca chega a haver”

18 de agosto de 2005

Um cachorro muito amigo meu

Há alguns dias foi morto um cachorro amigo meu. Amigo nosso, na verdade. Na galera todo mundo se olha e lembra: você soube do Jagunço?

Falei com o dono dele ontem, pessoa que guardo em lugares estranhíssimos, como ali em baixo da escrivaninha junto daquela foto. Esta foto nem sei bem quando eu fotografei, lá no chão da cozinha de uma casa que nem existe mais, o dono e o cão em uma foto simétrica, um deitado no colo do outro, cabelo, pêlo, barba, tudo misturado e amigo. Tirei a foto de debaixo da escrivaninha, tentei deixar lá mesmo o dono, e coloquei no mural.

Falei com o dono ontem que me contou história tão triste que tem lágrima encravada no meu olho até agora. Jagunço morre de bala, né Cuca? Não! Volta pra cá, vem beber, vem conversar, vamos brindar o cachorro que morreu.

Tão melancólico este cachorro, ele chorava de amor, lembra? Ele brincava com as cachorras crianças, ele atendia o assobio, ele uivava tão fácil, ele tinha barba, ele andava sem coleira, ele era briguento, ele tinha pêlo duro, ele fazia trilha e nadava no mar.

16 de agosto de 2005

Corra pra casa...

Tem dias que você tem que correr pra casa, trancar portas e janelas, acender uma vela, se embrulhar no lençol. Se esconder, medo.

Ontem começou bem com uma segunda qualquer, descambou depois do meio dia. Apesar que de manhã encontrei uma bereba em cima da minha cicatriz novinha! É micose, disse a fisioterapeuta.

Logo depois minha adorável chefe deu indiretas de que havia descoberto que eu ando fazendo duas horas de almoço, essa vida de bater ponto me irrita. Sim, eu fujo pra musculação numa hora de almoço prolongada.

Logo depois derrubei meu celular dentro d´água. Tudo no mesmo dia. Chorei, liguei pro moço e chorei de raiva. Que merda de dia. Vou correr pra casa, estou com medo, nada mais horrível...

No fim do dia me contam que o Jagunço foi morto. Morreu com um tiro. Morreu o Jagunço.

4 de agosto de 2005

Por que eu saí do orkut?

Uma amiga foi a primeira a notar, outros amigos vieram na seqüência. Perguntaram o porquê.

Quem me conhece sabe, sou uma pessoa bem chegada a uma maneira de raciocinar próxima a chamada pelos incrédulos de “teoria da conspiração”. Outros mais atentos diriam que é “visão de futuro”, outros mais técnicos, “paranóia”. Eu digo, no mínimo, “desconfiança”.

Existe uma balbúrdia criada em cima desta “comunidade de relacionamentos” principalmente pela Folha que me incomoda. A impressão que me dá é que os jornalistas perdem todo aquele tempo de sobra fuçando em suas páginas no orkut cada um com seus 500 amigos e/ou fãs.

Nos últimos meses o orkut foi notícia de diversas formas. Até mesmo as mais ridículas, tipo “orkut fica fora do ar por quatro horas”, ou, “internautas reclamam do sumiço de comunidades”. É o tipo de pauta de quem está por dentro do negócio.

Fora isso, o inegável formato de páginas policiais. “Me diga”, sem nenhum sopapo, “do que você gosta e com quem você anda”. Ninguém é capaz de negar a incrível visibilidade que as vidas podem tomar na comunidade mundial que ganhou recente tradução para o português.

O que a gente duvida, ainda, é da repressão.

Até o momento alguns episódios envolvendo repressão ocorreram, e foram denunciados ou trazidos a publico pela mesma Folha. Uma delas apavorando um moleque dono da comunidade odeio pretos! Aplausos. Outro dia, porém, foi desvendada a quadrilha de moleques vendendo ecstasy, a comunidade viva crack e ou viva o pó. Crime: à princípio, apologia as drogas. Leizinha mais mal definida que pode até cair sobre aquele camelô vendendo a camiseta com o símbolo da adidas transformado na folhinha de cinco pontas. Tá bom, tinha até endereço de emeio para o envio por sedex dos comprimidos. Quem descobriu e denunciou?

Agora imaginem aquela comunidade dos sonhos, “cortemos a cabeça do mainardi”. Crime? Ameaça? Eu ainda não penso no horror, se tudo der errado mesmo...

Mas, o pior é tentar sair. Num surto eu me desconectei. Esqueci de tirar a fotos, as comunidades, os amigos, mudar pro Zimbábue e me chamar Zuleika. Meu nome e emeio continuam lá. E se procurar bem o nome e o emeio das pessoas que você convidou, mesmo as que não quiseram entrar por diversos motivos, também estão lá.

Ou seja, não tem como sair... Respondido?

3 de agosto de 2005

Chega de não saber

É isso, esta manhã, ou ontem à noite, resolvi que tenho que tentar parar de achar que esta merda toda não está acontecendo. Eu nunca estive tão alienada politicamente, eu nunca fugi tanto do Jornal Nacional, nunca despistei as conversas de família com um lamentável abanar de cabeça: da esquerda para a direita.
Que merda está acontecendo?
Fique com medo de me sentir uma malufista. Porque se o Lula sobreviver eu vou votar nele na próxima eleição, se ainda houver reeleição. Mas, com que argumentos? Aquele mesmo do clássico eleitor do Maluf?

. De que ponto é justificável entrar no jogo político tão de cabeça, e ainda racha-la?
. Filosoficamente, como pensaremos isso no futuro? Governo Lula e a publicidade...
. Até onde a campanha contrária da mídia podia causar esta cobertura tão espetaculosa, à ponto de, que nem em jogo de futebol, as pessoas estarem vendo, no bar, o companheiro dirceu depor na televisão?

Prometi a leitura diária do caderno Brasil, mesmo que a Folha fale contra. Alguém me proponha matérias, reportagens, orações ou sei lá o quê, que possa me ajudar a entender, ou não acreditar, no que está acontecendo.
Pelamor!

1 de agosto de 2005

Meu dia começou cansado...

Assim começou mais esse dia de segunda feira. Que foi salvo, pela manhã, pela história que meu primo escreveu, e que ele me deu ontem pra ler, que eu li hoje de manhã em um dia que começou antigo e cansado.

E a história começa assim: Meu dia começou cansado...

Começou cansado porque eu, há cinco horas atrás, estava em um bar, embriagada, no final do domingo santo. Estava com a pessoa por quem estou apaixonada, pelo menos quatro dias por semana. Fazendo aquele esforço pra conhecer mesmo a pessoa por quem você está apaixonada eu disse: eu tenho ânsia de te ver. Pra ver se ele não chega mais atrasado e me beija com a boca de feijão/paixão/tesão/ ou estas coisas que só o Chico sabe rimar. As ressacas são imorais, e eu nem seu porque eu me senti mal hoje pela manhã. Deve ser porque eu estou cansada.

Começou antigo também meu dia, com uma velha sensação de ter perdido o trem, de não ter planejado a semana nos segundos que antecedem o sono do domingo. Coisa importante estes segundos, pra fazer acreditar que nesta semana algo de muito legal vai acontecer, ou eu vou fazer algo de muito legal. E não que eu vou chegar no trabalho e os computadores todos alinhados me falarão, bom dia! ótima semana! e com voz metálica.... que cara de ressaca é esta?
Acordei com saudades também, porque quando a gente bebe muito: alguma coisa vai embora, ou foge, ou se esconde. E parece que a comunicação fica meu cheia de chiados, que nem tv antiga. No fundo é por não lembrar tudo que disse, e lembrar ainda que eu disse que tenho ânsia (da ansiedade mesmo), é que fiquei com vergonha do meu computador nesta manhã. Acho que ainda estou bêbada, não liguem pra estas conversas nonsenses.

16 de julho de 2005

Medo de quê?

Grupos de crianças vem visitar a folha, normalmente de classe média-alta. Quando entendem como funciona um jornal, piram nos computadores e nas fotos do Harry Potter cadastradas num arquivo digital.

