27 de novembro de 2005

Recomendo


A peça Casa de Bonecas, em cartaz no teatro fábrica.
Amigos e primo em cena, muito bons.

Além do mais o texto é fantástico; a cena final caiu como uma luva no meu malviver daqueles dias.

A virada de Nora, você pode ler aqui

26 de novembro de 2005

Um ano de lume vagante, com atraso

Estou trabalhando neste sábado, amanhã e nos próximos finais de semana. Planos de descanso, só no futuro em com cinco estrelas...depois eu conto.
O pior é vir de ressaca trabalhar, tendo dormido cinco horinhas na cama de um moço de cheiro muito bom. O cheiro até veio comigo!
Descobri hoje que esse blog fez aniversário e eu nem liguei. Aproveitando o tempo infindável na Internet resolvi reler tudo o que escrevi.
Que incrível ter registrado um ano de vida! Aconteceram muitas coisas, mas nem tantas assim que me fizessem me sentir diferente de hoje.
Há um ano atrás eu estava me sentindo meio parecida com hoje...a não ser pelo pé que estava ruim e agora está bom.

25 de novembro de 2005

Alguma coisa sobre os nós

No meio da mesa branca a mandala colorida, traçada com os pontos cardeais mais longínquos, aqueles que ninguém sabe bem o nome mas que todo mundo já esteve algum dia.

Na mandala, conchinhas que caem com as bocas dentadas pra cima e dizem, praquele pai, onde você mora, está, sente, fica, sofre e quer.

A sala branca desenhada tem cheiro doce, de perfume antigo, luz de vela colorida, ofertas mil de gente que busca aquela muitacoisa que nos falta. Um pouco pra todo mundo, sempre. Alguns mais outros menos, sempre também.

Eu não estou querendo nada, pai! Assim, digo, nada que seja uma coisa só.

Tento entender esta linhagem antiga que me fez ir ali, tento desfazer os nós da longa corda que carrego, corda carregada de pessoas mais velhas do que eu, talvez gente que eu nunca tenha conhecido. Estranha as heranças que não sabemos ter, mas que são tão vivas quanto a cor da pele depois de um furinho. Vaza então esta cor e todas as coisas que trago nem sei de onde.

Hoje está sentado na minha cabeça um deus velho que se chama Oxumarê. Estranho homem/mulher, arco-íris cobra-coral, bom mal, que gira suas vontades helicópteras em direção a mudança, insaciável sede de mudança. Deus que não é, mas está! Difícil companhia! Mas posso ter entendido alguma coisa.

Agora de dia escuto:
“Hoje a lua é uma canoa, amanhã é uma espada!”

24 de novembro de 2005

Dormir...mais do que tudo!

Estou prezando dormir mais do que tudo, isso é um sinal de que as coisas não estão tão bem, sinal de falta de ânimo, falta de perspectiva e excesso de saudade encruada daquela companhia que não te deixava sair da cama.

22 de novembro de 2005

Sobre o clássico buteco

Um dia um amigo pensou no emprego dos sonhos...rodar o Brasil mapeando os butecos mais butecos do país, e fazer um guia para aficionados como muita gente que eu conheço.
Pra começar boteco não tem nada a ver com aquilo que se encontra na Vila Madalena, uma reles imitação, aquilo são “barzinhos”.
Em um buteco clássico consegui identificar alguns elementos, mas comentem se me esqueci de algo...

. Mesinhas de plástico ou ferro de marcas de cerveja, nunca nada mais confortável que isso
. Máquinas de caça-níquel com o som alto, para vc escutar o pin-pin o tempo todo
. Vende cigarro
. Tem uma juke box com o som no último, com o melhor do pagode e do brega
. A maioria dos freqüentadores são homens
. Tem uma santa escondida em algum lugar
. Tem patuás perto do caixa, sempre um balcão de vidro, com doces e quiquilharias
. Rola um samba escondido da polícia de vez em quando
. Tem o melhor dos petiscos, desde picanha até tremoço (que eu adoro)
. Garçons muito ágeis, que logo ficam amigos
. Tem saidera sagrada, fato que não ocorre em qualquer barzinho
. Tem pôsteres de algum time quase sempre do Timão, de alguma mulher bonita meio pelada
. Mas a maioria da decoração é de mulheres bonitas meio peladas ao lado de marcas de cervejas famosas...
. Tem banheiros que vão ficando cada vez mais sujos e molhados e sem papel
. Dá pra pedir um rolinho de papel para o garçom amigo
. Dá pra usar o banheiro dos homens na emergência

. Sempre alguém vai começar a dançar, muito bem, um sambinha de dois ou um forró.

