10 de maio de 2008

Igreja de Santo Antônio

Uma festa de família há alguns dias atrás

Uma igreja muito linda que descobri.


9 de maio de 2008

De volta para a ...cidadezinha

É a primeira vez, desde que saí desta cidade, que volto pra lá por vontade própria. Uma vez foi de ambulância, a outra, sem teto nem emprego. Não é bem um retooorno, estou lá na pequena cidade das coisas grandes só três dias por semana.

De qualquer forma, ter escolhido voltar me dá finalmente uma sensação de volta pra casa, sem rancor e nem raiva, que alimentei por tanto tempo por esta cidade pequena em vários sentidos.

Até descobri umas coisas bonitas. Olhem só.
Ando dormindo como nunca. E descobri que o silêncio de lá até dói no ouvido, é a briga dos pardais que me acorda, ou a luz do dia, que de tão forte parece quase meio dia e ainda são oito horas da manhã.

Tem também a minha rua, onde mora minha mãe há 22 anos. Os vizinhos são os mesmos, as árvores são as mesmas, a não ser as que cairam como o imenso pé de jaca onde enterrei minha cachorra para que pudesse ficar olhando lá de cima do terreno da vizinha.
Estes mesmos vizinhos me cumprimentam como se eu nunca tivesse saído de lá. E as pessoas que eu não conheço cruzam o olhar com o meu e acenam com a cabeça. É o interior.
Só a velhinha que não fica mais sentada na varanda da sua casa, uma velhinha quase minha avó de tanto que brinquei na casa dela. Ela ficava lá controlando a rua, e hoje não dá mais.

Há 20 anos atrás minha rua estava no final da cidade, era uma rua onde passavam poucos carros, então a quadra que riscávamos com gesso no asfalto durava dias, e bastava uma mãe no portão pra gritar "carroooooooo" de vez em quando para levantarmos a rede improvisada e deixar o carro passar. Chegamos a roubar um cavalete para fecharmos a rua, um dia, mas não durou muito e a prefeitura levou.

No final da rua havia uma bica, e junto da bica uma árvore, que ninguém ia por ter medo do padre que se enforcara lá. De dia até que ela era bonita, mas dava para ouvir o barulho dos galhos rangendo. Acho que era mais uma história inventada pra ninguém ir lá, no arvrão dos maconheiro. A árvore foi derrubada quando construíram ali um centro de lazer e um posto de saúde, mas ainda existe o toco.

No quintal da casa de minha mãe as árvores são quase as mesmas: um pé de pinha que produz bastante. Da briga entre o limoeiro doente e a pitangueira sobrou a pitanga. E no outro quadradinho do cimento uma primavera briga com outra trepadeira faz muito tempo. E as duas permanecem lá, sem nem morrer nem crescer direito.

A linha de trem que dividia meu bairro com a cidade não existe mais, e antigamente o silêncio era quebrado por aquele chacolhar e um apito. Disto eu sinto saudades.

É isso, to com esse post na cabeça faz uma semana, mas agora lá to sem computador nem internet. Devagar eu to voltando.