26 de dezembro de 2006

Rumo a caderninhos 2007

Estou há dois dias procurando a frase que vai iniciar o meu novo caderno. Buscando o no presente de natal, livro de poesia que eu ganhei.
Talvez esta busca termine em branco, branco como o início do caderninho 2007 que pretendi começar hoje e não deu.
Levo ele pras franja do mar comigo, pra ver quem ou o que me inspira a começar. Ou talvez não haja inspiração, mas só mo começo.
E 2007 será o não esperar. Sei que não esperar eu não posso, então....

Da esperança, a dona desta palavra tanto quanto de sua negação, eu não tenho como desistir.
Mas tenho que mostrar quem manda e começar a esperar exatamente o que e quem espero, para ser mais específica e não confundir esta velha senhora que deve estar bem cansada. E que carrega a sina de não morrer nunca.

21 de dezembro de 2006

Filosofia de msn

CUCA diz:
mas mudando de assunto, sobre o nosso papo de ontem, eu acho que vc tem razão
Raquel diz:
desencanou do nirvana hehe
CUCA diz:
eu não posso não querer. Eu queria não querer...e aí que o bicho pega, mas eu não posso
Raquel diz:
é, é...
CUCA diz:
as coisas acontecem a partir de querências, se eu não quiser, não acontecem. mas eu não quero querer, sacou a filosofia?
Raquel diz:
saquei, mas não sei porque...
CUCA diz:
porque é muito chato ficar querendo
Raquel diz:
é, mas querer é o primeiro passo para ter.
Raquel diz:
Se você quer ter, tem que querer
CUCA diz:
odeio esta filosofia
Raquel diz:
papo de malucoooo
CUCA diz:
mas só querer não quer dizer nada, e enche o saco
Raquel diz:
é, o querer envolve muitas coisas...
Raquel diz:
não dá prá só querer. mas é um bom começo
CUCA diz:
E não tem nada prático que eu possa fazer para resolver essa querência
Raquel diz:
não tem mesmo. Não existe nada prático neste ramo dos sentimentos
CUCA diz:
E é melhor não querer o que não está a meu alcance decidir?!?!
Raquel diz:
cuca, acho que vc tá viajando. Isso que vc está fazendo é racionalizar um processo que não é racional. Não existe isso.
Raquel diz:
Prá chegar ao nirvana, você precisa de, pelo menos, uns 30 anos de uma vida isolada do mundo, de penitências e auto-controle
CUCA diz:
eu to racionalizando sim, não tem outro jeito
Raquel diz:
Acho que é muito tempo
CUCA diz:
se eu não racionalizar, muda alguma coisa?
Raquel diz:
muda. Você não sofre
Raquel diz:
deixando os gregos e os orientais de lado: Desencana. Bem paulistano mesmo...
Raquel diz:
é a melhor filosofia hahahahaha
CUCA diz:
mas essa é a minha proposta inicial...desencanar absolutamente
Raquel diz:
o nirvana também se alcança com tentações
CUCA diz:
esse é o nirvana avançado, to procurando o básico
Raquel diz:
hahahaha
CUCA diz:
mas tudo bem, vamos ver no que dá
CUCA diz:
eu preciso comer alguma coisa
CUCA diz:
vou comprar pastel
Raquel diz:
dilicia
Raquel diz:
bjo, tenho que ir ao banco
CUCA diz:
beijo
CUCA diz:
chao
Raquel diz:
chão

12 de dezembro de 2006

Sem filosofia

Temendo ser acusada de abandono volto ao blogue para atualizar a passagem desses dias. Com quase nenhuma organização sai este post de fim de ano, e em itens.
Filosofia, nem barata nem cara.

Meu blog fez 2 anos e eu esqueci
Um amigo de infância fez aniversário e eu esqueci; outro me telefonou depois de três anos de saudades
Briguei na escola
Tomei três tempestades
Fui pra Itu duas vezes
Limpei guarda-roupas
Fechei médias, fiz tarjetas
Terminei o jornalzinho da 7ª série
Li 3 livros muito bons
Briguei com o cobrador
Perdi o ônibus
Bebi cerveja demais
Procurei apartamentos, briguei com corretores
Consertei um alagamento dentro da sala de casa
Assisti uma semana de Páginas da Vida
Roí as unhas
Comi um alpino GG e um pote de Nutela
Ainda não estou de férias!

Aviso: Caixa de memória está lotada!

8 de novembro de 2006

O Eterno Frio da Primavera

“Um livro, sempre uma tábua de salvação, poderá permitir sonhar que muitos lugares podem ser o Lugar”