Se tem mais eu esqueci

21 de novembro de 2005

Sabedoria pagodera ou o melhor do lelelê!

Ninguém melhor pra falar de amor que o pagoooode!

Entrei numa fase pagodeira total....nessa de freqüentar sambinhas de sexta e domingo, junto com os gaviões da fiel e os fieis gaviões meus amigos homens.
Ontem mesmo a gente acompanhou, ao vivo, uma história de amor. O casal brigado. Ele um magrelo branquelo parado do lado da mesa, com olhar de perdão. Ela negra linda e formosa, desprezando com o canto dos olhos. Os dois conversam, ela de braços cruzados, ele com a mão no bolso. Ele de braços cruzados, ela com o dedo na cara.

Pensamos na hora: ele fez merda, perdoa, não perdoa!

Até tomei mais três cervejas pra ver o desfecho da novela.

E ela foi embora com as amigas, depois de sambar bonito. Ele olhou até ela sumir na esquina da rua e sentou com o tantã no colo na roda de bambas, pra chorar seu amor num pagode que dizia “a moça foi embora...”

O melhor do lelelê é essa música que vem na seqüência. Se chama Jogo de Sedução e é do Grupo Revelação. (O que seria do pagode sem os aumentativos, que também tem tudo a ver com o amor, pelo menos pra mim com fortes tendências hiperbólicas/mexicanas)

“Só você tem o meu amor
Não tem por que motivo agir assim
Só você sabe o meu sabor
Não tem porque desconfiar de mim

Ta pegando a rota do fim
A contra-mão do amor
Desconfiança é tão ruim
Foi assim que tanto sonho se acabou

Eu não vou, me deixar levar
Por esse jogo seu de sedução
Vou fazer tudo pra salvar
Confesso que te amo de paixão
É melhor você parar
Eu quero ser feliz
É você o meu lugar
Não tenho outra diretriz”

E o melhor lelele de todos os tempos de todos os sambas é o refrão...

“ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ....lê lê lê lê lê lê lê..."

Tomara que dê pra ouvir!

19 de novembro de 2005

sobre cidades baixas


Demaaais de bom!
Uma linda linda história de amor e amizade, sem final feliz. Nem infeliz.

Quem quiser ler mais

é virada, mas é cultural

Hoje a noite tá prometendo balada destróier

Das 22:00 as 3:30 - Léo Maia, Berimbrown, Funku, Sinhô Preto Velho e DJ Uirá
Das 3:30 as não sei - Mundo Livre e Nação na Orquestra Manguefônica

Estou com muita vontade de dançar até descabelar

Yes, nós agora (e ainda) somos vermelhos


Da visita do Bush aqui na América Latina, mapa publicado no "Times", jornal da direita inglesa, sobre a configuração política da terra dos fora-da-lei

legenda
O mapa à esquerda é do ano 2000, o da direita é o atual
Os países que estão em:
Azul - são governos de direita
Vermelho - governos de esquerda

14 de novembro de 2005

Médio meio mais ou menos

Sem maiores sustos, estou feliz e triste ao mesmo tempo.
Quase feliz e um médio triste, nessa proporção.
Acho que por isso as lágrimas não saem nem a fórceps

Procuro não pensar muito numa pessoa que virou saudade.
Procuro pensar muito em mim, nas minhas razões e atitudes.
Até que funciona...

Muito arriscado são as horas que ficam entre as 22:00 e a 1:00.
(Assista TV, leia um livro, faça um crochê, tire a cutícula)
Também é arriscado o solzinho da manhã na fresta de veneziana apontando para o vazio no local ao lado na cama gigante
(Vc pode dormir na diagonal, nada como sentir-se tão repleta e cheia de espaço)
As noites de calor também são crueis para lembranças doloridas
(Saia para uma praça animada, beba muitas cervejas com amigos bons)

Encravada


Tem uma dorzinha encravada nas lágrimas que ainda não derrubei.
Estou fazendo um esforço pra chorar tudo logo de uma vez, chega, passa pra outra

Aluguei, portanto, um filme que me disseram certeiro para esses casos graves de necessidade médica de desopilação.

E nenhuma das lágrimas, encravadas, resolveu sair.

