26 de março de 2007

2 de março de 2007

Para um porta-retratos vazio.

Há anos comprei três quadrinhos de colocar fotos, em uma loja de 1,99.

De cara coloquei uma foto minha em um deles, o que pintei de vermelho. Alguns anos depois achei a foto para o amarelo: os pés dos meus amigos sentados em roda, em um encontro para outro mundo possível.

Mas aquele que eu pintei de azul permanecia vazio até hoje, quando encontrei a foto que a ele pertencia. Minha cachorra e seus dez filhotes.

É em homenagem a ela que inventei este outro final para sua vida, porque afinal, desaparecido é um estatuto político.

“Caminhou dias seguindo um rastro; este rastro era o cheiro que ela sempre procurara. Diferente e irresistível. Por causa dele ela andou para cada vez mais longe dos lugares que conhecia. Não se sabe quando ela chegou ao final da busca, mas na beira de uma cachoeira estavam muitos outros bichos. Cachorros de todos os tipos. E eles a reconheceram.

Grande mãe dos olhos amarelos, bem-vinda à sua nova casa – disseram."


Eu sei, no final do rastro, estava a fonte da liberdade.