28 de março de 2005

Com os burros n’água

Hoje comecei a nadar. Me rendi as evidências de que talvez eu leve algum tempo pra sair desta cidade. Resolvi nadar pra acelerar as coisas já meio lentas.
Percebi que eu vou começar a andar na mesma época de que andei quando foi o acidente, poucos dias antes do meu aniversário.
Aliás, estou pensando em fazer uma festinha em São Paulo, ainda não sei onde. Queria que todos vocês viessem.Fora isso, mestrado, fisioterapia. Estou de saco cheio, deve ser mesmo o inferno astral. Pelo menos acabou a quaresma!

25 de março de 2005

Sabedoria Caetano

“Circuladô de fulo ao deus ao demo dará
que deus te guie porque eu não posso guia
e viva quem já me deu e ainda quem falta me dá.”



Estou afastando, certeira, minha ladeira de autocomiseração. As vezes até peço, agora que sou mística, pra que tudo de certo: os empregos dos que precisam, as ameaças de agressão, as trapaças da cabeça, as enganações do coração. Certa disso estou sentada na frente do rio esperando a corrente certa pra começar a nadar..

Também afasto, certeira, a tendência a acreditar no buraco escuro e fantasmagórico em que às vezes se encerra todo mundo, ou melhor, se encerro eu. Parece que está todo mundo, mas está só eu mês, sozinha. Afasto a tendência de não enxergar.

“...que no fim eu acerto que no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim me reservo e se verá que estou certo e se verá e se que tem jeito e se verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem faz cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre que me ensinou já não dá ensinamento.”

Tem um monte de pergunta que eu faço as vezes, que nem hoje. Está parando de doer coisas tão antigas quanto eu. Estou quase sem medo de ficar e esperar.

E se der nervoso e faltar poesia, é só lembrar do nham nham nham nham nham

A Conceição
Pra quem ainda não ficou sabendo, me falou coisas tão certeiras que dá até vergonha de dizer. Eu sou tão criança que não consigo esperar, calma que ele vem, não é nada do que você está pensando, pára com isso, escute o que sopram no seu ouvido, vai dar certo! Em síntese, e eu agora acendo velas.

E domingo acaba a quaresma. Os mortos perambulam, tudo de ruim ta solto, as galinhas não botam ovos. E eu vou de novo no Estouro de Judas, pra ver garantirem a vitória do menos mal.

23 de março de 2005

Bota Extra!

Ganhei mais quinze dias de bota. Extra! Não tem nada de errado com minha perna, só muita dor, por isso, temos que esperar. Ainda bem que eu perdi o emprego.

Nesses dias estarei fantasiada daquela doutora do Plantão Médico, que anda manquitolando com uma muleta só pelo hospital. Lindo papel.

Estou esperando as novas linhas do Senhor, que dizem ser bem tortas mas certeiras.

22 de março de 2005

Meio Explicado

Eu estou meio apaixonada por um cara meio parecido com o Marco Ricca. Vocês acham que eu ia gostar de um cara que casou com a Luana Piovani, mesmo em filme? Vou contar a história.

Tudo começou naquela viagem pra Parati. Ele estava lá com uma namorada e com aquela galera de Campinas amigos do Du ique. Depois fomos pro Sono e ele foi também. Ficava na rede, fumando o dia inteiro, meio quieto. Na época, até doeu! Ta bom, mais um campineiro, mais um engenheiro. Naqueles tempos eu namorava o Moises, estava louco pelo dono do cachorro que vivia em casa e fiquei temporariamente louca por esse italiano. Ele tem algo de Marco Ricca, tem o meu tamanho, um olho parecido, um nariz meio grego meio italiano, é sério, charmoso, interessante, trabalha com vídeo, febem, ongs.. Pra engenheiro, saiu pela esquerda!

No ano seguinte encontrei com ele em uma festa do Maionese, no Riviera meio vazio. Conversei muitas horas seguidas com ele...nem lembro o que.

