31 de dezembro de 2009

Um bonito número!


O número dez quase sempre me cativou.

O dez na prova.
Os dez anos de idade, quando fazemos duas mãos cheias de dedos.
A camisa dez.
A tabuada do dez é a mais fácil.
As dez da manhã é uma hora linda de acordar.
A facilidade do dez virar centena e milhar.
Todo dez é também uma forma de um, então: recomeçar!

Então, para todos os queridos ouvintes e leitores,
amigos e amigas próximos e distantes,
amantes do passado e do futuro e também para os imaginários,
para meus irmãos e irmãs,
para meus alunos e meus professores,
para meus pais, tios e avós vivos ou só na memória,
para os bebês que nasceram e nascerão,
para os meus amores,

desejo um ano inesquecível e novinho em folha!

27 de dezembro de 2009

10 anos!


Hoje é meu aniversário!

E eu ganhei um presente lindo, notícias de uma árvore que eu não conhecia.
Ela se chama açucarina e tem folhas brancas que ficam da cor dos seus desejos quando você as toca.
Só se pode encontrá-la muito longe ou quando você dorme, no dia de seu aniversário, de um jeito que eu não vou contar.

Eu tenho dois aniversários. Nesta noite, como há dez anos atrás, vou poder tentar de novo!

14 de dezembro de 2009

O abraço de amor, do Matisse


Para algumas pessoas o abraço de amor tem apenas seis traços.
Parece tão simples, e tão bonito, que dá até vontade de chorar.

Sabedoria Herivelto

...vou indo caminhando
sem saber aonde chegar
quem sabe na volta
te encontre no mesmo lugar.

3 de dezembro de 2009

A longa travessia ...

Ontem acabei de ler o livro, depois de duas começadas e cinco anos.
Chorei sozinha e baixinho, porque entrei madrugada adentro pra chegar até o fim do sertão.
Acho que aprendi um pouco mais sobre o amor e hoje meu peito tá até doendo de saudades do Riobaldo.

Aí embaixo uma foto do manuelzinho-da-croa, um passarinhozinho que é personagem.




É aquele lá: lindo!’ Era o manuelzinho-da-croa, sempre em casal, indo por cima da areia lisa, eles altas perninhas vermelhas, esteiadas muito atrás traseiras, desempinadinhos, peitudos, escrupulosos catando suas coisinhas para comer alimentação. Machozinho e fêmea – às vezes davam beijos de biquinquim – a galinholagem deles. — ‘É preciso olhar para esses com um todo carinho...’ – o Reinaldo disse. Era. Mas o dito, assim, botava surpresa. E a macieza da voz, o bem-querer sem propósito, o caprichado ser – e tudo num homem d’armas, brabo bem jagunço – eu não entendia!
(...)
O Urucuia, perto da barra, também tem belas croas de areia, e ilhas que forma, com verdes árvores debruçadas. E a lá se dão os pássaros: de todos os mesmos prazentes pássaros do Rio das Velhas, da saudade – jaburu e galinhol e garça-branca, a garça rosada que repassa em extensos no ar, feito vestido de mulher... E o manuelzinho-da-croa, que pisa e se desempenha tão catita – o manuelzinho não é mesmo de todos o passarinho lindo de mais amor?...

21 de novembro de 2009

17 de novembro de 2009

31 de outubro de 2009

Coisas que não sabia sobre árvores.


O que eu não sabia

...que a árvore do Klimt é bem maior, dá muito mais voltas.

...que está no paraíso e que quem comer do fruto dela, aquele dos olhinhos egípcios, terá a vida eterna.

...que a Eva, sabiamente, comeu outro fruto, o da árvore do conhecimento, e que por isso existimos.

... que nós, os humanos, também aparecemos no painel pelas figuras de nossos pais originais e que eles abraçados se preparam para a aventura de criar a humanidade.


O que eu não sabia e aprendi ontem

... que as árvores tem bebês, sexo, pele e pensamentos.

... que elas dizem oi, eu te amo, obrigada e até breve, e que a gente pode aprender a entender arvorês.

... que elas ligam o centro da terra ao universo e tem com isso a facilidade de nos manter nos eixos.

... que existe e eu ganhei de presente um manual pra aprender isso.