Abandonei, depois da página final, a mesa do bar. A última olhada me diz: um cinzeiro com três bitucas, uma garrafa vazia, um resto de prato e uma lágrima contida.
Tudo o em volta me dizia o contrário, pessoas com aventais brancos riem alto mas eu não ouço. Estou lá naquela ilha do Chile, na qual estive há dez anos. Chiloé. Lá comprei uma boneca, chamada pelas artesãs da ilha de bruja. Una bruja de Chiloé. Llevátela! Nunca conversei com ela, não aos dezenove anos. Talvez eu devesse.
Lá neste lugar que, pelo livro, é o sul do Sul, tudo era lã de carneiro cheirando a curral e cerveja gelada tirada da prateleira. O frio, o maior que já suportei na vida. Mas não tão cruel quanto este insuportável frio de primavera que me ronda há anos, que parece ancestral.
O livro que me apego há 48 horas conta sobre o amor. É um romance sim, que tenta agarrar todas as mil faces do amor neste século que o matou. Lembrei-me de todas as vezes que um romance me salvou, desde talvez os 15 anos. Sempre um refúgio, obsessivo, mas refúgio.
A personagem, ironia, uma historiadora que pesquisa um povo da patagônia. Os yaganes, que tem um mito que conta a mais velha história de todas, aquela que toda mulher deve ou deveria saber contar. Me parece que para esse povo as mulheres tinham o maior poder e que nas noites pintavam em seus corpos símbolos que as transformavam em espíritos, e que assim assustavam os homens e os mantinham sob o seu domínio. Uma noite, um homem flagrou as mulheres se lavando no rio, retirando as inscrições. Uma revolta foi armada e todas as mulheres foram mortas, a não ser as crianças. Assim, os homens dominaram a arte de inscrever no corpo e dominar as mulheres. Com o medo.
Uma grande parte do livro trata do frio, fato que me é comum.E não desse frio da Terra do Fogo. Paradoxo, mas sim pode ser o frio do fogo. Frio que atingiu a personagem quando ela abandonou a casa de seus pais, e que nunca passou até ela chegar lá, nesse sul.
Me fez lembrar de um filme, talvez a cena que eu mais goste de todas, de uma mulher sofrendo por amor que começa a tecer. (Uma dose da sempre Penélope). E por anos e fios, a esperar, tece um cobertor tão grande que forma uma gigantesca cauda de quadrados coloridos, que a embala quando ela vai embora. Este gelo eterno só é resolvido quando todos os palitos de fósforo, metáfora da alma, são acesos ao mesmo tempo.
Pensei ontem à noite, no meio do livro, que não queria nada, só vagar por aí pra ver se me encontro. No Sul, sempre. Levaria a coberta que minha mãe teceu pra mim, por via das dúvidas.
Só para encontrar este Lugar onde não haja mais frio.

6 de novembro de 2006

Sabedoria do Velho Barba ou Sobre a atualidade do 18 brumário

Pra retomar minha condição de historiadora...
Para negar minhas tendências pós-modernistas...
Para me render às análises de uma amiga com quem amo teimar...
Para não esquecer o alerta de outra amiga, que sabiamente me recordou a farsa...
E pra lembrar que: antes a tragédia.

31 de outubro de 2006

Vai Saci!!!!!!

Outros causos contados pelos meus alunos. Fortes indícios de que Saci vive e está em todos os lugares.
Minha avó, Dona Francisca tem 65 anos e contou uma vez pra minha mãe uma história sobre o pai dela. Minha vó contou que um dia meu avô se perdeu na floresta e estava com muito medo. Meu avô viu um vulto muito forte e era o saci. Ele foi com o saci no redemoinho que o levou para casa.
Ele falou pra todo mundo, mas ninguém acreditou nele. No outro dia meu avô foi até a floresta para ver se encontrava com o saci de novo, mas o saci não foi mais lá, nunca mais.
*
Eu perguntei pra minha mãe e ela me disse que um dia ela e minha tia foram tirar leite, porque eu morava no Paraná. Daí escutaram um barulho e foram ver o que era. Quando elas olharam não viram nada, mas quando minha mãe olhou pro lado viu um menino negrinho de uma perna só, indo para o meio do mato.
Depois elas pegaram o leite e levaram para dentro da casa. Quando experimentaram, o leite estava azedo. Naquele dia minha mãe, minha avó, meu avô, minha tia e meu tio ficaram sem leite.
A minha mãe não acreditava nessas coisas, em lendas, mas logo quando ela me disse que pensei: foi o saci!
*
Minha avó me contou que um dia ela viu o saci e que presenciou todas as travessuras dele. Ela viu um rodamoinho e uma voz sorrindo em seu quintal, viu os ovos das galinhas podres, viu os nós nas crinas dos cavalos. Sua mãe sempre dizia que era o saci fazendo suas travessuras na região de novo.
Um dia ela descobriu como espantar o saci. Ela pegou uma peneira de palha e uma garrafa com tampa de madeira. Ela pegou a peneira, colocou no chão e em cima a garrafa aberta. Aí ela fez uma vara de pesca e esperou o momento certo e jogou a vara no rodamoinho. Conseguiu agarrar a fonte de poder dele, a carapuça, e pegou a peneira com a garrafa, fez ele entrar e tampou.
O saci fez mil promessas e a minha avó só pediu uma coisa, que parasse com suas travessuras e ele aceitou. Ela abriu a garrafa, devolveu o seu capuz e depois disso nunca mais se ouviu falar do saci.
*
Um amigo meu me disse que na fazenda do avô dele, quando ele acordava, encontrava os rabos dos cavalos trançados e também encontrava pegadas, mas de um pé só. Deve ser o saci, ele diz.
De noite, o avô dele ficava acordado pensando no que devia ser. De repente, o avô dele viu um vulto preto com um gorro vermelho e que andava com uma perna só. Esse vulto foi até o cavalo e trançou o rabo dele. Mas não foi só isso. A porta da cozinha estava aberta e o vulto entrou na cozinha, abriu a geladeira e depois foi embora.
De manhã, o avô do meu amigo viu que nas outras fazendas tinha acontecido a mesma coisa. Aí ele descobriu que fora o saci-pererê.
Então ele ficou acordado com uma espingarda, esperando o saci aparecer. Quando ele apareceu começou a atirar. Acertou em alguma coisa, era o cachimbo do saci.
O avô sabia que ele ia voltar para buscar o cachimbo, então o saci voltou para a fazenda como um furacão. Quando ele se abaixou o avô do meu amigo atirou nele, mas ele fugiu.
Isso nunca mais aconteceu na fazenda do avô do meu amigo, que é no Ceará.
*
Meu pai tem um sítio lá no nordeste. Quando eu morava á ele me disse que um dia ele acordou logo cedo, mais ou menos 5h da manhã e foi trabalhar.
Passou um bom tempo lá. Na hora de vir embora já era tarde da noite e sítio ficava bem longe da minha casa.
Quando ele foi saindo, viu um furacão. Ele deixou para trás e andou mais um pouco. Depois de um tempinho ele viu alguma coisa pulando no mato e foi ver o que era.
A “coisa” usava um chapéu ou um gorro vermelho na cabeça e nós acreditamos que era um saci-pererê. Não sei.
*
Em uma noite, meu avô estava dentro de casa (morava num sítio) e começou a ouvir as folhas voando e o vento batendo na área dos fundos. Ele saiu quietinho e foi para trás da porta. Continuou ouvindo os barulhos mas quando saiu pra fora viu um rodamoinho que de repente sumiu.
Ele logo desconfiou que fosse o saci.
Contra o Raloim, fique com Saci!