Agora, logo que entrei na festa do Lu a gente começou a conversar, horas seguidas. Lembrei que eu gostava dele. Falamos de trabalho (ele me deu a notícia do Ministério na Folhasp), de tatuagem, de música, de dança de salão, de misticismo, de religião, de cigarros, de casas, do centro, intercalados com umas voltinhas pela festa. Às vezes eu chegava pra conversar, as vezes ele. Daí...nada aconteceu. Separei um pedaço da capa de um talão de cheques, dou meu telefone ou não. Não encontrei caneta, não dei. Só ganhei um abraço meio demorado e meio tímido mas bem apertado. Fui embora sem contato, só descobri que mora meio vizinho, que nada no mesmo lugar que eu (que bom motivo para praticar esportes). Nem sei se o nome pelo qual eu o conheço é sobrenome ou apelido. Fui procurar no Google (não riam) e não encontrei nada. Espero não demorar mais dois anos pra vê-lo e descobrir o que foi aquilo.

Me deu uma crise de mel na festa. Até o guey (aquele que eu costumava paquerar), ficou me olhando horas. Pedi até pra Ju confirmar, pra ver se eu não estava delirando. Tinha também um louco com zóio estatelado me seguindo e tentando se meter nas conversas com o rapaz e no final um amigo bem interessante do Lu (meio Ernani Moraes) veio meio que me convidar pra ir num super show, mas eu não podia com a perna machucada. Uma explicação deste mel, eu acho, tem a ver com aquele Crash (estranhos prazeres). Homem não resiste a uma mulher de perna quebrada?! Hahaha
A Ju me xingou de lerda, de pior que ela. Mas não tava no clima de estrupo, e eu sou tímida. O que vocês acham? Só não vale dizer aquilo que eu já sei: que eu adoro um amor inventado!

21 de março de 2005

Sem bico

É isso, o Ministério do Trabalho e o Sindicato dos Jornalistas vieram me ajudar a garantir meus direitos trabalhistas...e eu rodei. Perdi eu bico na Folhasp. Me sentin naqueles caminhões de bóias frias, que o Ministério ajuda a ficar sem dinheiro quando exige carteira assinada e manda todos os caras de volta pra casa. É bonito de ver!

Tem algumas vantagens, por exemplo brincar de estudante nesses meses cruciais. A desvantagem é dinheiro mesmo, pra pagar tudo que eu devo e vou dever com fisioterapia e outras terapias e remédios. Os oitocentinhos ao vai dar. Também não dá pra arranjar um novo trampo de muleta. É, to fuds por enquanto. Mas estou bem.

Pelo menos me livro a sensação que eu tive, por umas três semanas...Acordei todas as manhãs pensando que minha defesa era hoje e eu não tinha terminado a dissertação. Gostoso, né?

Fora isso, to apaixonada pelo Marco Ricca...depois eu conto os detalhes!

15 de março de 2005

Final feliz!

· Descobri que eu gosto muito de filmes que terminam com todo mundo dançando no final. Hoje foi a exibição anual do Dirty Dancing, e descobri, de novo, que esse filme é muito legal, que o Patrique Chueize é muito sexy, assim como a rumba. Eu já falei pra vocês que assim que meu pé consertar eu vou fazer dança de salão?
· Falando em pé, há poucos minutos dei meus primeiros passos sem a muleta. Foi lindo, doeu um ínfimo do que da outra vez. Na verdade foi fácil, vai ser fácil. Amanhã eu vou pra Sampaulo e andando.
· A reforma da frente de casa, para quem está acompanhando, parou perto do fim. Começou a chover e tivemos que parar. Já fiz um vasinho de pátina para ornar com as paredes novas e farei um número de mosaico (dois, com o da Ritz, que ainda não comecei).
· Quem me conhece pode achar esquisitíssimo, mas eu estou órfã da Nazaré. Achei o fim terem matado ela, que não vai ter chance de voltar “a la Dona Armênia”. Eles podiam ter dado um final meio Jason pra ela, não? Com uma mãozinha saindo da água, agarrando nas pedras. Fora que da 21 as 22 eu não tenho o que fazer, por isso vim escrever. Não dá pra agüentar clima festa de peão, com barulhinhos do Pantanal do Monjardim e mais a Débora Secco balançando a cabeça. Pra piorar, essa história de América é maior furada, vai ser uma cretinice só. Briguei com a TV de novo...e estou feliz.
· Procurando sarna pra me coçar, hoje também fui fuçar nas roupas da minha avó para possíveis reformas. Achei uma saia linda, com aquela cinturinha de vespa, vou mandar reformar pra mim. Conheci a Dona Júlia, costureira profissional e velhinha fofa que vai ter que topar ser minha avó nas horas vagas.
· A festa de sábado também vai ser ótima, três festas unificadas, uma big balada. Vamos aparecer? Parece que vai ter bundalelê!
· Tomara que acabe em bailinho sem escândalo, todo mundo feliz agarradinho, bejano e dançando que nem no filme da sessão da tarde.

