7 de maio de 2005

Mulher independente procura...

Muito me achando independente, estou sábado à noite solitária, decidia a não ligar, terminando a dissertação, de banho tomado, janta feita, cozinha arrumada. À tarde, fiz compras de comidas e trouxe um vinho pra casa, imaginando uma noite de luxúria com o Word aberto na página 102.

Muito me achando independente, tirei a casquinha da garrafa e enfiei o saca-rolhas. E a garrafa não abria de jeito nenhum. Tentei puxar, empurrar, nada. Apelei para o porteiro já com alguma vergonha.

Atrás do balcão estava a Lucy, a porteira mulher que causa algum espanto nos que vem me visitar. Muito simpática, tentou puxar a rolha. Rimos com vergonha, “tem que ser força de homem”. Respondi, “segura aí que eu puxo”. Nem se mexeu a rolha.

Muito independente que sou saí na rua disposta a achar um homem. A Lucy observando da porta, meio risonha, meio incentivando. Eu manquitola e segurando a garrafa com um saca-rolha enfiado, era uma ceninha! Olhei pro lado e vi um casal empolgado se beijando e abraçando. Pensei duas vezes em pegar emprestado o homem dos outros.

Atravessei a rua e fui até o ponto de táxi. “O senhor poderia me fazer um favor?” Mostrei a garrafa e ele entendeu, prontamente vestiu a beca de cavalheirismo e pop, abriu a garrafa com um puxãozinho. Estou mortificada porque esqueci de lhe oferecer um gole.

Voltei pro prédio, deixei um golão com a Lucy em um copinho improvisado. Rimos uma pra outra, como mulheres independentes que somos.

PS: Lembrei de um caso engraçado. Aprendi a dirigir com a primeira instrutora mulher de auto-escola do Estado de São Paulo. Dona Aparecida (acho) devia ter, em 1995, uns 70 anos. Me lembro que quase caí de costas quando a vi sair do carro, dizendo que ia me ensinar a guiar. Foi uma ótima professora, me deu toda calma pra perder o medo. Eu acho que deveria ser proibido aos homens ensinar a dirigir.