26 de outubro de 2006

O outro lado do mito ou a história re-descoberta


Recente descoberta arqueológica vem revolucionar a história, a mitologia e a psicanálise barata. Uma historiadora contemporânea que não quis se identificar, vasculhando clandestinamente um acervo digital público, declarou a este blog que a história de Medusa na verdade não se encerra na famosa batalha entre a mesma e Perseu.

Este confronto imemorial, algumas vezes reproduzido em relacionamentos amorosos, relatava a morte da personagem após ver sua própria imagem refletida em um escudo de aço polido. As serpentes teriam sido decepadas, junto com sua cabeça, de onde brotara o veneno e a cura de todos os males.

A descoberta, no entanto, vem desvendar a atual vida de Medusa. Há fortes indícios que apontam para uma vida boa ao lado de sua ex-esposa, com o amor entre ambos reavivado logo após o confronto com Perseu.

Deste herói, pouco se tem notícia, mas fontes protegidas contam que ele se envolveu em uma jornada de trabalho que pretenda superar a de seu concorrente, Hércules, em busca de comprar sua própria vaga no Olimpo.

A historiadora responsável pela descoberta recuperou-se logo e espera sobreviver a esta nova versão do mito.

11 de outubro de 2006

Pra vestir a camisa!


Hoje todo mundo ganhou presente da diretora na escola.
Uma camiseta do uniforme com o nome bordado.
Pelo dia da catigoria.

29 de setembro de 2006

Uma tia no Playcenter ou sobre adolescentes e outros monstros

De quando todo mundo se encontra no escuro, e no que isto pode dar.

Do programão do qual todos os professores fugiram, a novata aqui aceitou. Êêê a professora vai! Afinal, havia 12 anos que não pisava naquela terra mágica das diversões e do consumo. E dessa vez eu iria do outro lado.
A primeira descoberta foi a Sala dos Professores: telefone, fax, água, café, televisão, internet, sofás. Não consegui ficar nem dez minutos lá dentro porque havia 73 na minha responsabilidade lá fora.
Duas horas depois eles nos encontram, todos encharcados e felizes...tinham conseguido ir em UM brinquedo. Vamo, vamo, vamo, fui. Uma hora de fila para passar um puta medo numa montanha russa violentíssima (é, agora são mais de três). Medo que eu me julgava imune, mas o brinquedo quase arrancou minha cabeça fora.
A uma hora de fila também vale um comentário: novas regras. Quem reclamar de quem furar fila, apanha. Eu, um pouco constrangida, abriguei seis alunos que descaradamente pularam o labirinto de gradinhas prateadas (que são tão cheias de vais e vens que não te dão a dimensão do tempo de espera).
Algumas coisas dos velhos tempos ainda existem, os dumbos voando, o velho carrocel, a velha roda-gigante, o velho cheiro de hambúrguer fritando. Não existe mais o tobogã, o teleférico e, do riozinho fedido que cortava o parque, só resta o cheiro.
E só pra localizar o título deste documento, as 6000 crianças, menos as 73 que me chamavam de sora, me chamavam de tia.
Às seis da tarde, quando nada mais parecia possível, a noite cai e nada se acende. E o parque prepara uma incrível horda de monstros. Agora vejam a tia encarnada: solte seis mil adolescentes, de 10 a 20 anos, de 1,20 m a 2 m de altura. Sozinhos. Agora apague a luz. Agora coloque muitos monstros para assustá-los e correr atrás deles.
As seis e meia eu levei uma cabeçada na boca. As crianças gritam e correm em pânico de braços dados; a cabeça de uma delas está a altura da minha boca. Fui ao ambulatório, em busca de um simples gelinho, e encontro minhas alunas, uma delas com o joelho e a cara pisoteada... por causa desse mesmo pânico. Nada de grave depois, saio com a boca cortada e roxa e com uma aluna mancando pedindo para ir nos brinquedos. Não!
Dez minutos depois, os médicos já rindo da minha situação, volto para buscar outra que foi empurrada e bateu a cabeça. Ela, em pânico, até me ver e ver os monstros do parque começarem a chegar feridos. Naquela uma hora foram quatro. Um com dedo entortado, e três com os olhos feridos por ataques de pulseirinhas fosforecentes.
Eu virei para a aluna para acalmá-la, tentando me acalmar. Ta vendo, tem baixas de todos os lados, monstros, alunos e professores.
Uma hora e meia depois das nove, encontro todo mundo, o motorista, o ônibus, faço chamada, escuto ameaça da mãe cuja filha bateu a cabeça, pego o metrô, compro uma cerveja, tomo e escrevo.

23 de setembro de 2006

Mil chinelos para Lucas


No buteco da Oscar Freire, lotado com os operários que trabalham na reforma das calçadas, o atendente tenta me cobrar 1,90 por um refrigerante. Não, obrigada. Aproveito as mesinhas de plástico da frente do bar para corrigir as redações das 5ºB.
O exercício era fazer uma redação sobre uma pessoa que não sabia ler e foi viajar pelo Brasil. De tudo saiu sobre quem não freqüentava a escola porque era chato, porque os pais na achavam importante e sobre quem era enganado, perdia o ônibus ou a rua certa onde deveria descer.
Faltando meia hora para a última aula do dia resolvi caminhar lentamente pela Oscar Freire para observar cheiros, vitrines, pessoas e preços. Em frente à livraria da Haddock Lobo conheci o Lucas.
Ele é uma criança bem pequena, estava descalça e carregava uma caixa de engraxate feita sob medida.
Ele disse:
Me dá um real pra eu comprar um chinelo? No Pão de Açúcar. Lucas. Tô na 2ª série. Em Guaianazes. Minha mãe ta vendendo bala no farol. Igual a do sítio? É, se você fosse malvada estaria lá no sítio. Não vai dar tempo não, e você pode até perder seu emprego.

