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meu rei magro

Sua pele marrom parece da cor do manto que eu preciso meu vestido que busco em vão no cabide e não duvide: nada acho Embaixo, no térreo de mim onde mora meu ouro coração bate latejante meu amante escolhido de tanta amizade me invade namorado da estação Queria um retalho deste cetim só pra cobrir meu revés ah, cheirar à mirra e ir visitar meu magro mago rei E em vez de anfitriã ser romã da sua boca a teus pés. mais uma vez, a Lucinda

A morte da cachorra Baleia

"Baleia queria dormir, e acordaria num mundo cheio de preás"

Qual é o gosto do morango?

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Descreve pra mim, que gosto tem o morango? E a carambola? Tem coisas que não se descreve, só se saboreia.

Fado madrinha

Eu estava atravessando a Consolação, naquela faixa de pedestres que se atravessa em duas etapas, ou correndo pra não ser atropelada. Eu e mais centenas de estudantes. Eu ia atravessar a Consolação depois de dois abraços num homem, uma troca de email, um coraçãozinho disparado. Estava prestes a atravessar a Consolação quando chega um moço loiro com nariz de palhaço e boca com batom, me chamando de menina linda, se eu podia ajudar que ele era portador e estava vendendo uma revistinha. Desisti de atravessar a Consolação. Ofereci um cigarro e ele disse que tava tratando uma tuberculose. Ele me perguntou porque eu sorria tanto, se era sempre tão simpática e eu disse que acabara de me despedir deste homem e que estava encantada. Começamos a atravessar a Consolação, o sinal ficou verde, enquanto eu separava as moedas ele me desejou sorte com meu novo amor e disse que eu devia passar sombra violeta nos olhos, pois meu nariz era pequeno e ia ficar bonita.
O INTRUSO No meio da reunião seu pau emerge são por entre a lembrança e por entre minhas pernas Opiniões, discussões, anotações perguntas e vozes voam gaivotas em volta de ti, meu amor que invadiu sem cerimônia prédio, seus andares e salões Perguntam-me prata? preto? branco? ouro? Respondo touro, sim touro em mim a lembrança, o gosto e a reunião por um triz Ai Búfalo, Bis! * poesia apareceu pra mim quando abri o livro com saudades de um taurino
No último sábado eu fui em um batizado. A última cerimônia destas, que eu me lembro de ter ido, foi o meu próprio e do meu irmão. Da geração dos filhos da Saúde Pública, meus pais - ainda bem - optaram para que eu escolhesse minha religião, meus padrinhos e quem sabe, por Deus, ser agnóstica. O caso é que eu vim parar em um bairro circunvizinho a uma paróquia, e o meu orgulho de não ser batizada foi rapidamente substituido por um puro cagaço e um certo sentido de deslocamento. Aos sábados de manhã eu não tinha o que fazer, todas as crianças iam ao curso de primeira-comunhão; aos domingos, nas missas que eu fui, nem sabia direito o que fazer. Além do que as avós horrorizadas faziam um trabalho de base fortíssimo e eu sei rezar todas as rezas, sei fazer o nome do pai, tinha crucifixo e anjo da guarda na borda da cama. Não sei quem foi, mas me convenceram a ser batizada. Escolhi meus padrinhos, meus tios cariocas e ambos quase ateus, e fomos procurar uma igreja que n...

Fechado pra balanço

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Hoje é o meu último dia de férias. Foi pouco, não deu nem pra distrair. Amanhã começo a planejar quatro cursos diferentes, para a mesma rotina de ping-pong entre itu e são paulo. Dá canseira de pensar. Mas eu não sou boa de não fazer nada. Fico meio perdida, igual hoje (e ontem)...Acabo fazendo coisas pouco produtivas como assistir TV, tirar uma musiquinha no violão, e...na hora que o sol baixa da linha do zóio, começar a beber... Balancete das férias: 1. Quatro dias na praia, um leve bronzeado e duas receitas novas de drinks 2. 26 dias em casa, 3 paqueras novos, um joelho machucado e o coração esfolado. 3. Uma epidemia de pulga, porque estou há 20 dias pra levar zizou no vet e fico com preguiça. 4. Três argentinos e um passeio até Jandira para conhecer a Comuna. 5. 1 aniversário que valeu por três, porque bebi muito. 6. Um hoje: dia dedicado ao balancete geral das férias, cálculo que pode obviamente ser acompanhado de uma cervejinha gelada.

