26 de julho de 2006

A Verdade sobre o Coração


Ontem, no ônibus.
Homem velho – Então, fiz aquele exame lá. Porque disseram que meu coração estava muito grande.
Homem novo – Melhor ter coração grande do que coração pequeno!
Homem velho – Eu vi tudo pela televisão, mas o que me impressionou mesmo foi o barulho que faz.
Homem novo – É assim, né? Tum tum, tum tum
Homem velho – Não, né não. É assim: chuóóó, chuóóó. Quem nem cachoeira pingando.

21 de julho de 2006

Meu último encontro com Medusa


Precisei de uma semana para ganhar coragem e ir procurá-la. No meio da madrugada, depois de todos os meses, um encontro entre quatro paredes. Sem medo.

E a antiga lenda já havia me ensinado. Em meio a abraços de despedida, apontei-lhe meu escudo. A imagem refletida tornou-o pedra

Já sem a temida cabeça, destruí todas as serpentes. Uma a uma.

12 de julho de 2006

Um encontro com Medusa



Decorre da sabedoria popular um ensinamento “Não chama que vem”. Não se costuma falar no nome do diabo, até que se inventaram tantos nomes quantos se permitiu e, assim, disfarçar o inominável.
Outro dia caminhava pela rua com uma amiga, perguntando por um alguém que não mais vi, falei ou tive notícias. Viste? Não, ninguém viu.
Atravessamos a rua filosofando sobre a incrível sabedoria anterior “Se não chamar, também não vem”.
E naquele segundo de vacilo, olhei pra trás e na esquina, atravessando a rua, passava este outro alguém.
Reconheci pela maneira tão familiar de andar, pelo contorno do corpo, pelos cabelos, os braços e claro, pelas serpentes sobre a cabeça dele.
A amiga pensou em chamar. Com o coração na boca, eu virei e continuei montanha acima, pra não virar pedra uma segunda vez.