27 de abril de 2005

Pãts, hoje foi o grande dia. Voltei a andar de tênis, tirei a bota, comeceu a pisar que nem gente, e nem doeu.

Estava bebendo com a Aline até agora, foi ótimo. Meus amigos me alimentam, é foda!

Queridíssima Cris, o nível de histeria já baixou, mas eu fiquei com preguiça de mudar os templates. Com internet via telefone, é bem dif´cicil. Agora to azul, calminha! Mas, com saudades...

25 de abril de 2005

Liguei, ligou

Passei o dia mal humorada. Na maior correria...Fui tirar o 66º raio X do meu pé. Estou colocando até avental de chumbo, ta ficando perigosa a exposição à radiação e eu estou quase brilhando no escuro. Fui no médico decidida a estressar se não tirassem a bota do meu pé. Atenção, eu estou na 16º semana, acreditem!

Está bem, eles tiraram, mas colocaram uma tornolezerinha pra não ficar totalmente solto. Compro amanhã.

Enquanto isso, a angústia sobre o meninão tinha passado um pouco. Ele encontrou a Ju, que obeviamente me contou, que esteve suuuupppeeer doente todos os dias, sinusite, sem conseguir falar, remédios, reação ao remédio, hospital. Tadinho, deu até pena e vontade de cuidar com sopa e chazinho (Pára, meu!)

Decidida a não ligar estava eu. Até que as seis e meia da tarde esqueci da decisão e liguei. Óbvio que deu caixa postal de novo. Estava super mal humorada, com o Fabi tomando cervejas no Largo da Santa, quando ele me ligou.

Eu sou tão tosca, fiquei derretida, comecei a sorrir. O Fabi, que me conhece, ria pelo estômago dizendo, “É claro que você está mal humorada por causa de dinheiro!”. Odeio quem me conhece de verdade!

Daí, ele disse a coisa fofa que me garante a semana. “Estava precisando de você pra me curar!”. Eu pensei: “Porque não me ligou, merda!”. E falei: “ Puts, eu fui viajar pra Itu!”
Combinamos de sair esta semana, depois que ele parar de tomar antibichóticos. Isso é na quinta-feira. Não marcamos hora, nem dia, nem nada. Começou o segundo capítulo da novela.

Me agüentem, por favor!

PS: nada contra ficar solteira, mas no fundo acho que meus gens tem desejos de reproduzir e tal. Desculpinha biológica!

23 de abril de 2005

Domingo 23

Domingo 23. Domingo 23 é dia de Jorge. Dia de Jorge.

Eita feriado comprido.
Ta valendo pelo dia do enforcado. Teve um churrasco com meus melhores amigos do colegial, fotos, piadas, lembranças, bebedeiras. Pelas fotos, melhorei muito nos últimos dez anos (porque vcs nunca me avisaram que aquele cabelão era horrível!?). Vários meninos pioraram muito, todos uns 20 kg mais gordos. Foi bom, saí vêvada, torta, mas feliz.
Vai valer também pelo amanhã, aniversário do meu irmão que vai fazer um quarto de século. A idade chega pra todo mundo!

Também nesse meio fui pro sítio, estava com muita saudade e com muito medo. Foi bom, está tudo tranqüilo, os cachorros berebentos e felizes como sempre. Jogamos baralho, bebemos uma cerrejinha, conversamos sobre o que fazer. Parece que algo foi resolvido, até a manhã seguinte quando minha mãe voltou a plantar ipês pelo sítio. Quase não tem mais lugar vago pra árvores, em toda aquela terra! Sem querer ouvimos ontem à noite várias vezes a música do Jorge da Capadócia quase que pedindo proteção e sem saber que hoje é o dia dele. “Para que meus inimigos tenham olhos, e não me vejam!”

E hoje estou em Itu, sem nenhum amigo pra beber uma cerveja. É foda, estou precisando conversar, contar minhas últimas papagaiadas, declarar pra alguém que eu nasci mesmo pra ser solteira, pela mais simples asserção de que EU NÃO SEI ME RELACIONAR”. Me incomoda esperar outras pessoas fazerem coisas que não estão sobre meu controle. E, ridículo, eu sei. Qualquer amigo que estivesse falando comigo nesta cerveja ia me mandar tomar no cu (o espaço do comentário é pra isso, fiquem à vontade). Eu sei, nem deu tempo pra acontecer nada ainda, mas pra quem tem o segundo, a hora como referência, uma semana pode parecer um século. Vão-se minhas unhas (roídas) e ficam os dedos. Sou ansiosa patológica (podem concordar nos comentários) e acho que ainda não aprendi aquele tão falado "tempo das coisas". A Fernanda Porto, numa entrevista, diz que tem que ler o Eclesiastes (é isso?), onde ela se inspirou pra fazer uma música que eu nunca ouvi, mas que passou na teve da fisioterapia no mesmo dia do mural das borboletas. Era algo como o tempo de viver, de morrer, de esperar e de arregaçar!!?

