7 de março de 2006

Leia mais, companheiro (as)!

http://www.apeoesp.org.br/fax_urgente_2005/frame.htm

Primeiras viagens, parte II

Hoje me sinto bem perdida. Aliás, tomei um perdido da 8ª Série. Todo mundo da escola toma, eles riem até da diretora. Dos 35 alunos, 25 são muito legais, legais mesmo. E eu estou vendo a energia deles sendo minada pelos outros 10, que fazem uma puta zona na sala.
Hoje, me rendi. A não ser pelo fato que vou ter que voltar lá amanhã, e depois, e depois, até o final deste ano. E hoje, especialmente, não vejo nenhuma solução praquela classe, não dá nem pra falar com eles com a turma dos 10 imitando pregão de lotação e de feira. Perdi a voz e a energia, fiquei esperando o sinal bater desesperadamente. Vocês perceberam quanto vale cada segundo em sala de aula? Horas...
As soluções básicas: gritar muito, humilhar o aluno, xingar de ignorante pra baixo. Mas eu não tenho coragem de peitar aqueles homões, além de achar isso o fim do mundo. Mas estou com problemas até para dar uma advertência pra mamãe deles assinar. Minha solução? Vai trabalhar, vagabundo. E estudar à noite, ganhar seu dinheiro, entender da vida. E não ficar pobre com síndrome de playboy, com 16 anos estudando de manhã, hiper repetentes (sim, tem gente que consegue) e o pior, aloprando a galera que está afim, mas que fica sentada na sala, em silêncio, segurando a cabeça de tristeza e tédio.

Conclusões:
Primeira: eu mato quem foi o desgraçado que disse que a solução está na educação. A bucha, tá pra nóis. A proteção da crianças, também. Alguém mais pode fazer o favor de protege-los, por gentileza?

Segunda: Eu nunca serei diretora

Terceira: Eu serei mãe????

AGORA A MELHOR:
Geraldo Alckmin, venerável governador, aproveita enquanto ainda não é candidato e, por meio de um decreto no carnaval, transforma o padrão quilo = 1000 g em quilo = 900 g.

Ops, errei: o padrão hora-aula = 50 minutos em hora-aula (para professor) = 60 minutos. Implicando em que teremos que pagar os restante das horas, pra quem não tiver tempo durante a semana (porque professor quase não trabalha), aos finais de semana, sendo voluntários compulsórios no lindo programa Escola da Família.

Hoje estou sangue no zóio.
Eu quebraria a Paulista ao lado dos meus companheiros!
AHHHHHH!

Preciso de um sindicato.