Dias atrás chegaram as crianças de um projeto educacional da favela Zaki Narchi. Tinham menos de sete anos de idade, mas entendiam muito mais de medo do que qualquer pessoa.

O rapaz começou a exposição como todos os dias. Perguntou do Harry Potter, um levantou a mão. Lembrou-se então de perguntar se alguém já tinha visto um computador, um levantou a mão. Explicou que aquilo se chamava mouse, que era rato em inglês. A menininha levantou a mão e perguntou se ele corria quando tentavam matar ele. Começou então algum diálogo.

Enquanto isso, estou lendo o jornal numa mesa bem perto. Os três menininhos do fundão, de mãos no bolso e indiferença de adolescente se aproximam de mim. Um deles aponta para uma foto de pneus em chamas, protesto pela morte da mãe e dois filhos em Diadema por um policial militar. Ele indica com o dedo, bem devagar e diz “Cingapura.”. “Onde você mora?”, pergunto. “Cingapura, da Zaki Narchi” “Teve briga lá esses dias não? Alguém se machucou?” Ele aponta com o mesmo dedinho o olho. “Um menino, levou um tiro aqui.” Fico muda e desconverso, peço pra eles prestarem atenção no rapaz que está explicando

“O que vocês querem ver?” o rapaz pergunta. “Zaki Narchi!”, eles gritam empolgadíssimos. As fotos digitais com esta palavra-chave trazem incêndios, enchentes e a mais recente reintegração de posse violentíssima. “Olha, o Buiú!!”, todo mundo grita junto, encontrando um sentido, reconhecendo lugares e pessoas nas fotografias. “Cadê a foto do menino do tiro?” “Eu joguei pedra na polícia!” “Se quiserem quebrar minha casa, eu arrebento”. Isso tudo foi dito ao mesmo tempo.

“Vamos ver uma coisa mais feliz? E agora, o que vocês querem ver?” se esforça o rapaz.

“O Chucky!”

7 de julho de 2005

Mais uma do Largo de Santa Cecília

Além do Samba da Santa, às sextas-feiras, existem neste universo paralelo do centro de São Paulo duas festas de forró.
No sábado e no domingo rolam bailinhos (é bailinhos) com o melhor do forró. To sabendo tudo quase de cor, porque dá pra ouvir muito melhor de longe, ou seja, de dentro da minha cama.

A música top hits é aquela, que reproduzo a letra, mas o ritmo, que é o melhor, eu não consigo....

“CORAÇÃO
PARA QUÊ SE APAIXONOU
POR ALGUÉM QUE NUNCA TE AMOU
ALGUÉM QUE NUNCA VAI TE AMAR
EU VOU FAZER PROMESSAS PARA NUNCA MAIS AMARALGUÉM QUE SÓ QUIS ME VÊ SOFRER
ALGUÉM QUE SÓ QUIS ME VÊ CHORAR PRECISO SAIR DESSA DESSA DE ME APAIXONAR POR QUEM SÓ QUE ME FAZER SOFRER POR QUEM SÓ QUE ME FAZER CHORAR “

Só pra informar, a quem interessar possa,meu coração vai bem.

6 de julho de 2005

Váááááárias do dia de hoje

Vááááárias coisas pra comentar, outras eu nem comento. Pra facilitar a atualização do querido leitor vou escrever em itens; minha cabeça ta desorganizada, minha vida está corridíssima, mas eu gosto mesmo disso.

1. Depois de 3 anos, 170 páginas, 48 notas de rodapé, 45 livros na bibliografia, 1 viagem, 1 cirurgia, 3 amores, 3 casas, 4.219 crises, 2 semanas de insônia, 9 fitas de vídeo com imagens gravadas, 5 fitas com entrevistas, 7 versões quase finais, 8 cópias encadernadas em espiral, 2 ônibus até a usp, 1 assinatura, EU VOU DEPOSITAR NA SEXTA-FEIRA. Sem mais.

2. Constatei hoje: como pude viver tantos anos sem a voz da Na Ozzetti? Estou obcecadamente ouvindo na amiga rádio uol a música que diz coisas tão bonitas, ( mesmo que não tenha sido ela quem escreveu, quem “diz” é ela)

“De um lado vem você com seu jeitinho

Hábil, hábil, hábil

E pronto!

Me conquista com seu dom”
(...)
“Um método de agir que é tão astuto

Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo

É só se entregar, é não resistir, é capitular”
(...)
“No site o seu poder provoca o ócio, o ócio

Um passo para o vício, o vício

É só navegar, é só te seguir, e então naufragar”

Acho que deu pra entender, então, sem mais.

3. O que não deveria comentar...
trecho da reportagem sobre o São Paulo Fashion Week na Folhasp, por Erika Palomino despejando tudo o que entende do mundo da moda. Me impressiona a capacidade de teorizar sobre a futilidade...

“Dando prosseguimento a seu novo espírito romântico e lúdico, Herchcovitch mostrou praticamente um passeio na floresta, com decoração de acrílico no contra-luz dos janelões da Bienal: unicórnios, cavalos-marinhos, cogumelos, corações e flores”

Até tem mais, mas estou com preguiça.

19 de junho de 2005

Heranças que queremos ter

Tudo isso é porque não consigo parar de pensar que o José Serra que cercar a Praça da República. Com grades.

Queria muito conversar com meus amigos urbanistas sobre isso, propor ações de boicote ou mesmo ação direta efetiva e violenta.

Tudo isso faz parte daquela mesma visão higienista de revitalização do centro. Andréa Matarazzo, o subsecretário da Sé, afirmou em uma entrevista para uma revista judaica, que os problemas do centro de São Paulo são os moradores de rua e os ambulantes. E para tirar cada vez mais estas vidas que matam o centro, na visão deles, a Sé será reformada, e os canteiros retirados, para dar mais segurança e não possibilitar nenhum lugar para dormir aos que não tem casa, ou como voltar pra ela.

Da mesma forma uma revitalização silenciosa ocorre em todas as marquises, muretas, beirais das lojas, bancos. Morando aqui eu acompanho o processo de colocação de espetos, cacos de vidro ou até lindos vasos de concreto com árvores em lugares que antes ofereciam um pequeno teto pra alguém dormir, sentar ou descansar. Não há quase mais lugares pra se sentar no centro.
Agora de volta as praças. Heranças de lugares tão antigos quanto os homens...lugar de troca e comércio. Lugar de descanso, de conversas. Vazias e limpas, cercadas por grades verdes (ou azuis e amarelas), a Praça da República não será mais lugar de passagem, não terá mais bancos, será proibido o comércio, o lugar mais morto do centro de São Paulo.

10 de junho de 2005

O que alimenta

Vocês devem ter percebido a dificuldade em atualizar essa coisa, mesmo passando o dia inteiro na frente do computador. Está meio atrasado, queria ter tempo de contar grandes coisas, mas na verdade, elas não aconteceram.

Estou com vidinha rotineira. Indo trabalhar as 8 da manhã, pra poder sair ainda com a luz do sol. Não saí a semana inteira, trabalhei nos projetos em casa, corrigi os erros de português da dissertação, fui no correio mandar cartas, fui na reunião com orientadora, fiz sopa de legumes pra jantar melhor.

Tudo isso até ontem. Vim no debate sobre Reforma Agrária aqui na Folhasp e encontrei amigos de surpresa; logo fugimos do debate ruim, corremos pro largo e em volta de mesinhas de ferro nos sentimos muito melhor. Tomando muitas cervejas, muitos cigarros, trocamos planos para o futuro, combinamos de mudar o mundo, de tocar projetos, de trabalhar levando em frente alguns sonhos, atualizamos as vidas. De manhã, com aquele sono pra levantar, de novo as 7:00, lembrei que os amigos alimentam mais que sopa saudável!

PS1: Novidadíssima! Tive alta na fisioterapia. Agora é RPG e musculação, que na verdade não estou com o mínimo saco pra fazer. Mas, farei.
PS2: Entre trancos e desencontros sigo com um caso de amor. Está ficando até bonito, com direito a sentir saudades! Pelo menos até o final de semana passado.