Eu disse:
Peraí. Onde você vai comprar? Como você se chama? Está na escola? Onde fica a escola? Cadê sua mãe? Cuca. Mas não sou malvada. Eu to atrasada, senão eu ia lá com você.

Um pouquinho pra frente parei em frente a uma loja da Cartier. Vi jóias que valiam mais de 1000 vezes o preço do chinelo que ele queria. Fiquei me perguntando quanto valeria os pés descalços do Lucas para o pescoço que usaria aquela jóia.

Olhei um pouco pra trás e o Lucas brincava com as moedas que já havia conseguido. Como se fossem bolinhas de gude.

15 de setembro de 2006

Metade cheia, metade vazia


Escrevo para me fazer companhia em um compromisso: terminar uma garrafa de cerveja que sobrou de uma reunião em casa: metade cheia, metade vazia.

Estou na minha 15ª hora acordada, somente a última não foi gasta trabalhando. Parece ruim, mas não é. A minha metade cheia está lotada. Tenho muito mais compromissos do que aconselha a vã filosofia. Porém, os 250 alunos, os 500 problemas, os cinco projetos não remunerados, os bicos e as boas sete horas de sono me deixam feliz.

Para a metade vazia sobram as entrelinhas do tempo.

24 de agosto de 2006

"Causo" baseado em fatos verídicos

Texto da minha aluna da 5ªB, produzido da oficina de "Causos" da nossa cultura.
Por ocasião da festa do Folclore da escola. No sábado 26, todos convidados

"Esta é do Saci-Pererê
Meu pai, de 45 anos, contou que uma vez, quando ele tinha dez anos ,o pai dele contou pra ele que quando ele mesmo tinha dez anos ele foi visitar uma tia que morava num sítio em Bebedouro, interior de São Paulo.
Em uma noite de lua-cheia foram passear na cidade e quando eles voltaram começaram a escutar uns barulhos estranhos no meio do pasto.
Eles olhavam para todos os lados e não viam nada de estranho.
Aí, o pai do meu pai, assustado, perguntou para o tio dele:
_ Tio Lazinho, o que está acontecendo?
_ Não está acontecendo nada, meu sobrinho.
_ Mas tio, por que os cavalos estão assustados no pasto?
_ Não é nada, é só o saci-pererê brincando com eles.
Aí ele, muito assustado, quis ir o mais rápido possível para casa.
No dia seguinte logo cedo ele foi passear com os primos e eles mostraram o que o saci estava fazendo a noite com os cavalos.
O rabo dos cavalos estavam todos amarrados.
O dia seguinte eles foram passear novamente. E na volta novamente os mesmo barulhos.
Como os primos estavam acostumados, não se assustaram, mas o pai estava muito assustado. Mas convenceram ele a ir no pasto de perto, ver o saci.
Quando chegaram no meio do pasto lá estava o saci, pulando com uma perna só, fumando um cachimbo e com uma carapuça vermelha, amarrando o rabo dos cavalos.
Ele saiu correndo para a casa do sítio e no dia seguinte voltou para São Paulo.
Quando ele contou pra mãe dele, ela falou que também tinha visto somente uma vez quando era pequena, e nunca mais quis ir neste sítio.

Agora, eu vou pedir para o meu pai me levar lá, pra ver se eu vejo o saci."

5 de agosto de 2006

Bloco das Professorinhas é visto em casa noturna do Bexiga

DA REPORTAGEM LOCAL
Em mais uma aparição surpresa o lendário grupo político artístico carnavalístico-cultural auto entitulado Bloco das Professorinhas foi visto ontem à noite no mais recente reduto do samba paulistano no tradicional bairro do Bexiga.
Testemunhas disseram que as integrantes do bloco causaram certo estranhamento no público, mas logo integraram-se à balada onde permaneceram até as seis da manhã.
O Bloco das Professorinhas teria surgido em uma carnaval de rua na cidade de São Luis do Paraitinga, em ano não determinado, tornando-se com o passar do tempo um grupo que milita ativamente pela educação pública de qualidade bem como em prol dos espaços livres para o samba.

Leia mais

3 de agosto de 2006

Adolescência!

Cercada por todos os lados por eles, tento conversar sobre história...

Numa sexta série sobre os Direitos Humanos:
_ Gente, quais são os direitos básicos de qualquer ser humano?
_ Trabalho!
_ Educação!
_ Sexo!
*
Na mesma sexta, horas depois, assistindo um filme onde aparece de relance uma sombra do pelinhos daquele triângulo, onde eles sonham aprender geometria...
_ Volta a fita, sora!
Acompanhado de um pulo na cadeira

2 de agosto de 2006

Em Campanha I

Salvem o Líbano!

Em Campanha II


Por mais esta façanha!

Em campanha III


Um Salve para a Rádio Várzea!!!

26 de julho de 2006

A Verdade sobre o Coração


Ontem, no ônibus.
Homem velho – Então, fiz aquele exame lá. Porque disseram que meu coração estava muito grande.
Homem novo – Melhor ter coração grande do que coração pequeno!
Homem velho – Eu vi tudo pela televisão, mas o que me impressionou mesmo foi o barulho que faz.
Homem novo – É assim, né? Tum tum, tum tum
Homem velho – Não, né não. É assim: chuóóó, chuóóó. Quem nem cachoeira pingando.

21 de julho de 2006

Meu último encontro com Medusa


Precisei de uma semana para ganhar coragem e ir procurá-la. No meio da madrugada, depois de todos os meses, um encontro entre quatro paredes. Sem medo.