O que eu já sabia

... que em espanhol, a língua que mais gosto, a árvore ou el árbol está no masculino e é um homem.

18 de outubro de 2009

Tamara vuela dos veces



Pra quem nunca ouviu o Galeano, vale escutar esta historinha, que é uma das mais lindas

17 de outubro de 2009

Árvore da Vida, do Klimt


Das ficções penduradas pelo meu quarto esta é a única que não fala diretamente do amor. Apesar de que todos estes caracóis e bolinhas coloridas como flores só me fazem pensar nele.

Dá pra perceber também que esta árvore da vida ultrapassa as molduras que puseram pra ela, num corcovear infinito de vais e vens, quase mesmo que nem a vida. Alguns galhos desta árvore mítica produziram uns frutinhos, que parecem ter dois olhos egípcios, os quais eu não consigo interpretar.

Sentado quietinho, de costas pra nós, está o urubu, ou o corvo, ou uma coruja, ou mesmo um assum preto. Ele, de vez em quando, se alimenta dos frutinhos com olhos egípcios. Neste dia morre um monte de gente.

Depois parece que ele faz cocô e fertiliza o chão ali embaixo, e mais bolinhas coloridas vão crescendo como flores. Nesse dia nasce mais um monte de gente e os galhos da árvore se contorcem de alegria...

16 de outubro de 2009

Picasso e o nu feminino


Percebi quando ele acordou e se vestiu em silêncio.
Não calçou os sapatos para não me despertar.
Fingi que continuava dormindo e senti quando ele sentou em minha cama e titubeou por um tempo, entre sair para a vida na rua, no inverno gelado, ou permanecer na minha cama quente, no quarto que cheirava a flores vermelhas e brancas que ele me dera de presente.
Nesta mesma hora, soube que ele voltaria.

*mais uma da série "ficção nas paredes do meu quarto"

12 de outubro de 2009

...

... raro mesmo é o encontro.

Coisas que li por aí, depois de ouvir que meu coração brilha no escuro

4 de outubro de 2009

Janela para o medo n.2


Medo de trovão

"Porque eu detesto gente gritona, agressiva e que assusta a gente no meio da noite"

3 de outubro de 2009

Janela para o medo n.1


Medo de infinito.

"Porque o infinito é o mais longe que se pode ficar de alguém"

1 de outubro de 2009

Aula de catequese

Em parte oferecida pelos meus alunos do 1 ano
Totalmente inspirada pela encantadora de gatos


- Primeiro padre
- Fundador da Igreja Católica
- Renegou cristo 3 vezes
- Tem a chave o céu. Na verdade, do leitor de água da casa do céu. Só lembramos dele quando chove.
- Também quando tem festa juninha, mas é pra pedir chuva.
- Em S. Miguel do Gosthoso, de onde vem esta foto, São Pedro anda em pé no barco, guiando os pescadores para o mar.

28 de setembro de 2009

el guante blanco, J. Miró


Na lua cheia ou na lua nova
Ela, feito uma boneca de palito,
fervia por dentro esperando
a chegada de sua mão.

25 de setembro de 2009

Lovers, do R. Magrite


Soube desde que botei os olhos em você de que teria que te dar de olhos fechados. O pouquinho que eu abri, olha no que deu, me perdi nas suas profundezas.
Devia de ter aberto menos...

20 de setembro de 2009

O abraço, do P. Picasso

Saí correndo de casa para ver se conseguia vê-lo.
Na porta da fábrica, escutei a sirene das 18h ainda distante uma esquina do portão. De longe eu o ví, calça marrom e camisa, cabelo lavado de banho ou de suor, não importava.
Corri levantando minha saia para que pudesse parar naquela esquina em que ele sempre me via. Ele veio com passos cansados e decididos, não disse nada. Passou seus braços pela minha cintura e deitou sua cabeça, encostando seus olhos nos meus. Só respirava meu alento.
Sabia que aqueles encontros de todo dia eram só nossos. Escutei as casas ao redor fechando os olhos. Os outros desviavam do abraço indiferentes. Um pintor na esquina imaginava a cena.

Porque...

...em terra firme, também ocorrem muitos naufrágios...

7 de setembro de 2009

6 de setembro de 2009

Sabedoria Goethe, o Wolfgang

"Não importa como nos posicionemos, sempre nos imaginamos vendo. Acho que o ser humano sonha apenas para não parar de ver."