1 de junho de 2005

Sabedoria Alcione

“Este amor, me envenena. Mas todo amor sempre vale a pena”

Estou tentando tornar esta música um hino com A sabedoria para encarar os relacionamentos humanos. Sabe, daquelas de caderninho adolescente, “quem nunca sofreu por amor, nunca amou!”

“Desfalecer de prazer, morrer de dor
Tanto faz, eu quero mais amor”

Fora que a marrom cantando me dá uma saudade dos velhos tempos, saudades de karaokê, saudades até...de viver quase morrendo de amor. Mentira...disso eu morro de medo.

Estou um pouco constrangida de contar os últimos episódios do caso anterior, fiquei com vergonha da internet e de quem quer que possa estar lendo este blog adolescente, que não sejam vocês.

Só sei que rolou mais um episódio...e conversando com minha amiga Aline, ela me lembrou deste dito popular, desta sabedoria velha, deste clichê, desta máxima, deste ditado, desta expressão, desta maneira de encarara vida. Não que eu consiga, mas vou tentar lembrar dela quando, na minha cabeça, só vierem ideologias neoliberais ou comodistas (vide post anterior)

“Quem não viu e nem provou
Não viveu, nunca amou
Se a vida curta e o mundo é pequeno
Vou vivendo morrendo de amor
AHHHHH! Gostoso Veneno”

24 de maio de 2005

Vai passar! Tá passando!

Eu não me agüento de bode. Imagino vocês...não devem agüentar também. Está melhorando a sensação de vazio, de paqueras, de amores. Está passando a vontade de entender o que acontece nos relacionamentos humanos, o que passa na minha cabeça, na dele, na de Santo Antônio. Cansei de forçar o futuro a fazer o que eu quero.

Alguns dizem que isso é errado. Corra atrás do que você quer; quem quer, consegue; lute por seus objetivos; vá atraz do que quer...e inúmeras outras variações do mesmo tema. Eu acho que isso deve estar intimamente ligado a ideologia neoliberal, a qual desprezo. Então, não corro porra nenhuma.

Outros dizem que isso é certo. O que tem que ser, será; Se é seu, vai embora e volta; Se quiser alguma coisa, deixe que ela virá. Isso também deve estar ligado a um entendimento místico do destino divino, caminhos traçados, karmas, etc..., os quais tento desprezar. Então, também não espero porra nehuma.

Enquanto decido entre ideologias, sabedorias populares e conselhos...trabalho e durmo, não na mesma proporção.

22 de maio de 2005

Cansei

Estou sentindo um cansaço que quase cheira a desânimo. Ainda não recebi resposta da orientadora, estou com a dissertação em suspenso. E também o trabalho não está muito estimulante; na verdade essas 8 horas estão me matando.

Ontem, antes de ir pro casamento, bocejava tanto que saía lágrima do meu olho, deixando aquele rastro na minha maquiagem improvisada. Também fui no cabeleireiro, cortei o cabelo e ela me fez um penteado horrível, e ainda colocou um troço que deixava o cabelo duro. Como era muito cedo ainda, resolvi dormir um pouco pra ver se o penteado melhorava; qualquer coisa eu tomaria um banho, lavaria a cabeça e começaria tudo de novo.

O penteado me pareceu melhor depois do sono e fui assim mesmo. A festa tava boa, tomei visqui que acabou cedo, comi docinhos inimagináveis, coisas boas. Dancei é na sola da bota, i feel good, poeira, e outras top hits anima casório conseqüência: explodi meu pé...e só fui perceber hoje de manhã.

A noiva estava bonita, fiz pedido na igreja nova, correu uma lágrima quando vi a avó dela chorando, não peguei o buquê, teve chuva de pétalas em cima dos noivos (caindo do teto da igreja) na hora da troca de alianças, vi tios de faz tempo e meus primos de toda hora...(se não fossem eles casamentos em família não teria graça nenhuma.) E também fiquei com pena da dama de honra, que entrou sozinha e meio tensa, nesse ensaio de casamento em que se forçam as meninas crianças à uma prévia do que um dia vai ser o dela; e no fundo, no fundo elas ainda têm que garantir a honra da noiva...ainda bem que ninguém perguntou nada pra ela!

Hoje já dormi à tarde e não vejo a hora de dormir de novo. A semana não está muito animadora, trabalho na sexta-feira. Os dias estão meio vazios de coisas e repletos de trabalho.

Acho que ainda estou triste com o último caso que não rolou.

Acho que preciso comprar uma lã pra fazer crochê, assim esperar dias mais animadores fica mais fácil.

18 de maio de 2005

Com tempero de salsa (inha)

No pienses...que voy a pelear por el
Ni sueñes... que voy a luchar por el

Yo te lo regalo
Llévatelo lejos
Eres mala suerte
Y yo no lo quiero

Mi mayor venganza será...serááááá...
que te quedes con el
Mi mayor venganza será...serááááá...
que el pasar de los años
Tu descubra su engaño
Y como una alma en pena. vivas al fin
Moribunda de amor!
Moribunda de amor!
Mientras yo me río!

Olha que música excelente para dor de cotovelo! Eu falo, a salsa sempre diz o que eu sinto, mesmo que esse não seja exatamente o meu caso.

Moribunda de amor...é excelente!

16 de maio de 2005

Mais um post musical!

Dedicado a minha amiga Bia, que pediu esclarecimentos sobre os últimos acontecimentos.
*
Aconteceu que eu comecei a ficar frustrada, com raiva, de não receber um telefonema esperado.

Estava parecendo um pouco incoerente com os momentos juntos, as palavras trocadas, tudo intenso, íntimo, legal, apaixonante, sexual ao extremo, fofo, lindo, grande, químico, “ te ligo”, “vamos viajar em julho”, “guarda aí que isso é nosso”.

De qualquer forma, eu estava tomando um puta cuidado pra não parecer colona, pra não ficar ligando, pra não ficar no pé. Das POUCAS vezes que eu liguei, brilhou um aviso de néon sobre minha cabeça: medo!

Então, no auge da histeria, no meio de um fim de semana e pra botar ponto final em uma história, apaguei o telefone celular dele do meu telefone celular. E não gravei o número na minha memória. Tudo isso nada foi mais do que uma estratégia xiita de me proibir de ligar pro cara, de qualquer jeito. Se não sabe se controlar, fica sem!

E também pra me enganar que ele ia me telefonar em breve, assim eu teria o telefone dele de novo.

Até hoje, estou esperando!
Quando eu digo que eu só me fodo, vocês não acreditam!

MAS,
E só pra lembrar, mais uma da Ceumar (porque eu to rimante!)
“Tudo que se acende, se apaga
Fósforo se apaga, vela, incêndio, lamparina
O olho da menina, até o seu.
Tudo pode se acabar, tudo pode se apagar
E virar lixo!”

Considerações:
1. O cara já largou faz tempo a adolescência (faz tempo mesmo).
2. Ele não precisa de papinhos pra me levar pra cama porque eu to facinha.
3. E pra eu não acha-lo um canalha – porque não dá pra eu ficar achando canalhas em todas as pessoas com quem eu fico – resolvi tentar não fazer mais esforço pra entender
4. E se é coisa que eu não entendo, preferi apagar o incêndio.
5. Estou meio triste com isso.

12 de maio de 2005

sequer um par pra dividir!

Por isso deixo aqui meu endereço
Se você me procurar, eu apareço
Se você me encontrar, te reconheço!

Pode parecer conversa ...mas apaguei o telefone do moço do meu celular. Todos os vestígios, das chamadas ligadas e recebidas. Tinha lágrima que nem saía do meu olho, um pouco com raiva de não saber lidar com situações de incerteza. É isso, nada mais aconteceu! Nada de errado aconteceu! É só eu que não sei lidar com a incerteza do passar do tempo. E já estou ficando monotemática!

Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando pó ali, por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem

Não vem.... Há 15 dias atrás, combinamos de sair e esperei 4 horas por ele. Não vem...mas acabou vindo. Bêbado, feliz, foi ótimo! E me disse que era embananado, eternamente atrasado, confuso, enrolado! Acreditei e desanimei! Cada um pode com a força que tem!

11 de maio de 2005

Bem cansada!

Estou vivendo as 24 horas do dia, como dizem os otimistas. Deito, levanto cedo, escrevo, vou pra fisio, nadar, escrevo, vou trabalhar, escrevo, durmo. Tenho umas olheiras até o meio do rosto, mas estou bem. Bem cansada!

7 de maio de 2005

Mulher independente procura...

Muito me achando independente, estou sábado à noite solitária, decidia a não ligar, terminando a dissertação, de banho tomado, janta feita, cozinha arrumada. À tarde, fiz compras de comidas e trouxe um vinho pra casa, imaginando uma noite de luxúria com o Word aberto na página 102.

Muito me achando independente, tirei a casquinha da garrafa e enfiei o saca-rolhas. E a garrafa não abria de jeito nenhum. Tentei puxar, empurrar, nada. Apelei para o porteiro já com alguma vergonha.

Atrás do balcão estava a Lucy, a porteira mulher que causa algum espanto nos que vem me visitar. Muito simpática, tentou puxar a rolha. Rimos com vergonha, “tem que ser força de homem”. Respondi, “segura aí que eu puxo”. Nem se mexeu a rolha.

Muito independente que sou saí na rua disposta a achar um homem. A Lucy observando da porta, meio risonha, meio incentivando. Eu manquitola e segurando a garrafa com um saca-rolha enfiado, era uma ceninha! Olhei pro lado e vi um casal empolgado se beijando e abraçando. Pensei duas vezes em pegar emprestado o homem dos outros.

Atravessei a rua e fui até o ponto de táxi. “O senhor poderia me fazer um favor?” Mostrei a garrafa e ele entendeu, prontamente vestiu a beca de cavalheirismo e pop, abriu a garrafa com um puxãozinho. Estou mortificada porque esqueci de lhe oferecer um gole.

Voltei pro prédio, deixei um golão com a Lucy em um copinho improvisado. Rimos uma pra outra, como mulheres independentes que somos.

PS: Lembrei de um caso engraçado. Aprendi a dirigir com a primeira instrutora mulher de auto-escola do Estado de São Paulo. Dona Aparecida (acho) devia ter, em 1995, uns 70 anos. Me lembro que quase caí de costas quando a vi sair do carro, dizendo que ia me ensinar a guiar. Foi uma ótima professora, me deu toda calma pra perder o medo. Eu acho que deveria ser proibido aos homens ensinar a dirigir.

2 de maio de 2005

Mano Velho!

Ai! Saudade de vocês.
Meu computador estava no conserto, por isso estive muda por uns dias. Dias alucinantes, eu diria!

Nem dá pra contar tudo agora, só sinopses.
1. O primeiro depois eu conto.
2. Estou vivendo um complexo e tórrido caso com um homem de 40 anos
3. Tenho que terminar a primeira versão da dissertação em 15 dias.
4. Tenho que depositar em 15 de junho.
5. Meu computador ainda não foi consertado direito, ele tem crises em momentos cruciais.
6. Estou faltando na natação pra caramba.
7. Não estou faltando na Fisioterapia.
8. Meu pé está ótimo
9. Parei um pouco de neurar com o sítio.
10. Estou bem.


No telefone
Em conversa com o Eder, mano velho, falávamos de outro mano velho:
_ E aí, Edinho. Está melhor na sua vida amorosa?
_ Estou ótimo. Nada como um dia depois do outro.
_ Ah, o velho truque do dia depois do outro!!
_ E tem outro, Cuca?
_ Não, o único truque do dia depois do outro.

Tá faltando só correr macio...

27 de abril de 2005

Pãts, hoje foi o grande dia. Voltei a andar de tênis, tirei a bota, comeceu a pisar que nem gente, e nem doeu.

Estava bebendo com a Aline até agora, foi ótimo. Meus amigos me alimentam, é foda!

Queridíssima Cris, o nível de histeria já baixou, mas eu fiquei com preguiça de mudar os templates. Com internet via telefone, é bem dif´cicil. Agora to azul, calminha! Mas, com saudades...

25 de abril de 2005

Liguei, ligou

Passei o dia mal humorada. Na maior correria...Fui tirar o 66º raio X do meu pé. Estou colocando até avental de chumbo, ta ficando perigosa a exposição à radiação e eu estou quase brilhando no escuro. Fui no médico decidida a estressar se não tirassem a bota do meu pé. Atenção, eu estou na 16º semana, acreditem!

Está bem, eles tiraram, mas colocaram uma tornolezerinha pra não ficar totalmente solto. Compro amanhã.

Enquanto isso, a angústia sobre o meninão tinha passado um pouco. Ele encontrou a Ju, que obeviamente me contou, que esteve suuuupppeeer doente todos os dias, sinusite, sem conseguir falar, remédios, reação ao remédio, hospital. Tadinho, deu até pena e vontade de cuidar com sopa e chazinho (Pára, meu!)

Decidida a não ligar estava eu. Até que as seis e meia da tarde esqueci da decisão e liguei. Óbvio que deu caixa postal de novo. Estava super mal humorada, com o Fabi tomando cervejas no Largo da Santa, quando ele me ligou.

Eu sou tão tosca, fiquei derretida, comecei a sorrir. O Fabi, que me conhece, ria pelo estômago dizendo, “É claro que você está mal humorada por causa de dinheiro!”. Odeio quem me conhece de verdade!

Daí, ele disse a coisa fofa que me garante a semana. “Estava precisando de você pra me curar!”. Eu pensei: “Porque não me ligou, merda!”. E falei: “ Puts, eu fui viajar pra Itu!”
Combinamos de sair esta semana, depois que ele parar de tomar antibichóticos. Isso é na quinta-feira. Não marcamos hora, nem dia, nem nada. Começou o segundo capítulo da novela.

Me agüentem, por favor!

PS: nada contra ficar solteira, mas no fundo acho que meus gens tem desejos de reproduzir e tal. Desculpinha biológica!

23 de abril de 2005

Domingo 23

Domingo 23. Domingo 23 é dia de Jorge. Dia de Jorge.

Eita feriado comprido.
Ta valendo pelo dia do enforcado. Teve um churrasco com meus melhores amigos do colegial, fotos, piadas, lembranças, bebedeiras. Pelas fotos, melhorei muito nos últimos dez anos (porque vcs nunca me avisaram que aquele cabelão era horrível!?). Vários meninos pioraram muito, todos uns 20 kg mais gordos. Foi bom, saí vêvada, torta, mas feliz.
Vai valer também pelo amanhã, aniversário do meu irmão que vai fazer um quarto de século. A idade chega pra todo mundo!

Também nesse meio fui pro sítio, estava com muita saudade e com muito medo. Foi bom, está tudo tranqüilo, os cachorros berebentos e felizes como sempre. Jogamos baralho, bebemos uma cerrejinha, conversamos sobre o que fazer. Parece que algo foi resolvido, até a manhã seguinte quando minha mãe voltou a plantar ipês pelo sítio. Quase não tem mais lugar vago pra árvores, em toda aquela terra! Sem querer ouvimos ontem à noite várias vezes a música do Jorge da Capadócia quase que pedindo proteção e sem saber que hoje é o dia dele. “Para que meus inimigos tenham olhos, e não me vejam!”