E a antiga lenda já havia me ensinado. Em meio a abraços de despedida, apontei-lhe meu escudo. A imagem refletida tornou-o pedra

Já sem a temida cabeça, destruí todas as serpentes. Uma a uma.

12 de julho de 2006

Um encontro com Medusa



Decorre da sabedoria popular um ensinamento “Não chama que vem”. Não se costuma falar no nome do diabo, até que se inventaram tantos nomes quantos se permitiu e, assim, disfarçar o inominável.
Outro dia caminhava pela rua com uma amiga, perguntando por um alguém que não mais vi, falei ou tive notícias. Viste? Não, ninguém viu.
Atravessamos a rua filosofando sobre a incrível sabedoria anterior “Se não chamar, também não vem”.
E naquele segundo de vacilo, olhei pra trás e na esquina, atravessando a rua, passava este outro alguém.
Reconheci pela maneira tão familiar de andar, pelo contorno do corpo, pelos cabelos, os braços e claro, pelas serpentes sobre a cabeça dele.
A amiga pensou em chamar. Com o coração na boca, eu virei e continuei montanha acima, pra não virar pedra uma segunda vez.

28 de junho de 2006

Quando nos descobrimos hermanos

Na terça-feira, dia de jogo, havia somente oito alunos na quinta série. Três deles bolivianos.
Nesta sala eu faço meu trabalho de base Brasil-Bolívia. Eles já sabem dos fantásticos Incas e escutam quase todos os dias sobre a discriminação e racismo. Era a chance dos colegas ensinarem o que sabiam para o resto da sala.

Ta bom, gente! Vamos brincar de dicionário português-espanhol.

Como se escreve casa em português? Casa. E em espanhol? Casa.
Tão vendo, moramos no mesmo lugar.
*
Na saída da escola, descobri que um deles tem uma Bíblia em aymara que o avô esqueceu quando voltou pra Bolívia. “Ele deve é ter deixado pra vocês de propósito!”, falei. “Traga pra eu ver, por favor. E descobre alguém que possa me ensinar a falar”.

O outro aluno diz que a mãe dele fala aymara, mas só de vez em quando. Só “quando vem um homem lá em casa, ler o futuro”. Eu digo, “Jura?”. “É, ele é um feiticeiro. Espalha as folhinhas (de coca? é) e lê o futuro.”

24 de junho de 2006

Anhangá, São Jorge e todas as gentes

Quase dava pra dizer que todo mundo do centro estava ali. Uma multidão de gentes.
Office-boys, manicures, vendedores, enfermeiras, camelôs, contínuos, escriturários, corretores de seguros, agiotas, compradores de ouro, garis, aposentados, funcionários públicos, crianças, bebês, meninos vendedores do farol, moradores de rua. Sem esquecer das meninas do Cine Cairo, que não abandonaram seus postos de trabalho sob a supervisão do cafetão gay que não nos deixou usar o banheiro.
Estava quase todo mundo de verdeamarelo, com aquelas cornetas que nos dá um som de boiada, outras estridentes, outras improvisadas.
O imenso telão lá da frente não dava pra todo mundo. Na nossa frente, duas palmeiras e uma teimosa goiabeira que nasceu no vale do Anhangabaú. Uma das palmeiras ficou tentando sair da frente o jogo inteiro, estava até meio torta...mas com uma visão privilegiada da partida.

Primeiro tempo. A gente meio de canto, pensando nas próximas umahoraemeia em pé. Nos esgueirando entre um sem número de pescoços, cabeças, cabelos e bonés. Sempre tem uma fresta.
Vários lances depois (UH!), o gol do time de azul. Quase todos os comentários que ouvi:
“Viu, o Brasil é uma bosta mesmo!”, do aposentado. “Esse gordo não presta pra nada!”, do moço. “Zico viracasaca!”, da minha amiga. “Timinho de frouxos!”, por um grupo de meninas. “Acabou o jogo, perdemos!”, da minha outra amiga. “Eu sabia!”, de um monte de gente.
Alguns lances depois (UH!). Veio o gol do time de amarelo e branco. Explosão inimaginável que me deu saudade do estádio de futebol. O clima de “Vai, Brasil!” estava de volta, com tudo! Quase todos os comentários que ouvi:
“Somos os melhores do mundo!”, do aposentado. “Vai, gordão!”, do moço. “Chupa, Zico!”, da minha amiga. “Esfrega na cara deles!”, das meninas. “É nóis!”, da minha outra amiga. “Eu sabia!”, de um monte de gente.

No intervalo deu uma esvaziada. Fomos dar uma volta e paramos em frente ao Cine Cairo. Apoiamos na grade pra ver. Todo o vale estava cercado, as partes gramadas e os bancos. A equipe de garis do alto de sua autoridade, afinal ia sobrar pra eles limparem tudo mesmo, ocupava um destes camarotes gramados. Junto com dois seguranças, um meio bêbado que não arredava pé do lugar.
Os garis ensaiavam umas pernadas da capoeira quando duas crianças que vendiam balas pularam a grade pra dentro. Plupt! O segurança que não arredava pé olhou e continuou não arredando. O outro veio cutucar, pra tocar as crianças dali. Este aí segura o menino e o ajuda a passar fora da grade, ele resiste com as perninhas, tentando dizer que ele só queria atravessar pro outro lado. O segurança deixou e eles foram pular pra lá, onde havia mais fregueses e de repente uma visão melhor. Nesse tempo passa em nossa frente, pra dentro da mesma grade, um homem de muletas, com a perna quebrada. O outro segurança continuava lá, fixo na tela como um hipnotizado “Vai, Brasil!”

Segundo tempo. Fomos pro meião, já sem medo de pescoços ou cabeças. Somos todos do mesmo time. Já fazíamos amizade com a vizinhança, agora duas enfermeiras, quatro moças, um velhinho tatuado que olhava feio a cada palavrão que falávamos, uma senhorinha minúscula que catava latas. Depois de alguns lances (UH!), outro gol da equipe amarela e branca. Não pulei e só olhei para os lados. O sorriso da senhorinha que também não pulou me entupiu os olhos de lágrimas. Não, eu não vou chorar por futebol. Mas não era pelo futebol que eu quase havia chorado.
Dali pra frente, todos os UH! Mais dois gols dos amarelo e branco, vários abraços, outras lágrimas, outras cervejas. Final da partida!