Eu não sei esperar, não sem meu crochê!

PS: entrei no orkut numa comunidade NÃO SEI NAMORAR
PS2: Vocês acreditam que uma mulher me escreveu perguntando da comunidade do Ernani Moraes. Não somos as únicas, hahahahahaha!
PS3: Tábom, é domingo 24. Mas a música diz isso e eu complemento: NÃO SEI ESPERAR!
PS4: Não precisa me mandar tomar no cú, era brincadeira!

20 de abril de 2005

No mural da fisioterapia

Em frente a bicicleta ergométrica existe um mural
No mural estão as fotos dos atletas que foram curados naquele lugar
No meio das fotos há um papel com uma mensagem, que só dá pra ler um pedacinho.
O pedacinho dizia...

" Não corra atrás das borboletas. Cuide do seu jardim que elas vêm até você"

Piegas, não

19 de abril de 2005

Sabedoria Leminski

Vocês devem ter notado a overdose de Paulo Leminski nos posts dos últimos dias. É, estou adorando o livro que comprei faz tempo e que agora me caiu no colo. Naquele esquema de usar que nem bíblia (pensa numa coisa e abre o livro), encontrei respostas que enm o oráculo Conceição me deram.

1. Sobre aquela minha teoria de ficar parada:

Alguém parado é sempre suspeito
De trazer como eu trago
Um susto preso no peito,
Um prazo, um prazer, um estrago
Um de qualquer jeito
Sujeito a ser tragado
Pelo primeiro que passar

Parar dá azar

2. Sobre o amor, posts antigos e estas coisas

essa vida que eu quero, querida
encostar na minha tua ferida

OU

AMOR BASTANTE
Quando eu vi você
Tive uma idéia brilhante
Foi como se eu olhasse
De dentro de um diamante
E meu olho ganhasse
Mil faces num só instante

Basta um instante
E você tem amor bastante

0:03

Meia noite e três minutos ele me ligou. Chegou cansado, me disse que eu acabei com ele ! (hã?!) e que capotou quando chegou do zoológico. Viu meu recado agora, me ligou, fui meio seca como manda o protocolo. Vou dormir feliz e triste, com vontade de chorar.

18 de abril de 2005

Só pra lembrar

One is the loneliest number that you ever do
(...)
One is a number divided by two
(...)
Two can be as bad as one, it´s the loneliest number since the number one"

Bolo de

" Tão doce, tão cedo, tão já
Tudo de novo vira começo"
Do leminski

A decepção é sempre maior do que a expectativa. Mesmo se a expectativa for pequena, quase nula. Expectativa daquelas relutantes em fugir das inúmeras vozes que sussurram no ouvido, que te dizem “não espera muito”, “ é só mais um”, “imagine”.

Vivi grandes momentos neste final de semana, com aquele que se convencionou chamar por Ernani Moraes, grande, mais velho. Achei que ele não era de brincadeira. Por odiar joguinhos de poder achei que estes passavam com correr da idade. Depois DELE fazer insinuações de programinhas pelo próximo mês, comer ali, ir acolá, etcétera. Falei, vamos.

Domingo à noite ele relutou em ir embora da minha cama, da minha casa. “O que você vai fazer amanhã?” Respondi “Médico, fisioterapia, estudar”. Ele disse “Vou no zoológico com as crianças (em tempo, ele é professor), volto as cinco, nos vemos?”

Saí do médico às 5:30. Liguei, ninguém atendeu no celular. (Pensei, estranho, não deve poder atender o celular no meio do passeio)
Liguei de novo as 5:45., Não atendeu de novo. (Pensei, o trânsito deve ter atrasado o passeio)
Esperei até as 6 da tarde no buteco da Capote Valente. Meio sofrendo, meio pensando. Liguei as 6:00. Ninguém atendeu, deixei recado já com uma faixa escrito “Ridícula” pendurada sobre minha cabeça.

Às 6:05 liguei pra Ju, que como uma boa amiga, é crucial em momentos de crise e tensão. Ela me contou um par de notícias boas, conversamos um pouco pra enrolar e ela me ajudou a estipular um teto para a espera. Às 6:35 começaria a caminhar para o ponto de ônibus. Ta bom, beijo, beijo, tchau, valeu!

Desligo o orelhão e olho pra trás no buteco. Vejo uma amiga das antigas. Oi, tudo bem, senta aí. Foi ótimo, tomei cerveja, adiei a noite perdida em esperas. Enquanto conversávamos sobre as últimas, não conseguia deixar de pensar no bolo que eu havia tomado. Estas hipóteses rolaram na minha cabeça e como todos os meus leitores são amigos, resolvi contá-las. Desta vez espero mesmo que haja uma votação, porque meus amigos raramente comentam sobre meus casos amorosos neste blog.