E hoje estou em Itu, sem nenhum amigo pra beber uma cerveja. É foda, estou precisando conversar, contar minhas últimas papagaiadas, declarar pra alguém que eu nasci mesmo pra ser solteira, pela mais simples asserção de que EU NÃO SEI ME RELACIONAR”. Me incomoda esperar outras pessoas fazerem coisas que não estão sobre meu controle. E, ridículo, eu sei. Qualquer amigo que estivesse falando comigo nesta cerveja ia me mandar tomar no cu (o espaço do comentário é pra isso, fiquem à vontade). Eu sei, nem deu tempo pra acontecer nada ainda, mas pra quem tem o segundo, a hora como referência, uma semana pode parecer um século. Vão-se minhas unhas (roídas) e ficam os dedos. Sou ansiosa patológica (podem concordar nos comentários) e acho que ainda não aprendi aquele tão falado "tempo das coisas". A Fernanda Porto, numa entrevista, diz que tem que ler o Eclesiastes (é isso?), onde ela se inspirou pra fazer uma música que eu nunca ouvi, mas que passou na teve da fisioterapia no mesmo dia do mural das borboletas. Era algo como o tempo de viver, de morrer, de esperar e de arregaçar!!?

Eu não sei esperar, não sem meu crochê!

PS: entrei no orkut numa comunidade NÃO SEI NAMORAR
PS2: Vocês acreditam que uma mulher me escreveu perguntando da comunidade do Ernani Moraes. Não somos as únicas, hahahahahaha!
PS3: Tábom, é domingo 24. Mas a música diz isso e eu complemento: NÃO SEI ESPERAR!
PS4: Não precisa me mandar tomar no cú, era brincadeira!

20 de abril de 2005

No mural da fisioterapia

Em frente a bicicleta ergométrica existe um mural
No mural estão as fotos dos atletas que foram curados naquele lugar
No meio das fotos há um papel com uma mensagem, que só dá pra ler um pedacinho.
O pedacinho dizia...

" Não corra atrás das borboletas. Cuide do seu jardim que elas vêm até você"

Piegas, não

19 de abril de 2005

Sabedoria Leminski

Vocês devem ter notado a overdose de Paulo Leminski nos posts dos últimos dias. É, estou adorando o livro que comprei faz tempo e que agora me caiu no colo. Naquele esquema de usar que nem bíblia (pensa numa coisa e abre o livro), encontrei respostas que enm o oráculo Conceição me deram.

1. Sobre aquela minha teoria de ficar parada:

Alguém parado é sempre suspeito
De trazer como eu trago
Um susto preso no peito,
Um prazo, um prazer, um estrago
Um de qualquer jeito
Sujeito a ser tragado
Pelo primeiro que passar

Parar dá azar

2. Sobre o amor, posts antigos e estas coisas

essa vida que eu quero, querida
encostar na minha tua ferida

OU

AMOR BASTANTE
Quando eu vi você
Tive uma idéia brilhante
Foi como se eu olhasse
De dentro de um diamante
E meu olho ganhasse
Mil faces num só instante

Basta um instante
E você tem amor bastante

0:03

Meia noite e três minutos ele me ligou. Chegou cansado, me disse que eu acabei com ele ! (hã?!) e que capotou quando chegou do zoológico. Viu meu recado agora, me ligou, fui meio seca como manda o protocolo. Vou dormir feliz e triste, com vontade de chorar.

18 de abril de 2005

Só pra lembrar

One is the loneliest number that you ever do
(...)
One is a number divided by two
(...)
Two can be as bad as one, it´s the loneliest number since the number one"

Bolo de

" Tão doce, tão cedo, tão já
Tudo de novo vira começo"
Do leminski

A decepção é sempre maior do que a expectativa. Mesmo se a expectativa for pequena, quase nula. Expectativa daquelas relutantes em fugir das inúmeras vozes que sussurram no ouvido, que te dizem “não espera muito”, “ é só mais um”, “imagine”.

Vivi grandes momentos neste final de semana, com aquele que se convencionou chamar por Ernani Moraes, grande, mais velho. Achei que ele não era de brincadeira. Por odiar joguinhos de poder achei que estes passavam com correr da idade. Depois DELE fazer insinuações de programinhas pelo próximo mês, comer ali, ir acolá, etcétera. Falei, vamos.

Domingo à noite ele relutou em ir embora da minha cama, da minha casa. “O que você vai fazer amanhã?” Respondi “Médico, fisioterapia, estudar”. Ele disse “Vou no zoológico com as crianças (em tempo, ele é professor), volto as cinco, nos vemos?”

Saí do médico às 5:30. Liguei, ninguém atendeu no celular. (Pensei, estranho, não deve poder atender o celular no meio do passeio)
Liguei de novo as 5:45., Não atendeu de novo. (Pensei, o trânsito deve ter atrasado o passeio)
Esperei até as 6 da tarde no buteco da Capote Valente. Meio sofrendo, meio pensando. Liguei as 6:00. Ninguém atendeu, deixei recado já com uma faixa escrito “Ridícula” pendurada sobre minha cabeça.

Às 6:05 liguei pra Ju, que como uma boa amiga, é crucial em momentos de crise e tensão. Ela me contou um par de notícias boas, conversamos um pouco pra enrolar e ela me ajudou a estipular um teto para a espera. Às 6:35 começaria a caminhar para o ponto de ônibus. Ta bom, beijo, beijo, tchau, valeu!

Desligo o orelhão e olho pra trás no buteco. Vejo uma amiga das antigas. Oi, tudo bem, senta aí. Foi ótimo, tomei cerveja, adiei a noite perdida em esperas. Enquanto conversávamos sobre as últimas, não conseguia deixar de pensar no bolo que eu havia tomado. Estas hipóteses rolaram na minha cabeça e como todos os meus leitores são amigos, resolvi contá-las. Desta vez espero mesmo que haja uma votação, porque meus amigos raramente comentam sobre meus casos amorosos neste blog.

Hipóteses para o bolo
1. Todo mundo viu, menos eu que estava fora de casa, a manchete do Jornal Nacional. “Tragédia no Zoológico: Lontras em fúria atacam estudantes”. É óbvio que ele nem pode me ligar porque estava no hospital, se justificando para pais e mestres e diretores o ataque justificado ao moleque de classe média que atirou uma bombinha no laguinho das lontras. Lontra é um bicho bravo. Eu apoio ela.

2. “Ônibus de estudantes é assaltado na Avenida do Estado. Professor tem seu celular roubado” Claro, com meu telefone na agenda, ele está na delegacia esperando o BO. Não conseguiu achar meu telefone com ninguém.

3. (......) Hipótese que nem pros melhores amigos eu conto.

4. A mais plausível: Ele esqueceu!

13 de abril de 2005

Jornadas à pé I

“Quem chega tarde/Deve andar devagar/Andar como quem parte/Para nenhum lugar
Vida que me venta/Sina que me brisa/Só te inventa/Quem te precisa”
Do Leminski


Passando o entusiasmo de aniversário, estou precisando contar pra vocês um pouco do meu cotidiano aqui na metrópole. Não está fácil! Mas quem disse que ia ser fácil. Eu queria que fosse difícil mesmo. Só pra lembrar, uma advertência aos leitores:

ISSO NÃO É RECLAMAÇÃO!

Estou bem feliz de por estar aqui. Até o barulho tão barulhento do meu largo me fazia falta. Esse rugido 24 horas de São Paulo está ninando o meu sono, na minha cama grande e vazia.

Estou numa puta dureza. Estas linhas tortas do destino me pregaram uma peça boa. Três quartos da bolsa pagam fisioterapia e remédios. O resto é pra comer, fumar, beber e ir. Estou comendo toda a dispensa da casa, macarrões, sopas Maggi obscuras que meu tio comprou, comida congelada há tempos. A pergunta é, vale a pena?

Vale primeiro pelo moral das tropas. Estava começando a ficar triste em Itu. Depois eu cansei de ser cuidada em demasia, minha mãe indo trabalhar de ônibus pra ter carro pra me levar nas coisas, meu irmão de motorista o dia inteiro. Achei melhor eu fazer esse esforcinho de me cuidar sozinha.

A rotina é acordar, fazer café. Dá um trampo porque aquela corridinha na cozinha pra por a água pra ferver dá um puta trabalho. Arrumo a mala e natação. O SESC é bem perto, mais ou menos quatro quadras. Só que as calçadas da minha rua são de alta velocidade, rota para o metrô e o hospital, e de repente eu me vejo ultrapassada por velhinhas com bengala, gente arrebentada. Todos mais rápido que eu. Hoje cronometrei, 30 minutos pra andar estas quatro quadras. Depois de nadar, mais trinta pra voltar. Daí, preciso de duas horas deitada com o pé pra cima pra tirar o peso e a dor do pé.