Na seqüência, o show do Zeca Pagodinho. Antes, busca por um banheiro lá em baixo do viaduto. Ao lado dos banheiros, a equipe de camelôs que não podia entrar. Churrasco, amendoim, pipoca, cerveja, batida de jurupinga na garrafa pet. Ficamos com churrasco e pipoca. No longo caminho de volta, já dava pra ouvir o bêbado Zeca começando o show, com a música que eu imaginei que, como um bom devoto, ele começaria.

“Vou acender velas para São Jorge. A ele eu quero agradecer!”

Até quase o final do show deu pra ver que o velho mau-espírito Anhangá não mora mais ali.
Ou estava mesmo é assistindo o jogo.

20 de junho de 2006

Às vezes...

Noites de luxúria com meu computador...Uma das minhas diversões preferidas, beber uma cerveja e escrever neste blog. Só faço isso às vezes.
Eu esperei meses pra fazer isso. E nem sei porque estou fazendo hoje. Acho que consegui, depois de quase cinco meses de escola, desligar o cérebro.
Brinde a isso, então!
*
Desci no barzinho da esquina (aquele que o dono me estende um LM quando me vê). Cheguei com a garrafinha, que é dele emprestada, e ele me vendeu uma brejinha quase cremosa de gelada. Só pra clientes preferenciais. Também vai ser a única, porque amanhã tem 5ªB.
Este bar tem uma peculiaridade, me vende cigarro fiado. De manhã saio pra escola em transe, correndo, às vezes pego um maço e pago na volta. Eu gosto das relações de interior que se criam, saudades da caderneta da mercearia e da conta na locadora.
*
Tenho saudades, às vezes, de morar no Butantã. Mas acho que eu não conseguiria trabalhar o tanto que eu trabalho hoje, como eu não conseguia naquela época.
Cada dia, uma desculpa: preguiça,vou plantar, pintar vaso, brincar com a cachorra, fumar o dia inteiro, vagar e inventar de mudar o mundo.

Pelo menos agora dá a impressão, bem de vez em quando às vezes, de estar mudando o mundo...

18 de junho de 2006

Em plena campanha "Se é pra ir...


vai Brasil!

(ou volta de uma vez!)

14 de junho de 2006

Mudam-se os tempos...mas não muito


Escrevia na lousa sobre a aventura das navegações. Na 5ªB, claro.
Consegui conversar com eles hoje de novo, e contava sobre os monstros que viviam na imaginação dos navegadores que tinham coragem de se enfiar num barco por meses, temendo ciclopes, dragões e sereias...
_ Tinha loira burra, sora?
Não entendi, continuei falando outra coisa, pedi pra alguém sentar, pedi pras meninas pararem de falar, escrevi mais um pouco na lousa. Escutei o papo dos dois menininhos da frente.
_ Então dizem que ela corta a boca com uma faca, pra você não gritar...
_ E tem que dar três descargas...

Parei, olhei e perguntei. Como se chama a loira?
_ Loira burra, sora!

A menininha do fundão vem correndo...
_ Um dia eu cheguei no banheiro e encontrei uma menina chorando no canto. Ela disse que não entrava no banheiro porque a loira burra tava lá.

Gente! Pessoal! Sabia que faz pelo menos 20 anos que esta história existe? Será que é verdade mesmo?

_ Claro que é, Sora!, responde o David. Eu já vi.

26 de maio de 2006

Sem medo

Carregando os livros que peguei de volta, num sopetão, sem olhar muito pra trás, sentei no ponto de ônibus da Corifeu.

Que estava vazia...que nem eu.

No caminho de volta, vi poesia...
. no homem que corria pra pegar o ônibus
. na moça de cor-de-rosa sentada encolhida nos degraus de um sebo

Será que alucinei depois da pinguinha mexicana?

24 de maio de 2006

Hoje vivi o inverno de um ano atrás

Este frio nublado me trouxe lembranças estranhas, que eu quase julgava apagadas.

Quando eu tirei um cobertor do baú, e com ele veio o cheiro conhecido, que quase julgava apagado.

Há um ano atrás eu devia estar assim igual...

Preciso mandar o cobertor pra lavanderia, e parar de ouvir a Vanessa Da Mata

"Se voltar desejos
Ou se eles foram mesmo
Lembre da nossa música
Música
Se lembrar dos tempos
Dos nossos momentos
Lembre da nossa música
Música

Um costume de nós
Fica agarrado
As lembranças, os cheiros.
Dilacerados
Nossa bela história
Está no passado
O amor que me tinhas
Era pouco e se acabou"

22 de maio de 2006

Fomos lá e fizemos...

Este final de semana foi muito especial. É muito bom concretizar planos, especialmente quando estes planos envolvem amigos, trabalho, militância, educação, e futuro.
Depois de dez anos de amizade vejo que sim, a gente consegue fazer juntos aquilo que planejamos muitas vezes. Não que estes planos tenham sido inúteis.
Sonhar o mundo fez parte da minha formação, foi a melhor parte, eu diria. Estava só esperando a hora de fazê-lo.
Afeto, ânimo, reconhecimento, luta e esperança.
Tudo isso em dois dias e uma noite.

“(..)Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo eu vou vivendo a utopia e vou levando a vida
Eu vou viver bem melhor
Doido pra ver o sonho teimoso um dia se realizar”

(Da música cantada em roda, por todo mundo, entre abraços e cartazes com mãos estampadas de crianças, com o carinho da comida quente na barriga e mais um pontinho acrescentado na vontade para mudar o mundo)

19 de maio de 2006

5ª B 25 X 1 Professora Angela


Na última quarta-feira marquei um ponto na quinta série B

Só pra não passar por debaixo da mesa....


