23 de agosto de 2005

Política das múltiplas paixões

Alerta: estou piegas!

Acordei sábado no meio da noite, olhei pro meu lado e vi que estava completamente apaixonada. Perdida mesmo, fodida, amarrada, desesperada, ansiosa, feliz.
Minha mente de fortes tendências objetivo-sintéticas tenta dar conta de entender o que se passa, de prever o que vai se passar comigo. Descobri que eu tenho medo mesmo é de odiar, e não de amar. No fundo é a mesma coisa, mas muito pior.
Elaboro então estratégias, com a ajuda de meus amigos, das velas que acendo, dos livros de amor que eu leio. Estratégias pra não odiar, que tratem ao mesmo tempo de não me deixar viver seca como eu estava há um tempo, ou morrer afogada.
A mais recente delas é a das múltiplas paixões, sentenciada sem querer por um amigo urbanista. Aproveitar essa coisa energética bem estranha que é a paixão e disseminar para todos os lados. Ou nadar, trabalhar, andar, estudar, ler, ouvir música, escrever, sonhar. O que nunca fazer com esta mesma energia: esperar um telefonema, comer, fumar, beber, unhas, pinça.
Os livros de amor também ajudam muito. O último foi Mar me quer, do Mia Couto. Historia bonita, da qual anotei esta sabedoria aí abaixo, que me lembra que cair de cabeça é a única maneira de viver porque essa coisa de futuro é uma criação dos cientistas norte-americanos.

“Futuro é uma coisa que existindo, nunca chega a haver”

18 de agosto de 2005

Um cachorro muito amigo meu

Há alguns dias foi morto um cachorro amigo meu. Amigo nosso, na verdade. Na galera todo mundo se olha e lembra: você soube do Jagunço?

Falei com o dono dele ontem, pessoa que guardo em lugares estranhíssimos, como ali em baixo da escrivaninha junto daquela foto. Esta foto nem sei bem quando eu fotografei, lá no chão da cozinha de uma casa que nem existe mais, o dono e o cão em uma foto simétrica, um deitado no colo do outro, cabelo, pêlo, barba, tudo misturado e amigo. Tirei a foto de debaixo da escrivaninha, tentei deixar lá mesmo o dono, e coloquei no mural.

Falei com o dono ontem que me contou história tão triste que tem lágrima encravada no meu olho até agora. Jagunço morre de bala, né Cuca? Não! Volta pra cá, vem beber, vem conversar, vamos brindar o cachorro que morreu.

Tão melancólico este cachorro, ele chorava de amor, lembra? Ele brincava com as cachorras crianças, ele atendia o assobio, ele uivava tão fácil, ele tinha barba, ele andava sem coleira, ele era briguento, ele tinha pêlo duro, ele fazia trilha e nadava no mar.

16 de agosto de 2005

Corra pra casa...

Tem dias que você tem que correr pra casa, trancar portas e janelas, acender uma vela, se embrulhar no lençol. Se esconder, medo.

Ontem começou bem com uma segunda qualquer, descambou depois do meio dia. Apesar que de manhã encontrei uma bereba em cima da minha cicatriz novinha! É micose, disse a fisioterapeuta.

Logo depois minha adorável chefe deu indiretas de que havia descoberto que eu ando fazendo duas horas de almoço, essa vida de bater ponto me irrita. Sim, eu fujo pra musculação numa hora de almoço prolongada.

Logo depois derrubei meu celular dentro d´água. Tudo no mesmo dia. Chorei, liguei pro moço e chorei de raiva. Que merda de dia. Vou correr pra casa, estou com medo, nada mais horrível...

No fim do dia me contam que o Jagunço foi morto. Morreu com um tiro. Morreu o Jagunço.

4 de agosto de 2005

Por que eu saí do orkut?

Uma amiga foi a primeira a notar, outros amigos vieram na seqüência. Perguntaram o porquê.

Quem me conhece sabe, sou uma pessoa bem chegada a uma maneira de raciocinar próxima a chamada pelos incrédulos de “teoria da conspiração”. Outros mais atentos diriam que é “visão de futuro”, outros mais técnicos, “paranóia”. Eu digo, no mínimo, “desconfiança”.

Existe uma balbúrdia criada em cima desta “comunidade de relacionamentos” principalmente pela Folha que me incomoda. A impressão que me dá é que os jornalistas perdem todo aquele tempo de sobra fuçando em suas páginas no orkut cada um com seus 500 amigos e/ou fãs.

Nos últimos meses o orkut foi notícia de diversas formas. Até mesmo as mais ridículas, tipo “orkut fica fora do ar por quatro horas”, ou, “internautas reclamam do sumiço de comunidades”. É o tipo de pauta de quem está por dentro do negócio.