Nas terças e quintas é a fisioterapia. A Clínica é na Capote Valente e o ônibus passa aqui bem perto. É divertido parar o ônibus com a bengala. Subir, se equilibrar, pagar, sentar bem perto da porta pra fatídica hora de descer. Tudo calmo, mais três quadras de caminhada. O ônibus para na Rebouças na altura da Oscar Freire. Atravesso na faixa, desvio dos buracos quase tapados das calçadas da Marta. Chego suando na clínica, com ar condicionado. Saio de lá com frio, mas levitando depois de todos os aparelhos contra a dor que eles colocam no pé. Ando até a Cardeal, outro ônibus, mais duas quadras à pé até minha casa. Mais umas horas de descanso.

Ontem fui visitar o Fabi, que mora bem perto. Mais meia hora de caminhada pela São João. Tomamos cervejinha e ele me trouxe até o Largo. Até cansou de andar na minha velocidade.

De tarde eu estudo, escrevo, penso, mando currículos pela internet, fumo muitos cigarros, escuto música, deito na rede, ligo pra alguém.

De noite igual.

12 de abril de 2005

Jimis entusiasmado na metrópole

O domingo à noite, final do dia do meu aniversário, tinha tudo pra ser mais um domingo à noite, mais um final de dia de aniversário. Um dia melancólico porque foi o dia que eu cheguei, depois de três meses ausente, de volta a minha casinha. Já passei por isso, cinco anos atrás. Voltei num domingo à noite, sem ser meu aniversário, pra São Paulo, depois de um tempo em Itu acidentada. Sozinha, passei a noite tentando me localizar na minha vida, revendo caixinhas, cadernos e memórias.

Desta vez foi diferente. Fui retirada do buracão melancólico que estava prestes a me meter (rede pendurada, tango na vitrola) pelo telefonema surpresa do meu amigo James. “Vamos tomar? Que bom que você topou.” Pensou ele e eu.

O James como um bom urbanista que é logo percebeu o potencial deste fantástico calçadão espremido entre a igreja e o buteco Birinight´s. Somente a Santa Cecília mesmo pra ser conivente com o espaço de luxúria e samba bem ao lado de sua casa. Mas dizem mesmo que essa santa é a padroeira dos boêmios. Santo lugar.

Conversamos muito sobre a cidade, com crianças correndo, penduradas nas pernas, uns bebês no carrinho, gente conversando, noite calorenta. “Vamos mais uma? Claro. Ainda é cedo.”

Nos meios da conversa aparece um cara oferecendo “Cigarrinhos da Paz”. Entre os dedos, dez tubinhos brancos, bem bolados, suspeitíssimos. Logo o dispensei com a prática usual do “hoje não”. James como um bom urbanista que é se perguntou e logo perguntou pra ele. Enquanto eles conversam, vou descrever o cara.

À princípio, muito próximo de um hippielandia da praça da República. Calça jeans suja, regata, um dente e meio na frente onde deveria haver dois, cabelo e barbas extremamente arrepiados (barbeludo), dente de algum bicho como brinco na orelha, boné camuflado do exército, muitas pulseiras, colares.

Escuto a conversa de novo. “ Esse é cigarro é uma mistura de ervas, tem camomila, sálvia...” “É, muito cheiroso, vou levar um”. “Mas tem também?” “ Tem, só dez porcento, eu coloco quantidade igual de todas as ervas”

Agora vem o que pode ser considerado um passa moleque para alguns, ou o melhor da história para outros. “Histórias que só São Paulo traz pra você!” Ele diz que se quiser mais, é só procurar o Cigano. Sim, ele é Cigano, os pais fugiram da Espanha, no porão do navio, ele com dois anos, no perrengue. Ele se afastou da família, dos costumes, mas fala a língua (Dá exemplo falando algum dialeto que pode ser a língua do pê ou língua cigana mesmo). Diz que nasceu branco por engano, é de família morena, por isso, seu nome é Luar. Hippie, né? Não, cigano.

Tratei de esconder o suspeito na bolsa, caríssimo, inflacionado. Vamos fumar em casa. A sexta cerveja, dois chocolates, dois maços e o cigarrinho da paz depois terminamos a noite com o James equilibrado em cima de um banquinho, em cima da minha cama, trocando a lâmpada do meu quarto como um bom urbanista que é. Isso com pressa pra não perder o último metrô. Depois, claro, de intensas confidências causadas, com certeza, pelos chocolates.

Que bom o entusiasmo do James.!

6 de abril de 2005

Ciclos

Parece mesmo que a vida humana, mais ancestral, é marcada pelos ciclos. A racionalista é que é linear, progresso, sucesso, idade, hora, dia, ano. A gente vive mesmo no acorda, come, dorme, vê novela, alguns trepam. Nasce o sol e depois a noite chega, não vem falhando há alguns anos.

Por exemplo, acabo de chegar ao fim do meu ciclo menstrual. Sem surpresas de ter sido interrompido por uma fecundação, sem grandes atrasos ou angústias. Só tive que correr (com muletas), para comprar ob antes de ir nadar. Incômodos. Lembrei que eu parei de nadar quando tinha 12 anos e fiquei menstruada pela primeira vez. Meu técnico militar não entendia que eu tinha que faltar uma semana nos treinos, as meninas mais velhas não entendiam como eu não acreditava nelas de que na água não descia e eu não entendia mesmo como eu ia lidar com aquela sanguera uma vez por mês por muito tempo. Parei de nadar, fui jogar vôlei. O ciclo fechou outro dia quando voltei a nadar e minha professora/personal é uma dessas minhas amigas mais velhas da natação. Contei pra ela meus motivos ridículos de ter largado os treinos. Ela conta que também sofria. Hoje ela é campeã, com 31 anos.


Outro ciclo que considero importante é o do Ano Novo. Tenho até inferno astral enquanto eu não garanto um lugar com pessoas muito legais pra ir, meninos pra xavecar, bebidas pra beber.

O mais importante é o do meu aniversário. Que está chegando e eu estou ansiosa pra não dormir numa noite de bebedeira e amizade, como sempre. Espero a presença dos meus amigos pra gente comemorar, 28 anos.

Tem também aquele tal do ciclo de Saturno, a virada. Não sei muito bem, mas me disseram que é dos 28 aos 30 anos que mudanças acontecem. Estou esperando tudo de bom.

Tem também o ciclope e a ciclovia

PS: Muito boa a temporada em Campinas, muito bom o encontro com as amigas e amigos de muito, muito bom o encontro incidental com o meu Marco Ricca.

28 de março de 2005

Com os burros n’água

Hoje comecei a nadar. Me rendi as evidências de que talvez eu leve algum tempo pra sair desta cidade. Resolvi nadar pra acelerar as coisas já meio lentas.
Percebi que eu vou começar a andar na mesma época de que andei quando foi o acidente, poucos dias antes do meu aniversário.
Aliás, estou pensando em fazer uma festinha em São Paulo, ainda não sei onde. Queria que todos vocês viessem.Fora isso, mestrado, fisioterapia. Estou de saco cheio, deve ser mesmo o inferno astral. Pelo menos acabou a quaresma!

25 de março de 2005

Sabedoria Caetano

“Circuladô de fulo ao deus ao demo dará
que deus te guie porque eu não posso guia
e viva quem já me deu e ainda quem falta me dá.”



Estou afastando, certeira, minha ladeira de autocomiseração. As vezes até peço, agora que sou mística, pra que tudo de certo: os empregos dos que precisam, as ameaças de agressão, as trapaças da cabeça, as enganações do coração. Certa disso estou sentada na frente do rio esperando a corrente certa pra começar a nadar..