Pra quem não conseguiu ler sobre as fogueiras

Ação é descentralizada e sem líderes claros
DO ENVIADO A PARIS
A revolta que assusta a França tem códigos de articulação próprios de um conflito cuja marcas mais intrigantes são a descentralização do poder rebelde e a total ausência de líderes.Em dois dias de conversas com jovens de três cidades da periferia de Paris, a Folha confirmou algo de que a polícia e o governo já haviam se queixado: os incendiários franceses são senhores de seus atos, não seguem nenhuma entidade nem nenhum guia.Um adolescente de origem tunisiana de Clichy-sous-Bois, primeira localidade a explodir, relatou sua lógica, que dificulta o trabalho da polícia de identificar os autores das ações."Somos solidários uns aos outros. Quando decidimos fazer alguma coisa", explica, "sempre fazemos todos juntos. Assim é bem mais fácil, porque, quando todo mundo faz, ninguém faz. Não há um só culpado."No grupo à sua volta, diante da pergunta sobre qual o inspirador da revolta, ninguém fala nada. "Não tem modelo, não tem ninguém em que a gente se espelhe."Nesse contexto, a organização depende de improviso, criatividade e tecnologia. A maioria dos encontros se dá à base do boca-a-boca, em encontros que são marcados nos pátios das "cités", os conjuntos habitacionais que são o nascedouro dos distúrbios.Mensagens de texto por telefones celulares também têm sido usadas à exaustão. Ontem, a polícia anunciou ter identificado vários blogs em que jovens combinavam reuniões para organizar arruaças e incitavam a violência.Há ainda as rádios piratas. Quem conta é a alemã Ann Kathrin Goebel, que trabalha como recepcionista em Paris."Anteontem eu voltava para casa [num subúrbio ao norte da capital] e, sintonizando o rádio, topei com uma emissora clandestina, que convocava os jovens a comprarem armas e combaterem a polícia", relatou à Folha.

11 de novembro de 2005

10 de novembro de 2005

Sobre amores pulgões

O que dizer de uma conversinha rápida, de um cartão telefônico para um celular, de uma moça para um moço, que se vêem há sete meses, que não se vêem nem falam há quatro dias porque começaram a fugir um do outro, a moça porque quer se salvar correndo par as montanhas, o moço porque tem compromissos com o bar e os amigos e a conversa rápida segundos antes de acabar o cartão é: _ Fui viajar pro sítio do amigo, aprendi a tratar de pulgão, lembrei de você!
OS: Tá, minha planta tem pulgão, mas haja!

Veja acima que é um pulgão
Um bicho verdinho que destrói as plantas “comendo sua seiva”. Alguma analogia?

8 de novembro de 2005

Me peçam depois pra contar dos pulgões

Mais uma vez escrevo em itens, mais pela necessidade de atualização deste brog. Ando pensando tantas, tantas que não dá pra ter coerência. Ou será que eu já tive?

. A maior novidade é que acabo de ser convocada no concurso para professora do Estado. No tempo certo, depois do mestradim e talvez para assumir só no ano que vem. Tudo me embaralha a cabeça agora: emprego público, duas férias por ano, moleques interessantíssimos, moleques sofridos, loucura. O professorado é uma das classes mais loucas que conheço, no bom e no mal sentido. Medo de perder a tão cultivada sanidade mental que quem me conhece mesmo sabe que eu nunca tive.

. Sobre as coisas velhas então. Percebi hoje que estou falando sozinha, na rua, enquanto caminho e até no elevador. E o pior é que só me toquei porque as pessoas estavam me olhando esquisito. Na hora eu brigava com um moço em voz alta, discutia tudo o que eu falei ou deixei de falar. Que sintoma de sanidade!

. Estou lendo um livro muito empolgante. Se chama Afrodita e foi a Isabel Allende que escreveu. É sobre culinária e erotismo, cheiro e desejo, em última instância gula e luxúria, de acordo com ela os únicos pecados capitais que valem a pena. Ela fala, na introdução, sobre a relação entre comer e comer, que me lembrou da velha máxima: quem nunca teve um orgasmo gástrico? Ela conta de uma simpatia antiga, que se parece muito com o velho “coar café na calça”, um pouco mais complicadinha talvez. Mistura farinha, água e faz uma massa. Molde esta massa na sua menina, com muito cuidado, para incorporar eflúvios, põe pra assar e dê para o amado comer.

. Estou “acelulada”, sentindo uma imensa liberdade. Cheguei a vincular o piriririri do toque musical ao nome de uma pessoa que esperei muito muito ligar,vestida pronta na sala de estar. O celular quebrou, o conserto demorou e eu...me sinto muito feliz!

4 de novembro de 2005

Regra três

Num blogamigo, achei a música que pode dar maiores explicações.

Uma tentativa fracassada (acho).
Menos de colocar sabiá dosd outros na gaiola e mais de não ficar meses esperando arrumada na sala de estar.

Inspirada na filosofia B. Jones, quero algo muito, mas muito mais extraordinário!