"...seja feliz, adeus."

Da próxima vez, do homem que sair pela porta da minha casa, me despeço para sempre.

Deep en lo profundo

Necesitamos que algo nos inunde, nos traspase, nos rebase en miles de hebras de luz. Necesitamos saber cómo son las cortezas de los árboles por dentro. Necesitamos reírnos a carcajadas. Necesitamos cosas simples y complejas. Necesitamos todo. De Sofi "Bonbon" Arroñade, que de passagem pelo casulão me regaló seu livro de poesia.

Ela eu, ela ela ela, ela ela eu

Quando Zizou nasceu ela não tinha bolas. Pequenininha eu a vi, ainda sem estar certa de querer ter um gato, chamei-a por esse nome; ela parou de mamar e me olhou. Descobri que era o meu bicho. O nome vinha do jogador argelino, Zidane, um menino. O apelido, Zizou, podia servir para meninas, mas já predizia a confusão. Agora, com três meses, quase não restam dúvidas. Zizou é um menino: brinca de lutinha, gosta de morder, de azul e tem inegáveis bolinhas. Ainda que incerto seu real gênero, o nome Zizou continua servindo para os dois.

Aniversário de 9 anos!

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Hoje é o dia do meu segundo aniversário!

Toque me, sou tua!

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Na estação da luz, hoje a tarde, uma senhorinha tocava um dos pianos. Com os cabelos bem vermelhos e um brinco grande em forma de M foi que eu adivinhei sua história enquanto assistia a apresentação. Madalena, chutei ser seu nome, tocava um piano autodidata, com os dedinhos encolhidos ela martelava as teclas enquanto sorria pra multidão que se aglomerava. Martelava a velha canção sobre uma mulher galopeira, e subia as oitavas dedilhando em busca da nota certa. De seu sorriso sensual, escondido atrás da velhinhice, imaginei-a rodeada de homens em uma casa de mulheres trabalhadoras. Dava pra ver que Madalena era acostumada com o palco, talvez até tivesse nascido para ele, e que noite após noite ela tocara para embalar tantos galopes, em outras paragens.

Sabedoria Elisa Lucinda

Tava brincando de oráculo com o livro de poesia da Elisa Lucinda. Oráculo é: pensa numa coisa e abre o livro. Veio essa cantiga. Meu homem escuta essa minha lira: De noite suas costas são a minha escuridão mais clara rara, te vejo nítido roçando Os lábios do meu beijo .Meu desejo circula pelo corpo como um som e eu não concentro amor só na parte Parte, volta... Minha abertura pequena se expande profunda para onde não sei Meu homem escuta essa carícia: Delícia sua mão me pega pelo dorso como se fosse a primeira mão primeiro menino, primeiro selo, primeiro varão. Meu erro de me estabanar me dá medo. É cedo e o trem ainda não apitou. Escuto no entanto a fábrica da cidade de São Paulo soando lá fora Deve ser manhã. A claridade que assusta seus olhinhos azuis vai morrer de medo de mim quando eu chegar. Vou tirar meu amor da mala exala tudo cheirando a amêndoas doces colônia e creme de barba Tudo se acalmará em fogo quando a...

Apresento-lhes queridos leitores

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Zizou, a Cat Power...

Frutas da estação

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Comer pêssego no final do ano da nisso. A casa toda cheira doce, as frutas peludinhas ali na cozinha tão maduras e douradas como se já viessem em calda da árvore. Eu criança não gostava de pêssego. Até descobrir, ficando mocinha, que morder e chupar um pêssego suculento era a melhor maneira de aprender a beijar na boca.

Conversa intercontinental (e com o último post)

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Amuleto boliviano para o amor

Ensinando e aprendendo 2

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Constantin Brancusi, um beijo, 1907

Quando ela (ou eu) pisou na areia

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Por carolinha do nonamadeira

Manchete II !

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EXTRA! EXTRA! Gênio da lâmpada esquece palavra mágica e fica prensado na parede da caverna do tesouro.

Manchete!

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EXTRA! EXTRA! Príncipe vira sapo gigante e toma carruagem de cinderela.