Hipóteses para o bolo
1. Todo mundo viu, menos eu que estava fora de casa, a manchete do Jornal Nacional. “Tragédia no Zoológico: Lontras em fúria atacam estudantes”. É óbvio que ele nem pode me ligar porque estava no hospital, se justificando para pais e mestres e diretores o ataque justificado ao moleque de classe média que atirou uma bombinha no laguinho das lontras. Lontra é um bicho bravo. Eu apoio ela.

2. “Ônibus de estudantes é assaltado na Avenida do Estado. Professor tem seu celular roubado” Claro, com meu telefone na agenda, ele está na delegacia esperando o BO. Não conseguiu achar meu telefone com ninguém.

3. (......) Hipótese que nem pros melhores amigos eu conto.

4. A mais plausível: Ele esqueceu!

13 de abril de 2005

Jornadas à pé I

“Quem chega tarde/Deve andar devagar/Andar como quem parte/Para nenhum lugar
Vida que me venta/Sina que me brisa/Só te inventa/Quem te precisa”
Do Leminski


Passando o entusiasmo de aniversário, estou precisando contar pra vocês um pouco do meu cotidiano aqui na metrópole. Não está fácil! Mas quem disse que ia ser fácil. Eu queria que fosse difícil mesmo. Só pra lembrar, uma advertência aos leitores:

ISSO NÃO É RECLAMAÇÃO!

Estou bem feliz de por estar aqui. Até o barulho tão barulhento do meu largo me fazia falta. Esse rugido 24 horas de São Paulo está ninando o meu sono, na minha cama grande e vazia.

Estou numa puta dureza. Estas linhas tortas do destino me pregaram uma peça boa. Três quartos da bolsa pagam fisioterapia e remédios. O resto é pra comer, fumar, beber e ir. Estou comendo toda a dispensa da casa, macarrões, sopas Maggi obscuras que meu tio comprou, comida congelada há tempos. A pergunta é, vale a pena?

Vale primeiro pelo moral das tropas. Estava começando a ficar triste em Itu. Depois eu cansei de ser cuidada em demasia, minha mãe indo trabalhar de ônibus pra ter carro pra me levar nas coisas, meu irmão de motorista o dia inteiro. Achei melhor eu fazer esse esforcinho de me cuidar sozinha.

A rotina é acordar, fazer café. Dá um trampo porque aquela corridinha na cozinha pra por a água pra ferver dá um puta trabalho. Arrumo a mala e natação. O SESC é bem perto, mais ou menos quatro quadras. Só que as calçadas da minha rua são de alta velocidade, rota para o metrô e o hospital, e de repente eu me vejo ultrapassada por velhinhas com bengala, gente arrebentada. Todos mais rápido que eu. Hoje cronometrei, 30 minutos pra andar estas quatro quadras. Depois de nadar, mais trinta pra voltar. Daí, preciso de duas horas deitada com o pé pra cima pra tirar o peso e a dor do pé.

Nas terças e quintas é a fisioterapia. A Clínica é na Capote Valente e o ônibus passa aqui bem perto. É divertido parar o ônibus com a bengala. Subir, se equilibrar, pagar, sentar bem perto da porta pra fatídica hora de descer. Tudo calmo, mais três quadras de caminhada. O ônibus para na Rebouças na altura da Oscar Freire. Atravesso na faixa, desvio dos buracos quase tapados das calçadas da Marta. Chego suando na clínica, com ar condicionado. Saio de lá com frio, mas levitando depois de todos os aparelhos contra a dor que eles colocam no pé. Ando até a Cardeal, outro ônibus, mais duas quadras à pé até minha casa. Mais umas horas de descanso.

Ontem fui visitar o Fabi, que mora bem perto. Mais meia hora de caminhada pela São João. Tomamos cervejinha e ele me trouxe até o Largo. Até cansou de andar na minha velocidade.

De tarde eu estudo, escrevo, penso, mando currículos pela internet, fumo muitos cigarros, escuto música, deito na rede, ligo pra alguém.

De noite igual.

12 de abril de 2005

Jimis entusiasmado na metrópole

O domingo à noite, final do dia do meu aniversário, tinha tudo pra ser mais um domingo à noite, mais um final de dia de aniversário. Um dia melancólico porque foi o dia que eu cheguei, depois de três meses ausente, de volta a minha casinha. Já passei por isso, cinco anos atrás. Voltei num domingo à noite, sem ser meu aniversário, pra São Paulo, depois de um tempo em Itu acidentada. Sozinha, passei a noite tentando me localizar na minha vida, revendo caixinhas, cadernos e memórias.

