26 de novembro de 2007

Pensando na pequena escala da exploração do discurso ecológico

pelo capitalismo do cotidiano.

Essa história de sacolas plásticas eu já pensava há algum tempo. Que mesmo se o lixo fosse todo reciclado, o material orgânico seria embalado em vários sacos de lixo, e assim demoraria uma eternidade para ser incorporado pela natureza, fazendo dos lixões e aterros essas terras estéreis e venenosas pra depois o pessoal ir morar em cima e ficar doente, e ...

Daí até gostei desta discussão sobre a proibição ou controle das sacolas plásticas, que são uma verdadeira obsessão desde que passaram a ficar disponíveis nos supermercados e na hora de empacotar as mãe e as tia pegavam aquele monte "porque serve certinho no meu lixinho da cozinha". E são essas mãe e essas tia que tem aquela sacolas de sacolas no fundo da casa, escondida em algum lugar, como se no final do mundo precisássemos de sacolinhas plásticas para irmos para o Paraíso.

Tá bom, eu tenho um saco de sacolas no fundo da minha casa, que eu pretendo usá-lo todo, mas não ficar alimentando aquele monstro com mais e mais sacolinhas para embalarem o conteúdo de um cinzeiro e irem para o lixo, dentro de outra sacolinha, que depois vai para um sacão preto e depois...

Eu reforcei as bolsas que costurei para mim mesma e estou fazendo compras com elas. Tá bom, tá na moda, mas eu banco.

Engraçado é que na padaria aqui da vizinhança nunca rolava sacolinha de plástico. Antes de pensar em ir comprar comidas com minha própria sacola eu já tive que sair com o pão na chuva, pois só o pão a seis reais o quilo não gerava lucro suficiente para o patrício. E nunca vi nada alusivo a salvar o meio ambiente dentro daquela padoca.

Hoje já estava lá, a plaquinha, digitada no Uordi, avisando que iriamos matar o planeta se usarmos sacolas descontroladamente.

Uma excelente desculpa para o pão durismo do dono, fundamentada no que há de mais recente nos discursos midiáticos, utilizada para só mais um pouquinho de lucro.