Fora isso, o inegável formato de páginas policiais. “Me diga”, sem nenhum sopapo, “do que você gosta e com quem você anda”. Ninguém é capaz de negar a incrível visibilidade que as vidas podem tomar na comunidade mundial que ganhou recente tradução para o português.

O que a gente duvida, ainda, é da repressão.

Até o momento alguns episódios envolvendo repressão ocorreram, e foram denunciados ou trazidos a publico pela mesma Folha. Uma delas apavorando um moleque dono da comunidade odeio pretos! Aplausos. Outro dia, porém, foi desvendada a quadrilha de moleques vendendo ecstasy, a comunidade viva crack e ou viva o pó. Crime: à princípio, apologia as drogas. Leizinha mais mal definida que pode até cair sobre aquele camelô vendendo a camiseta com o símbolo da adidas transformado na folhinha de cinco pontas. Tá bom, tinha até endereço de emeio para o envio por sedex dos comprimidos. Quem descobriu e denunciou?

Agora imaginem aquela comunidade dos sonhos, “cortemos a cabeça do mainardi”. Crime? Ameaça? Eu ainda não penso no horror, se tudo der errado mesmo...

Mas, o pior é tentar sair. Num surto eu me desconectei. Esqueci de tirar a fotos, as comunidades, os amigos, mudar pro Zimbábue e me chamar Zuleika. Meu nome e emeio continuam lá. E se procurar bem o nome e o emeio das pessoas que você convidou, mesmo as que não quiseram entrar por diversos motivos, também estão lá.

Ou seja, não tem como sair... Respondido?

3 de agosto de 2005

Chega de não saber

É isso, esta manhã, ou ontem à noite, resolvi que tenho que tentar parar de achar que esta merda toda não está acontecendo. Eu nunca estive tão alienada politicamente, eu nunca fugi tanto do Jornal Nacional, nunca despistei as conversas de família com um lamentável abanar de cabeça: da esquerda para a direita.
Que merda está acontecendo?
Fique com medo de me sentir uma malufista. Porque se o Lula sobreviver eu vou votar nele na próxima eleição, se ainda houver reeleição. Mas, com que argumentos? Aquele mesmo do clássico eleitor do Maluf?

. De que ponto é justificável entrar no jogo político tão de cabeça, e ainda racha-la?
. Filosoficamente, como pensaremos isso no futuro? Governo Lula e a publicidade...
. Até onde a campanha contrária da mídia podia causar esta cobertura tão espetaculosa, à ponto de, que nem em jogo de futebol, as pessoas estarem vendo, no bar, o companheiro dirceu depor na televisão?

Prometi a leitura diária do caderno Brasil, mesmo que a Folha fale contra. Alguém me proponha matérias, reportagens, orações ou sei lá o quê, que possa me ajudar a entender, ou não acreditar, no que está acontecendo.
Pelamor!

1 de agosto de 2005

Meu dia começou cansado...

Assim começou mais esse dia de segunda feira. Que foi salvo, pela manhã, pela história que meu primo escreveu, e que ele me deu ontem pra ler, que eu li hoje de manhã em um dia que começou antigo e cansado.

E a história começa assim: Meu dia começou cansado...

Começou cansado porque eu, há cinco horas atrás, estava em um bar, embriagada, no final do domingo santo. Estava com a pessoa por quem estou apaixonada, pelo menos quatro dias por semana. Fazendo aquele esforço pra conhecer mesmo a pessoa por quem você está apaixonada eu disse: eu tenho ânsia de te ver. Pra ver se ele não chega mais atrasado e me beija com a boca de feijão/paixão/tesão/ ou estas coisas que só o Chico sabe rimar. As ressacas são imorais, e eu nem seu porque eu me senti mal hoje pela manhã. Deve ser porque eu estou cansada.

Começou antigo também meu dia, com uma velha sensação de ter perdido o trem, de não ter planejado a semana nos segundos que antecedem o sono do domingo. Coisa importante estes segundos, pra fazer acreditar que nesta semana algo de muito legal vai acontecer, ou eu vou fazer algo de muito legal. E não que eu vou chegar no trabalho e os computadores todos alinhados me falarão, bom dia! ótima semana! e com voz metálica.... que cara de ressaca é esta?
Acordei com saudades também, porque quando a gente bebe muito: alguma coisa vai embora, ou foge, ou se esconde. E parece que a comunicação fica meu cheia de chiados, que nem tv antiga. No fundo é por não lembrar tudo que disse, e lembrar ainda que eu disse que tenho ânsia (da ansiedade mesmo), é que fiquei com vergonha do meu computador nesta manhã. Acho que ainda estou bêbada, não liguem pra estas conversas nonsenses.