Do diário de Ottilie em As Afinidades Eletivas

21 de agosto de 2009

Sabedoria da Cecília, a Meireles

Já disse um poeta persa que, se não fosse o suspiro, a gente morreria sufocada...

19 de agosto de 2009

Sabedoria Jimi, the Hendrix




Hoje, essa música não me saiu da cabeça


Manic depression is touching my soul
I know what I want but I just dont know
(...)
You make love, you break love
Its all the same...

Ai, roquenroll...

5 de agosto de 2009

Hoje tem eclipse


E vai acontecer bem na hora que a lua vai ficar cheia...

E melhor tomar cuidado.

20 de julho de 2009

O forró e o amor

Tem pouco do que eles chamam de "pé de serra", mas do rala rala e do arrocha...viche!
Dá até um suadô...só de assistir. (Eu to assistindo, tá?)

Escrevi um texto sobre o amor e o forró, mas não deu tempo de digitar.
De qualquer forma, o Luiz Gonzaga já tinha escrito sobre isso...e muito melhor do que eu.

Vem, morena, pros meus braços
Vem, morena, vem dançar
Quero ver tu requebrando
Quero ver tu requebrar
Quero ver tu remechendo
Resfulego da sanfona
Inté que o sol raiar

Esse teu fungado quente
Bem no pé do meu pescoço
Arrepia o corpo da gente
Faz o véio ficar moço
E o coração de repente
Bota o sangue em arvoroço

Esse teu suor sargado
É gostoso e tem sabor
Pois o teu corpo suado
Com esse cheiro de fulô
Tem um gosto temperado
Dos tempero do amor

10 de julho de 2009

O acaso e o transitório

Fui no museu de Brennand, aqui em Recife, e me recebeu um arco de Oxóssi que é o símbolo do espaço.

Este lugar é uma oficina, numa antiga cerâmica, onde um visionário artista plástico esculpiu em barro um outro mundo de mitologia, sexo, natureza, nascimento e morte.

Além de Oxóssi, encontrei este poema dedicado ao artista, escrito por Carlos Pena Filho. Outra descoberta!

A SOLIDÃO E SUA PORTA
A Francisco Brennand

Quando mais nada resistir que valha

A pena de viver e a dor de amar

E quando nada mais interessar,

(nem o torpor do sono que se espalha).

Quando, pelo desuso da navalha

A barba livremente caminhar

E até Deus em silêncio se afastar

Deixando-te sozinho na batalha


A arquitetar na sombra a despedida

Do mundo que te foi contraditório,

Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório

E de que ainda tens uma saída:

Entrar no acaso e amar o transitório*
*é a missão do segundo semestre!

1 de julho de 2009

Atividades suspensas temporariamente

Férias!!

25 de junho de 2009

Sabedoria Adélia Prado

CONFEITO

"Quero comer bolo de noiva,
puro açúcar, puro amor carnal
disfarçado de corações e sininhos:
um branco, outro cor-de-rosa,
um branco, outro cor-de-rosa."

9 de junho de 2009

Em campanha:

do Latuff

Eu tenho muita vergonha da Suely Vilela!

6 de junho de 2009

De pés

Um pé com orientação


Outro pé com asas protetoras

27 de maio de 2009

Salve, Xangô!


Salve, Xangô, meu Rei Senhor
Salve, meu Orixá
Tem sete cores sua cor
Sete dias para gente amar

Mas amar é sofrer
Mas amar é morrer de dor
Xangô meu Senhor, saravá!
Me faça sofrer
Ah, me faça morrer
Ah, me faça morrer de amar
Xangô, meu Senhor, saravá
Xangô Agodô

Vem chegando a madrugado, ô,
O sereno vem caindo,
Cai, cai, sereno devagar,
Meu amor está dormindo.

Deixa dormir em paz,
Que uma noite não é nada,
Não acorde meu amor,
Sereno, da madrugada !....

20 de maio de 2009

Lista de coisas elegantes

*inspirado no filme do Peter Greenaway, nas garrafas de vinho e nas companhias de sábado a noite

Flor de angélica


Pés descalços




Chuva de flores de ipê roxo



Textura de tecido de algodão



Chocolate derretido



*para o Jims, que me inspirou a lista.