Arminha amplamente utilizada neste universo paralelo

5 de maio de 2006

Em primeira mão...

Logo às seis da manhã a piada já estava pronta.

"Que dia horríver...", morria de rir o cobrador do 119C, enquanto contava para cada um dos (quase todos) corinthianos que entravam no busão.

Saindo do terminal um berro, para que o fiscal corinthiano lá do outro lado escutasse.
E de sobra, todo o pessoal que circulava.

Tem sempre alguém que se diverte.
Vai Brasil!

3 de maio de 2006

Em homenagem a...

Jonathan, Eny, Joel, Rodrigo, Sônia, Estefani, Gloria, Ayrton, Brandon, Milenka, Jesus, Jhosselim, Jhasmany, Jéssica, Elaine, Milena e Lucy

Meus alunos e alunas bolivianos (as).

Celebramos...


a luta do povo aymara!!!!

19 de abril de 2006

Camarada Expedito!


Para todos os impossíveis!

Reveldes

Virando alfacinha na frente da televisão, depois de mais uma manhã exaustiva de salas de aula resolvi dar um pulinho no Rebeldes, a sensação televisivo-mexicana do momento.
Medo!

Apesar de eu ter superado há algum tempo a idéia da televisãoquimera, que meda! A imagem que se faz da escola, é sempre a pior...agora eu entendo onde se encontram aqueles ali dos posts abaixo.

Episódio de hoje:
Uma sala de aula cheia de alunos ricos, de famílias aristocráticas. Colégio interno com uniforme tradicional. Leia-se: mini mini saia, camisa amarrada, bota salto agulha, cabelos tingidos com mexa (agora eu vejo a Pámela da 5ªB que imita os mesmos). Fora um suspensório pendurado, riidículo, e uma gravata amarrada direto no pescoço. Resumindo: barbies escolares ou fantasias sexuais de marmanjos.

Uma classe em fúria, guerra de bolinhas, professor de terno gritando nomes e levando bolinhada na cara (isso ainda não me aconteceu, os meus não miram em mim). De repente, o novo diretor entra. Silêncio, ele puxa a blusa da menina de barriga de fora, chama um garoto dark do fundão e diz que o sobrenome dele Bustamente não deveria aceitar hippies (hahaha).
Daí, o homem puxa uma navalha e ameaça cortar o cabelo do reveldinho dos reveldes. A tchurminha dos personagens principais interfere e evita a carnificina do pobre cabelo cuidadosamente despenteado com trancinhas (nem um rastinha sujo ele tem, pobrezinho do reveldinho).
E tem a fala final da cena:
“No intervalo vocês vão se dar conta do que eu posso fazer com os alunos....Reveldes!”, do diretor, arrumando os óculos com o dedo indicador naquela posição de hastalavista!

Fodio!

17 de abril de 2006

Tô voltando!

Semana que vem volto a escrever com calma...

Semana que vem volto lá pra folha, fazer biquinho...

Semana que vem tem internet rápida.

EHEH!
Dormir pra quê?

7 de março de 2006

Leia mais, companheiro (as)!

http://www.apeoesp.org.br/fax_urgente_2005/frame.htm

Primeiras viagens, parte II

Hoje me sinto bem perdida. Aliás, tomei um perdido da 8ª Série. Todo mundo da escola toma, eles riem até da diretora. Dos 35 alunos, 25 são muito legais, legais mesmo. E eu estou vendo a energia deles sendo minada pelos outros 10, que fazem uma puta zona na sala.
Hoje, me rendi. A não ser pelo fato que vou ter que voltar lá amanhã, e depois, e depois, até o final deste ano. E hoje, especialmente, não vejo nenhuma solução praquela classe, não dá nem pra falar com eles com a turma dos 10 imitando pregão de lotação e de feira. Perdi a voz e a energia, fiquei esperando o sinal bater desesperadamente. Vocês perceberam quanto vale cada segundo em sala de aula? Horas...
As soluções básicas: gritar muito, humilhar o aluno, xingar de ignorante pra baixo. Mas eu não tenho coragem de peitar aqueles homões, além de achar isso o fim do mundo. Mas estou com problemas até para dar uma advertência pra mamãe deles assinar. Minha solução? Vai trabalhar, vagabundo. E estudar à noite, ganhar seu dinheiro, entender da vida. E não ficar pobre com síndrome de playboy, com 16 anos estudando de manhã, hiper repetentes (sim, tem gente que consegue) e o pior, aloprando a galera que está afim, mas que fica sentada na sala, em silêncio, segurando a cabeça de tristeza e tédio.

Conclusões:
Primeira: eu mato quem foi o desgraçado que disse que a solução está na educação. A bucha, tá pra nóis. A proteção da crianças, também. Alguém mais pode fazer o favor de protege-los, por gentileza?

Segunda: Eu nunca serei diretora

Terceira: Eu serei mãe????

AGORA A MELHOR:
Geraldo Alckmin, venerável governador, aproveita enquanto ainda não é candidato e, por meio de um decreto no carnaval, transforma o padrão quilo = 1000 g em quilo = 900 g.

Ops, errei: o padrão hora-aula = 50 minutos em hora-aula (para professor) = 60 minutos. Implicando em que teremos que pagar os restante das horas, pra quem não tiver tempo durante a semana (porque professor quase não trabalha), aos finais de semana, sendo voluntários compulsórios no lindo programa Escola da Família.

Hoje estou sangue no zóio.
Eu quebraria a Paulista ao lado dos meus companheiros!
AHHHHHH!

Preciso de um sindicato.

21 de fevereiro de 2006

Primeiras viagens, Parte I

Lanço ao mar esta garrafinha cheia de dúvidas. Educadores (as) e professores(as), S. O.S. Pelamordedios!