4 de março de 2005

Mi casa, su casa!

Agora aqui em minha casa estamos vivendo num eterno episódio do People and Arts. aquele da reforminha.
Resolvemos, em família, reformar a frente da casa.
Quase sem dinheiro no bolso e com muito tempo e energia de sobra, compramos apetrechos e tintas para raspar, lixar, pintar o portão e as paredes.
Alguem já raspou um portão? É serviço de condenada a perpétua...ótimo pra passar o tempo e se enganar não pensando em estudar.
Especializei-me no tratamento de rodapés. Trabalho, só sentada.

PS: A Cris vai embora...não!
PS2: Bia, me conta !

2 de março de 2005

Desconexão

Comecei este post faz uma semana. Ele começou a ser escrito em itens, para facilitar a leitura de tantas coisas desconexas, mas acho que em letra corrida a coisa fica mais confusa, mais ao gosto desta que te escreve.

Coloquei uma música agora, uma salsa, e já consigo me imaginar girando no salão nos braços de algum guapo, a rodar tão bem como se tivesse asas nos pés. Sim, meu pé está melhor, mas não pra tanto. Obrigada pelos comentários amigos e saudosos. Estou tentando escrever, disputo espaço com o marasmo ocupado em que me encontro e com meu irmão que joga o dia inteiro nesta máquina de entretenimento. Quando sobra um tempo, eu já estou vendo a Nazaré, depois um filminho, depois meu último volume do Tempo e o Vento e depois sono. De manhã fisio, terapia, algum passeio, almoço, crochê, às vezes dois parágrafos na introdução da tese, crochê, jornal da Band, jornal Nacional, e voltamos a Nazaré. Anda sendo quase isso, todos os dias, de tédio eu não estou morrendo...morro é de inanição de amigos, todo mundo sumiu do Messenger, o computador de três companheiros queimou. Se bem que neste sábado tive ilustres visitas, até participei de um jornal muito legal à distância, o grupo nosotr@s publicamos nosso primeiro zine, com textos e desenhos inspirados e saiu! Puta merda, como eu fico feliz quando a gente consegue construir coisas juntos. Tem também coisas que eu to pensando que eu nem sei direito, mas acho que eu não estou pensando porque senão eu lembraria...ou não, meu caderninho está sempre longe e quando eu percebo, não anotei a idéia e ela já foi...com o próximo ponto do crochê..
Aliás, profundíssimas minhas reflexões sobre o crochê. Porque será que é uma arte feminina? Pode ser porque está relacionado com a arte de esperar, feminina há séculos? Porque tecer crochê dá uma sensação de paz igual a rezar? Ou porque tecer crochê é igual a querer dar sentido pras coisas. Olha só: a vida, o tempo é um fio. Se você pega isso e consegue fazer um desenho, uma ordenação qualquer, o traçado de enrosco nos pontos isso vira quase tudo. Vira até história. A temporada por enquanto contabiliza um tapete, uma toalhinha de bandeja, um xale e um cachecol. Minha avó ficaria contente com tamanha demonstração de dotes que nunca exibi. Aí eu me desculpo com ela perguntando quem vai tecer e costurar as coisas lindas que eu quero? Quem?
Aliás, acumula-se uma pergunta. Quem fudeu com o requeijão? Bem, tenho que ir, um guapo acaba de me chamar pra dançar.

"Tula está encendida llama a los bomberos!
Tu eres candela ¡afina los cueros!
El cuarto de Tula, le cogió candela.
Se quedó dormida y no apagó la vela."