Lista de coisas irritantes

...que são também deselegantes.


Gente que abaixa demais o banco do ônibus... ou que não levanta pra você sair da janelinha.


Fila de restaurante por quilo...

11 de maio de 2009

Papo de Boteco

Já era bem tarde, a gente sabe.
O samba já tinha acabado, pois juraram acabar as 11h pra ter pouco mais ter sempre.
Naquele canto em que se espera pela fila do banheiro, dois bambas conversavam sobre uma inscrição na porta do masculino que dizia:

"Demônios, leiam à Bíblia"

Porra, cara. Tá errado! Não tem crase ler a Bíblia. Senão você vai estar lendo para a Bíblia. Não, tem sim, olha lá, leia ao livro. Não, mano, e leia o livro....

Não sei se chegaram a uma conclusão, estava nesse pé quando saí rindo da portinha do feminino. Não consegui opinar, nunca aprendi crase direito.

8 de maio de 2009

Papo de salão


Hoje pedi:
_ Antonia, me pinta as unhas com uma cor de poder
Ela responde sem pestanejar:
_ 40 graus*. Esse papo de branquinho é pras virgens...

* um esmalte que grita de tão vermelho.

6 de maio de 2009

23 de abril de 2009

Salve, São Jorge!

E salve Jorge viva viva viva Jorge

Pois com sua sabedoria e coragem
Mostrou que com uma rosa
E o cantar de um passarinho
Nunca nesse mundo se está sozinho

21 de abril de 2009

Sol frio


Espiem esta reportagem. Que medo do sol parar...

15 de abril de 2009

32 anos na praia.

Tentativa de fotografar a lua vermelhinha com uma câmera ruim

Comemorei o aniversário desse ano na beira mar, olhando para a África...

Um dia quente, mas com pouco sol, pra deixar a gente à vontade na areia por horas e horas seguidas, estendidos em panos coloridos.

Quando a tarde foi chegando ao fim estavamos parcialmente encobertos pela areia que ventava, o mar esteve nervoso durante o dia inteiro e agitou o vento.

Parece que a as nuvens abriram um pouquinho no início da noite pra me mostrar a lua cheia vermelhinha que o céu me deu de presente.

8 de abril de 2009

"Era eu era você
Era você era eu
Era eu era meu mano
Era mano era eu"

2 de abril de 2009

I've got to see you again

I've goto to see you again

Lines on your face don't bother me
Down in my chair when you dance over me
I can't help myself
I've got to see you again

Late in the night when I'm all alone
And I look at the clock and I know you're not home
I can't help myself
I've got to see you again

I could almost go there
Just to watch you be seen
I could almost go there
Just to live in a dream

But no I won't go for any of those reasons
To not touch your skin is not why I sing
I can't help myself
I've got to see you again

I could almost go there
Just to watch you be seen
I could almost go there
Just to live in a dream

No I won't go to share you with them
But oh even though I know where you've been
I can't help myself
I've got to see you again

Benvinda ao mundo, Diana guerreira!

1 de abril de 2009

Lua Vermelha


Lua vermelha
quase sem amor
minha luz alheia
brilho sem calor

lua vermelha
branca lua preta
lambe a minha orelha
com a sua cor

lua vermelha
10 da madrugada
sapos na calçada
de nenhum país

lua vermelha
noite sem luís
toda sertaneja
eu sempre te quis

Esperando pelo meu Ulisses.

"Há mulheres que querem que seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres que falam na voz de seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que ele seja minha voz quando Deus me pedir contas.
No resto, quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés, no ciclo das águas e dos ventos. E, vez em quando, seja mulher, tanto quanto eu. As suas mãos eu as quero firmes quando me despir. Mas ainda mais quero que ele me saiba vestir. Como se eu mesma me vestisse e ele fosse a mão da minha vaidade."

"A despedideira", do M. Couto

Salve, salve nossa senhora!


e dê um bom parto para Dianinha que está chegando!