Também afasto, certeira, a tendência a acreditar no buraco escuro e fantasmagórico em que às vezes se encerra todo mundo, ou melhor, se encerro eu. Parece que está todo mundo, mas está só eu mês, sozinha. Afasto a tendência de não enxergar.

“...que no fim eu acerto que no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim me reservo e se verá que estou certo e se verá e se que tem jeito e se verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem faz cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre que me ensinou já não dá ensinamento.”

Tem um monte de pergunta que eu faço as vezes, que nem hoje. Está parando de doer coisas tão antigas quanto eu. Estou quase sem medo de ficar e esperar.

E se der nervoso e faltar poesia, é só lembrar do nham nham nham nham nham

A Conceição
Pra quem ainda não ficou sabendo, me falou coisas tão certeiras que dá até vergonha de dizer. Eu sou tão criança que não consigo esperar, calma que ele vem, não é nada do que você está pensando, pára com isso, escute o que sopram no seu ouvido, vai dar certo! Em síntese, e eu agora acendo velas.

E domingo acaba a quaresma. Os mortos perambulam, tudo de ruim ta solto, as galinhas não botam ovos. E eu vou de novo no Estouro de Judas, pra ver garantirem a vitória do menos mal.

23 de março de 2005

Bota Extra!

Ganhei mais quinze dias de bota. Extra! Não tem nada de errado com minha perna, só muita dor, por isso, temos que esperar. Ainda bem que eu perdi o emprego.

Nesses dias estarei fantasiada daquela doutora do Plantão Médico, que anda manquitolando com uma muleta só pelo hospital. Lindo papel.

Estou esperando as novas linhas do Senhor, que dizem ser bem tortas mas certeiras.

22 de março de 2005

Meio Explicado

Eu estou meio apaixonada por um cara meio parecido com o Marco Ricca. Vocês acham que eu ia gostar de um cara que casou com a Luana Piovani, mesmo em filme? Vou contar a história.

Tudo começou naquela viagem pra Parati. Ele estava lá com uma namorada e com aquela galera de Campinas amigos do Du ique. Depois fomos pro Sono e ele foi também. Ficava na rede, fumando o dia inteiro, meio quieto. Na época, até doeu! Ta bom, mais um campineiro, mais um engenheiro. Naqueles tempos eu namorava o Moises, estava louco pelo dono do cachorro que vivia em casa e fiquei temporariamente louca por esse italiano. Ele tem algo de Marco Ricca, tem o meu tamanho, um olho parecido, um nariz meio grego meio italiano, é sério, charmoso, interessante, trabalha com vídeo, febem, ongs.. Pra engenheiro, saiu pela esquerda!

No ano seguinte encontrei com ele em uma festa do Maionese, no Riviera meio vazio. Conversei muitas horas seguidas com ele...nem lembro o que.

Agora, logo que entrei na festa do Lu a gente começou a conversar, horas seguidas. Lembrei que eu gostava dele. Falamos de trabalho (ele me deu a notícia do Ministério na Folhasp), de tatuagem, de música, de dança de salão, de misticismo, de religião, de cigarros, de casas, do centro, intercalados com umas voltinhas pela festa. Às vezes eu chegava pra conversar, as vezes ele. Daí...nada aconteceu. Separei um pedaço da capa de um talão de cheques, dou meu telefone ou não. Não encontrei caneta, não dei. Só ganhei um abraço meio demorado e meio tímido mas bem apertado. Fui embora sem contato, só descobri que mora meio vizinho, que nada no mesmo lugar que eu (que bom motivo para praticar esportes). Nem sei se o nome pelo qual eu o conheço é sobrenome ou apelido. Fui procurar no Google (não riam) e não encontrei nada. Espero não demorar mais dois anos pra vê-lo e descobrir o que foi aquilo.

Me deu uma crise de mel na festa. Até o guey (aquele que eu costumava paquerar), ficou me olhando horas. Pedi até pra Ju confirmar, pra ver se eu não estava delirando. Tinha também um louco com zóio estatelado me seguindo e tentando se meter nas conversas com o rapaz e no final um amigo bem interessante do Lu (meio Ernani Moraes) veio meio que me convidar pra ir num super show, mas eu não podia com a perna machucada. Uma explicação deste mel, eu acho, tem a ver com aquele Crash (estranhos prazeres). Homem não resiste a uma mulher de perna quebrada?! Hahaha
A Ju me xingou de lerda, de pior que ela. Mas não tava no clima de estrupo, e eu sou tímida. O que vocês acham? Só não vale dizer aquilo que eu já sei: que eu adoro um amor inventado!

21 de março de 2005

Sem bico

É isso, o Ministério do Trabalho e o Sindicato dos Jornalistas vieram me ajudar a garantir meus direitos trabalhistas...e eu rodei. Perdi eu bico na Folhasp. Me sentin naqueles caminhões de bóias frias, que o Ministério ajuda a ficar sem dinheiro quando exige carteira assinada e manda todos os caras de volta pra casa. É bonito de ver!

Tem algumas vantagens, por exemplo brincar de estudante nesses meses cruciais. A desvantagem é dinheiro mesmo, pra pagar tudo que eu devo e vou dever com fisioterapia e outras terapias e remédios. Os oitocentinhos ao vai dar. Também não dá pra arranjar um novo trampo de muleta. É, to fuds por enquanto. Mas estou bem.

Pelo menos me livro a sensação que eu tive, por umas três semanas...Acordei todas as manhãs pensando que minha defesa era hoje e eu não tinha terminado a dissertação. Gostoso, né?

Fora isso, to apaixonada pelo Marco Ricca...depois eu conto os detalhes!

15 de março de 2005

Final feliz!

· Descobri que eu gosto muito de filmes que terminam com todo mundo dançando no final. Hoje foi a exibição anual do Dirty Dancing, e descobri, de novo, que esse filme é muito legal, que o Patrique Chueize é muito sexy, assim como a rumba. Eu já falei pra vocês que assim que meu pé consertar eu vou fazer dança de salão?
· Falando em pé, há poucos minutos dei meus primeiros passos sem a muleta. Foi lindo, doeu um ínfimo do que da outra vez. Na verdade foi fácil, vai ser fácil. Amanhã eu vou pra Sampaulo e andando.
· A reforma da frente de casa, para quem está acompanhando, parou perto do fim. Começou a chover e tivemos que parar. Já fiz um vasinho de pátina para ornar com as paredes novas e farei um número de mosaico (dois, com o da Ritz, que ainda não comecei).
· Quem me conhece pode achar esquisitíssimo, mas eu estou órfã da Nazaré. Achei o fim terem matado ela, que não vai ter chance de voltar “a la Dona Armênia”. Eles podiam ter dado um final meio Jason pra ela, não? Com uma mãozinha saindo da água, agarrando nas pedras. Fora que da 21 as 22 eu não tenho o que fazer, por isso vim escrever. Não dá pra agüentar clima festa de peão, com barulhinhos do Pantanal do Monjardim e mais a Débora Secco balançando a cabeça. Pra piorar, essa história de América é maior furada, vai ser uma cretinice só. Briguei com a TV de novo...e estou feliz.
· Procurando sarna pra me coçar, hoje também fui fuçar nas roupas da minha avó para possíveis reformas. Achei uma saia linda, com aquela cinturinha de vespa, vou mandar reformar pra mim. Conheci a Dona Júlia, costureira profissional e velhinha fofa que vai ter que topar ser minha avó nas horas vagas.
· A festa de sábado também vai ser ótima, três festas unificadas, uma big balada. Vamos aparecer? Parece que vai ter bundalelê!
· Tomara que acabe em bailinho sem escândalo, todo mundo feliz agarradinho, bejano e dançando que nem no filme da sessão da tarde.

4 de março de 2005

Mi casa, su casa!

Agora aqui em minha casa estamos vivendo num eterno episódio do People and Arts. aquele da reforminha.
Resolvemos, em família, reformar a frente da casa.
Quase sem dinheiro no bolso e com muito tempo e energia de sobra, compramos apetrechos e tintas para raspar, lixar, pintar o portão e as paredes.
Alguem já raspou um portão? É serviço de condenada a perpétua...ótimo pra passar o tempo e se enganar não pensando em estudar.
Especializei-me no tratamento de rodapés. Trabalho, só sentada.