Desta vez foi diferente. Fui retirada do buracão melancólico que estava prestes a me meter (rede pendurada, tango na vitrola) pelo telefonema surpresa do meu amigo James. “Vamos tomar? Que bom que você topou.” Pensou ele e eu.

O James como um bom urbanista que é logo percebeu o potencial deste fantástico calçadão espremido entre a igreja e o buteco Birinight´s. Somente a Santa Cecília mesmo pra ser conivente com o espaço de luxúria e samba bem ao lado de sua casa. Mas dizem mesmo que essa santa é a padroeira dos boêmios. Santo lugar.

Conversamos muito sobre a cidade, com crianças correndo, penduradas nas pernas, uns bebês no carrinho, gente conversando, noite calorenta. “Vamos mais uma? Claro. Ainda é cedo.”

Nos meios da conversa aparece um cara oferecendo “Cigarrinhos da Paz”. Entre os dedos, dez tubinhos brancos, bem bolados, suspeitíssimos. Logo o dispensei com a prática usual do “hoje não”. James como um bom urbanista que é se perguntou e logo perguntou pra ele. Enquanto eles conversam, vou descrever o cara.

À princípio, muito próximo de um hippielandia da praça da República. Calça jeans suja, regata, um dente e meio na frente onde deveria haver dois, cabelo e barbas extremamente arrepiados (barbeludo), dente de algum bicho como brinco na orelha, boné camuflado do exército, muitas pulseiras, colares.

Escuto a conversa de novo. “ Esse é cigarro é uma mistura de ervas, tem camomila, sálvia...” “É, muito cheiroso, vou levar um”. “Mas tem também?” “ Tem, só dez porcento, eu coloco quantidade igual de todas as ervas”

Agora vem o que pode ser considerado um passa moleque para alguns, ou o melhor da história para outros. “Histórias que só São Paulo traz pra você!” Ele diz que se quiser mais, é só procurar o Cigano. Sim, ele é Cigano, os pais fugiram da Espanha, no porão do navio, ele com dois anos, no perrengue. Ele se afastou da família, dos costumes, mas fala a língua (Dá exemplo falando algum dialeto que pode ser a língua do pê ou língua cigana mesmo). Diz que nasceu branco por engano, é de família morena, por isso, seu nome é Luar. Hippie, né? Não, cigano.

Tratei de esconder o suspeito na bolsa, caríssimo, inflacionado. Vamos fumar em casa. A sexta cerveja, dois chocolates, dois maços e o cigarrinho da paz depois terminamos a noite com o James equilibrado em cima de um banquinho, em cima da minha cama, trocando a lâmpada do meu quarto como um bom urbanista que é. Isso com pressa pra não perder o último metrô. Depois, claro, de intensas confidências causadas, com certeza, pelos chocolates.

Que bom o entusiasmo do James.!

6 de abril de 2005

Ciclos

Parece mesmo que a vida humana, mais ancestral, é marcada pelos ciclos. A racionalista é que é linear, progresso, sucesso, idade, hora, dia, ano. A gente vive mesmo no acorda, come, dorme, vê novela, alguns trepam. Nasce o sol e depois a noite chega, não vem falhando há alguns anos.

Por exemplo, acabo de chegar ao fim do meu ciclo menstrual. Sem surpresas de ter sido interrompido por uma fecundação, sem grandes atrasos ou angústias. Só tive que correr (com muletas), para comprar ob antes de ir nadar. Incômodos. Lembrei que eu parei de nadar quando tinha 12 anos e fiquei menstruada pela primeira vez. Meu técnico militar não entendia que eu tinha que faltar uma semana nos treinos, as meninas mais velhas não entendiam como eu não acreditava nelas de que na água não descia e eu não entendia mesmo como eu ia lidar com aquela sanguera uma vez por mês por muito tempo. Parei de nadar, fui jogar vôlei. O ciclo fechou outro dia quando voltei a nadar e minha professora/personal é uma dessas minhas amigas mais velhas da natação. Contei pra ela meus motivos ridículos de ter largado os treinos. Ela conta que também sofria. Hoje ela é campeã, com 31 anos.


Outro ciclo que considero importante é o do Ano Novo. Tenho até inferno astral enquanto eu não garanto um lugar com pessoas muito legais pra ir, meninos pra xavecar, bebidas pra beber.

O mais importante é o do meu aniversário. Que está chegando e eu estou ansiosa pra não dormir numa noite de bebedeira e amizade, como sempre. Espero a presença dos meus amigos pra gente comemorar, 28 anos.

Tem também aquele tal do ciclo de Saturno, a virada. Não sei muito bem, mas me disseram que é dos 28 aos 30 anos que mudanças acontecem. Estou esperando tudo de bom.

Tem também o ciclope e a ciclovia

PS: Muito boa a temporada em Campinas, muito bom o encontro com as amigas e amigos de muito, muito bom o encontro incidental com o meu Marco Ricca.