30 de março de 2009

Por uma segunda positiva!



meu rei magro

Sua pele marrom parece da cor do manto
que eu preciso
meu vestido que busco em vão no cabide
e não duvide: nada acho
Embaixo, no térreo de mim onde mora meu ouro coração
bate latejante meu amante escolhido de tanta amizade
me invade namorado da estação
Queria um retalho deste cetim só pra cobrir meu revés
ah, cheirar à mirra e ir visitar meu magro mago rei
E em vez de anfitriã ser romã da sua boca
a teus pés.

mais uma vez, a Lucinda

18 de março de 2009

Movimento: volta Clodô!

Alguém se perguntou quem é o suplente do homi?

Então espia aqui

16 de março de 2009

A morte da cachorra Baleia

"Baleia queria dormir, e acordaria num mundo cheio de preás"

13 de março de 2009

Coração Marinheiro

Você de manhã me chegou com olhos de água do mar
Seu corpo de praia virou meu refúgio
Meu barco vazio ancorou
À sombra dos seus coqueirais
Meu coração marinheiro deixou
A rosa dos ventos pra trás

Você numa noite me olhou com olhos de fundo de mar
Seu ventre de ilha virou meu naufrágio
O leme do barco quebrou
Batido pelos temporais
Meu coração marinheiro enganchou
Nas algas, sarcaços , corais

Só escuta quem está no convés
Meu peito mandando sinais
Vagando ao sabor das marés
Perdido pelos litorais
Os destinos no mar são cruéis
Fiquei como os velhos navais

Não consigo mais por os pés no cais...

Qual é o gosto do morango?


Descreve pra mim, que gosto tem o morango? E a carambola?





Tem coisas que não se descreve, só se saboreia.

12 de março de 2009

Fado madrinha

Eu estava atravessando a Consolação, naquela faixa de pedestres que se atravessa em duas etapas, ou correndo pra não ser atropelada. Eu e mais centenas de estudantes.

Eu ia atravessar a Consolação depois de dois abraços num homem, uma troca de email, um coraçãozinho disparado.

Estava prestes a atravessar a Consolação quando chega um moço loiro com nariz de palhaço e boca com batom, me chamando de menina linda, se eu podia ajudar que ele era portador e estava vendendo uma revistinha.

Desisti de atravessar a Consolação. Ofereci um cigarro e ele disse que tava tratando uma tuberculose. Ele me perguntou porque eu sorria tanto, se era sempre tão simpática e eu disse que acabara de me despedir deste homem e que estava encantada.

Começamos a atravessar a Consolação, o sinal ficou verde, enquanto eu separava as moedas ele me desejou sorte com meu novo amor e disse que eu devia passar sombra violeta nos olhos, pois meu nariz era pequeno e ia ficar bonita.

6 de março de 2009

Excomungados, graças a deus

Desta vez foram os médicos e a mãe da menina.

Pro padrasto, o reino dos céus


06/03/2009 - 10h00
Equipe médica excomungada diz que não está arrependida
Em São Paulo
A equipe médica que foi excomungada da Igreja Católica ontem após a realização de um aborto em uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto disse que não está arrependida. "Graças a Deus estou no rol dos excomungados", disse a diretora do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), Fátima Maia.

Católica, ela disse ter agido como diretora de um instituto de referência no Estado para atendimento à mulher vítima de violência sexual, mas pessoalmente também não tem nenhum arrependimento. "Abomino a violência e teria feito tudo novamente. O Cisam fez e vai continuar fazendo, estamos qualificados para esse tipo de atendimento há 16 anos."

Católico de batismo, não praticante, o gerente médico do Cisam, Sérgio Cabral, um dos que participaram da interrupção da gravidez de 15 semanas da criança, frisou não ter nenhum problema de consciência. "Estou cumprindo um trabalho perante a população pobre de Pernambuco que só tem o Sistema Único de Saúde para resolver seus problemas." O médico preferiu não comentar a excomunhão da Igreja anunciada pelo arcebispo de Olinda e Recife, d.José Cardoso Sobrinho.

Coordenadora do Grupo Curumim, uma ONG que trabalha com reprodução feminina e integra o Fórum de Mulheres de Pernambuco, Paula Viana criticou abertamente o arcebispo. "Assusta achar que a vida de uma menina vale menos que o pensamento de um religioso fundamentalista", disse. "Todos os procedimentos foram feitos com base na lei", lembrou, referindo-se ao estupro e ao risco de vida que a menina corria pela imaturidade de seu aparelho reprodutivo.