PS: A Cris vai embora...não!
PS2: Bia, me conta !

2 de março de 2005

Desconexão

Comecei este post faz uma semana. Ele começou a ser escrito em itens, para facilitar a leitura de tantas coisas desconexas, mas acho que em letra corrida a coisa fica mais confusa, mais ao gosto desta que te escreve.

Coloquei uma música agora, uma salsa, e já consigo me imaginar girando no salão nos braços de algum guapo, a rodar tão bem como se tivesse asas nos pés. Sim, meu pé está melhor, mas não pra tanto. Obrigada pelos comentários amigos e saudosos. Estou tentando escrever, disputo espaço com o marasmo ocupado em que me encontro e com meu irmão que joga o dia inteiro nesta máquina de entretenimento. Quando sobra um tempo, eu já estou vendo a Nazaré, depois um filminho, depois meu último volume do Tempo e o Vento e depois sono. De manhã fisio, terapia, algum passeio, almoço, crochê, às vezes dois parágrafos na introdução da tese, crochê, jornal da Band, jornal Nacional, e voltamos a Nazaré. Anda sendo quase isso, todos os dias, de tédio eu não estou morrendo...morro é de inanição de amigos, todo mundo sumiu do Messenger, o computador de três companheiros queimou. Se bem que neste sábado tive ilustres visitas, até participei de um jornal muito legal à distância, o grupo nosotr@s publicamos nosso primeiro zine, com textos e desenhos inspirados e saiu! Puta merda, como eu fico feliz quando a gente consegue construir coisas juntos. Tem também coisas que eu to pensando que eu nem sei direito, mas acho que eu não estou pensando porque senão eu lembraria...ou não, meu caderninho está sempre longe e quando eu percebo, não anotei a idéia e ela já foi...com o próximo ponto do crochê..
Aliás, profundíssimas minhas reflexões sobre o crochê. Porque será que é uma arte feminina? Pode ser porque está relacionado com a arte de esperar, feminina há séculos? Porque tecer crochê dá uma sensação de paz igual a rezar? Ou porque tecer crochê é igual a querer dar sentido pras coisas. Olha só: a vida, o tempo é um fio. Se você pega isso e consegue fazer um desenho, uma ordenação qualquer, o traçado de enrosco nos pontos isso vira quase tudo. Vira até história. A temporada por enquanto contabiliza um tapete, uma toalhinha de bandeja, um xale e um cachecol. Minha avó ficaria contente com tamanha demonstração de dotes que nunca exibi. Aí eu me desculpo com ela perguntando quem vai tecer e costurar as coisas lindas que eu quero? Quem?
Aliás, acumula-se uma pergunta. Quem fudeu com o requeijão? Bem, tenho que ir, um guapo acaba de me chamar pra dançar.

"Tula está encendida llama a los bomberos!
Tu eres candela ¡afina los cueros!
El cuarto de Tula, le cogió candela.
Se quedó dormida y no apagó la vela."

22 de fevereiro de 2005

De volta ao croche

Nem to conseguindo escrever...entrei na fase crise com o blog?

14 de fevereiro de 2005

10 dias

O puto do meu médico disse mais 10 dias sem pisar, to mal humorada, irritada, decepcionada.
Voltei pra casa do mesmo jeito que fui, com a bota a muleta e calos nas duas mãos agora.

8 de fevereiro de 2005

O que tem que ser, tem força

Encontrei o épico do Érico Veríssimo nesta temporada de repousos forçados. O Tempo e o Vento...tem sete volumes e já estou no quarto. Voltemeia alguém diz o velho ditado,dessa maneira bem gaúcha.

Digo isso porque depois da visita desenvolvi uma puta dor de cabeça, devo ter tomado muito café...ou era só o sintoma dos pensamentos se reagrupando, a cabeça funcionando em estado de emergência...os neuroninhos anárquicos tentando dar conta de tudo ao mesmo tempo. Apaguei a luz e repousei a cabeça. E o ditado veio...
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Na hora, a oposição é que fez sentido, porque o que não tem que ser, não acontece nem na porrada. Contrariando o que eu pensava de mim mesma, o que meus amigos pensavam, descobri que não sou eu necessariamente que fecho as portas. Eu estou com a porta e a janela aberta, mas não é todo mundo que pode passar por ela.

E o melhor...depois de meia hora pensando, descobri que não há problema nenhum nisso. Eu sei tudo o que eu quero, e não vou abrir mão de ter uma paixão ou duas ou três, desde que seja paixão. Nenhum pingo a menos.

E pra estar com uma pessoa só por estar, eu não faço isso desde 1945. Aliás, acho que nunca estive. Não dá. E não tem porque insistir em uma história só porque ela é uma história.

Somos historiadores, a gente sabe disso...que história é qualquer coisa que a gente vive. E que apesar do Fukuyama, ela segue existindo até nesse momentinho ridículo em que tento prende-la num documento para dar notícias a meus amigos e a mim mesma.

De qualquer maneira, a roda do destino deu mais uma giradinha, e passemos pro capítulo seguinte...

5 de fevereiro de 2005

Só mais um pouco

Gelo, pêssegos, homeopatias e necrose.
Não nessa ordem ou tudo ao mesmo tempo.
Depois de algumas notinhas no blog, resolvi tentar publicar algo decente. Mas, não ando conseguindo pensar nada com coerência, introdução, desenvolvimento e conclusão, portanto exponho aí abaixo o mosaico de pensamento desconexos dos últimos dias...

1. Vou acabar, pela primeira vez na vida, um potinho com bolinhas de homeopatia. Tomarei 60 dias, e já está quase no fim. O remédio serve a cicatrização e etecéteras. Alguém já tentou se matar com homeopatia? Eu já, mas é melhor comer um suflair!

2. Comecei a fisioterapia hoje. Dois rapazes simpáticos, doces, suaves, delicados e profissionais vão mexer no meu pé pelas próximas semanas. Eles ajoelham no chão, massageiam o pé, e melhor, vão bota-lo pra funcionar. Meus dias de princesa apenas começaram...

3. Labirintos da memória. Comendo uma ameixa, nesses últimos dias, lembrei de que descobri o beijo na boca com uma caixa de pêssegos, no banco de trás do carro, na Anchieta parada pelo congestionamento de ano novo. Devia ter uns doze anos, e aquela fruta doce, que eu devorei uma a uma quase morrendo, foi pra mim meu namorinho de descer a serra. Sabedoria Wando!

4. Voltando a fisioterapia que foi hoje, nada com ter essa suavidade profissional pra poder fazer um pé recém operado voltar a mexer, e te convencer a ficar 20 minutos com dois sacos gigantes de gelo amarrados no pé, e perguntar se ta doendo senão ele tira. É claro que está doendo, mas pode deixar! O velho truque!

5. Hoje tomei um puta escorregão de muleta. A Márcia, a nova faxineira aqui de casa, resolveu lavar o tapete da sala, encerar o chão. Daí, a coisa muito limpa ficou danosa. Escorreguei e apoiei o pé no chão com tudo. E não doeu, só meu coração que eu quase vomitei de susto. Por isso que eu to apostando no milagre da medicina. Daqui a cinco dias vou tirar um raio-x e meu tornozelo vai ter um calo ósseo tão grande que eles já vão me deixar pisar, mesmo que com meia carga. To batendo apostas com a minha mãe, um real, quem vai?

6. Também fui no médico hoje (quanto agito) e ao abrir a minha cicatriz, já sem pontos, ele descobriu um pequeno ponto de infecção. Ele disse ser superficial, só na pele, o ferimento ta fechado. “É um risco que se corre em uma pele fragilizada por inúmeras cirurgias: a necrose”. Pânico, perguntei: “Fer, o que vc entende por necrose? Pra mim é apodrecimento!” “Não”, ele disse, “é morte da pele. É esperado”. Antibiótico, só mais um pouco.