1. Resolução de conflitos em sala de aula
a) Como resolver um conflito banal, como: “Sora, ele pegou meu lápis!” ou mesmo “Sora, ela jogou a minha tampa de caneta lá”
b) Como resolver um conflito grave,como o menino de 14 anos da 5ªB dizendo para a menininha de 10 anos da mesma sala que ia “arregaçar a boceta dela”
c) Como resolver este típico argumento infantil: “Foi ele que começou, Sora!”

2. Métodos e mágicas
a) Como atender a 40 chamados ao mesmo tempo.
b) O que fazer com uma sala refugo (desculpe o termo, educadores), que tem todo o tipo de crianças, como:
1. Com dificuldade de aprendizagem e um histórico familiar que só o resumo me arrepiou (vou poupa-los), que não enxerga a lousa, não quer sentar na frente (vou tentar de novo), me chama a cada linha pra ver se está certo, fica com preguiça de copiar no meio da aula e ainda é chamada de bugiganga pelos meninos da sala, porque fica mexendo com eles o tempo inteiro.
2. Uma criança quieta porém copista. Sem autonomia para escrever. Quando escreve, parece grego arcaico. Só o alfabeto está certo, e a caligrafia bonita, e as canetas coloridas. O sentido das sílabas, nem ela sabe.
3. Um outro menino muito barulhento e muito bom, que acaba antes de todo mundo e fica falando (que na quinta série significa gritar devido ao tom de voz “franguinho desafinado” que eles tem).
4. Na onda deste que fala muito, mais uns cinco, que eu olho o caderno de cinco em cinco minutos, demoram pra terminar, estão três lousas atrás e mandam mal na escrita.
5. Uma outra lindinha e meiga que não quer falar do passado porque viu coisas que ninguém merece. A linha do tempo dela teve que ser feita em cima de seus ídolos: os artistas do Rebeldes. Correram duas lágrimas quando ela contou porque não lembraria da própria vida. A coordenadora chamou de chantagem emocional. Sei não. Aliás, ela quer ser modelo e já tem um grupo de dança que imita estes aí em cima
6. Uma grande massa de crianças que mandam super bem, interessadas, que acabam no tempo médio.

Será que eu perdi estas aulas na FE/USP?

3. Resistir ou ceder?

a) Quais tipos de “broncas” ou “erguidas” podem fazer efeito sem nos utilizarmos daquelas que eles escutam há anos, berradas e cheias de chantagem. Ai, a chantagem, difícil de se livrar. Será que este tipo de escola também está na minha mente e corpo pra sempre?
b) Como lutar contra o paradigma: invisibilidade = silêncio vs. visibilidade = baderna? Eu quero que eles aprendam a falar comigo!

4. A infra que me falta
a) Como trabalhar com textos sem livro? (Metros e metros de lousa todo dia)
b) Como trabalhar com fotos sem material?
c) Como eu vou ensinar a História mesmo?

Ai!

16 de fevereiro de 2006

Vergonha, vergonha


Vergonha, vergonha
Vergonha, vergonha
Vergonha, vergonha
Vergonha, vergonha
Vergonha, vergonha

12 de fevereiro de 2006

Bosta de internet

Desculpem a ausência prolongada. Mudei de vida e perdi a internet rapidinha do trampo. Estou aqui com esta lesminha que me impede de publicar o que quero, comentar blogs amigos e tudo mais

Começo a aula depois de amanhã. Medo de criança? Eu?

25 de janeiro de 2006

O mundo é uma quitinete, parte XXIII

Peguei carona com grande amigo do meu primo, que é primo de uma grande amiga. Pode?!

Samba universitário

Fim da noite, samba. Circo Voador, ao lado dos Arcos da Lapa, lua minguante bonita.
Sambinha beeeeem universitário, mas bem legal.

Casa, cinco da manhã. Quero morar aqui.

Assal tim bancos

Outro dia de praia, poxto 9 de Ipanema. Não achei os intelectuais, nem os artistas, nem as modelos, nem os maconheiros, nem os apitos. Só adolescentes.

Tudo muito caro depois fui conhecer o projeto no qual meu primo trabalha. CIEP de Humaitá, meninada nervosa. Dei uns pedaços de aula sobre os saltimbancos, peça que eles vão montar.

Como?

Assalto a banco, dona?

Ridijaneiro

Manhã na praia neste domingão. E, brilhando na areia que me camufla, eu passo por uma turixta. Meu primo salva de não me explorarem muito. Não, merrmão, é dois reais!

À tarde, passeio no centro. Resolvi levar a câmera, contra as recomendações da minha tia e seguindo as do meu primo. Em frente a UERJ, um figura pequeno, com faquinha de serra tramontina, vem delicadamente pegar a câmera do meu ombro. Sai fora merrmão, com um tapa no peito do carinha, que sai fora mesmo! O máximo de medo que planejei passar aqui já rolou. Bom!

Depois daí, fantasiei minha câmera numa sacola de feira e tranqüila subi no bonde de Santa Teresa com um motorista beem carioca, que parava o bonde no caminho pra galera subir no estribo. Lá em cima, vista de tudo com o pão de açúcar no fundo. Foto: depois eu mostro.

Rio de Janeiro

5 horas de viagem à jato num cometão prata mais velho do que eu. Aê pessoal, meu nome é Jorrge, vamos levar umas cinco horas e meia e é proibido fumar mesmo no banheiro, diz o motorista. Aqui se fuma no ônibus, legal!

Às cinco da manhã e 27 graus de calor, encontro quase toda a cidade embriagada voltando pra casa, outra parte caminhando com cachorros, outra trabalhando. Pra não acordar a parte que estava dormindo, resolvi dar um tempinho na praia.

Têm velhos pescando da areia, com gaivotas pairando suaves sobre os peixes. Tem casais caminhando, crianças fugindo do mar gelado e desenhando na areia. Passam três meninos pretos e um pergunta. Aê, rola umas hora aí?

6:30 da manhã, Praia de Copacabana