De acordo com a diretora do Cisam, a criança poderia ter ruptura de útero, hemorragia e bebês prematuros, além de risco de diabete, hipertensão, eclâmpsia e de se tornar estéril. A mãe da menina também foi excomungada. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

2 de março de 2009

O INTRUSO
No meio da reunião
seu pau emerge são
por entre a lembrança
e por entre minhas pernas
Opiniões, discussões, anotações
perguntas e vozes
voam gaivotas em volta de ti, meu amor
que invadiu sem cerimônia
prédio, seus andares e salões
Perguntam-me prata?
preto?
branco?
ouro?
Respondo touro, sim
touro em mim
a lembrança, o gosto
e a reunião por um triz
Ai Búfalo, Bis!

* poesia apareceu pra mim quando abri o livro com saudades de um taurino

28 de janeiro de 2009

No último sábado eu fui em um batizado. A última cerimônia destas, que eu me lembro de ter ido, foi o meu próprio e do meu irmão.

Da geração dos filhos da Saúde Pública, meus pais - ainda bem - optaram para que eu escolhesse minha religião, meus padrinhos e quem sabe, por Deus, ser agnóstica.

O caso é que eu vim parar em um bairro circunvizinho a uma paróquia, e o meu orgulho de não ser batizada foi rapidamente substituido por um puro cagaço e um certo sentido de deslocamento. Aos sábados de manhã eu não tinha o que fazer, todas as crianças iam ao curso de primeira-comunhão; aos domingos, nas missas que eu fui, nem sabia direito o que fazer.


Além do que as avós horrorizadas faziam um trabalho de base fortíssimo e eu sei rezar todas as rezas, sei fazer o nome do pai, tinha crucifixo e anjo da guarda na borda da cama. Não sei quem foi, mas me convenceram a ser batizada.

Escolhi meus padrinhos, meus tios cariocas e ambos quase ateus, e fomos procurar uma igreja que não precisasse de cursinho. Depois de percorrer a lista telefonica, achamos a uma no Cambuci em São Paulo. Desse dia tem a foto da família inteira reunida, mesmo! Avós, tios, primos…não faltou ninguém.

O padre muito simpático batizava os padrinhos e os afilhados, todos em uma grande fila. Me lembro das avós estranharem, mas ninguém reclamou afinal deixaríamos de ser pagãos. E assim, foi: fui desculpada do pecado original e ainda tinha dois fiadores para garantir.

Acontece que neste batizado de sábado passado eu fui convidada pela minha sobrinha de 9 anos para ser sua madrinha. Nenhuma igreja quer batizá-la - os padres vem dizer que ela passou dos sete anos. Eu topei, afinal, ela me escolheu.

O problema é que eu tive a certeza de que meu batizado é inválido para a igreja católica, portanto eu continuo pagã. Aquela igreja fazia parte de uma dissidência excomungada em 1946, por desvios de doutrina, por duvidar da autoridade do papa e por tendências socializantes. Buscando na internet as respostas para a validade do meu sacramento achei o site da igreja, com o lema: Deus, Terra e Liberdade.


Adorei!.

Espia a história da ICAB

20 de janeiro de 2009

Fechado pra balanço


Hoje é o meu último dia de férias. Foi pouco, não deu nem pra distrair.

Amanhã começo a planejar quatro cursos diferentes, para a mesma rotina de ping-pong entre itu e são paulo. Dá canseira de pensar.

Mas eu não sou boa de não fazer nada. Fico meio perdida, igual hoje (e ontem)...Acabo fazendo coisas pouco produtivas como assistir TV, tirar uma musiquinha no violão, e...na hora que o sol baixa da linha do zóio, começar a beber...

Balancete das férias:
1. Quatro dias na praia, um leve bronzeado e duas receitas novas de drinks
2. 26 dias em casa, 3 paqueras novos, um joelho machucado e o coração esfolado.
3. Uma epidemia de pulga, porque estou há 20 dias pra levar zizou no vet e fico com preguiça.
4. Três argentinos e um passeio até Jandira para conhecer a Comuna.
5. 1 aniversário que valeu por três, porque bebi muito.
6. Um hoje: dia dedicado ao balancete geral das férias, cálculo que pode obviamente ser acompanhado de uma cervejinha gelada.