“Observando-se bem, tudo isso era maravilhoso e fazia parte do acúmulo de maravilhas que pouco a pouco se mostravam a quem quisesse explorar em profundidade o mundo latino-americano, onde o terrível de certas contingências políticas, o horror das ditaduras militares ou civis se inscreviam no passageiro e transitório de uma história turbulenta, enquanto eram permanentes os prodígios do circundante, do que era da natureza, do ambiente, e da essência autêntica do Homem nascido das mais vivificantes mestiçagens que já houvessem apontado as crônicas do planeta.”
CARPENTIER, A. A sagração da Primavera.Postagens mais visitadas deste blog
Adeus, Luzia
Dormiu por tanto tempo a Luzia e no fundo da caverna esperou para mudar a história Mulher descavada e exposta na janela de vidro da memória Morreu duas vezes. Mulher negra, nossa mãe de criação, eva americana, elo perdido de um paraíso vilipendiado. Na fogueira do descaso, vira pó ao lado de tantas filhas exterminadas nesse país sem rosto de mulher
Ficção Cega na casa que não tinha paredes
No dia que eu te encontrar de novo o mundo vai parar de rodar por uns instantes Eu vou te olhar e vamos começar a dançar uma música que talvez nem esteja tocando Eu vou deitar a cabeça no seu ombro, e, agarrada à sua mão, fechar os olhos De olhos fechados vou cheirar o seu pescoço e sua barba e seu cabelo E a música que não estava tocando vai emendar em outra e em outra Sei que vou secar uma lágrima em sua blusa, disfarçadamente E vou dizer, no pé do seu ouvido para que você nem ouça, meu amor
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