28 de setembro de 2005

“Eloqüência”

Ou “elouqüencia”, que deveria ser a palavra correta, meio relacionado a “louca”, que é como me sinto agora.
Se tiverem que torcer por mim, rezem, peçam, inspirem minha eloqüência para que amanhã, a essa hora, eu já seja uma mestre.

Faz dois dias que não trabalho, que pareço uma louca quente vagando entre computador, cozinha, varanda, rua. Preparo uns parágrafos da defesa, que contou com sete minutos, menos do que o desejado. Já terminei e não gostei do que fiz. Mas o problema está nesta palavra, defender o que se faz é, mas não deveria, ser difícil pra mim. Botei a alma aos bofes.

Preocupada também com a festa, que no fundo é o melhor de tudo, escrevi para os amigos realmente esperando por todos. Liguei para outros de quem não tinha emeio. Foi engraçado, pois de cada um recebi um conselho, um melhor que o outro.

1. Meu professor de inglês, na prova oral que tive hoje: “Breath, remember breath. And...let them wait!”
2. A primeira conversa com Oriana, recém defendida, guerreira pra caralho, levou porrada numa banca de superintelectuais e saiu-se perfeita. “Cuca, você vai ser aprovada, não importa se com louvor, com louvor e distinção, ou com louvor e distinção e indicação para publicação. Pro currículo isso não vale nada. E anote tudo, não fuja das perguntas. A qualificação é pior”. Grandes dicas, me senti melhor por segundos.
3. Du, a segunda conversa: “é só ritual, não é? Fica fria, vai dar tudo certo”
4. César, a terceira: “Todo mundo sabe que é tranqüilo a defesa, que é só um ritual. Menos o cara que faz”. Falou e disse.
5. Do Francisquinho, ao telefone, recém disparando sua eloqüência: “Oi Cuca”. “Que barulho faz o pato, Francisco?” “Au Au”, ele responde. “Então conta pra Cuca ver”, peço. “Um, cato, cinco, sete, deiz”. Quero ter o sem medo de falar dele."Um meijo", mandou ele. que lindo.

Estou eu e uma garrafa de vinho. Sono garantido e inspiração de última hora, porque ainda dá tempo de escrever uma defesa contundente, para uma dissertação nem tanto.

Não importa. Amanhã a esta hora estarei feliz!

PS : Pintei as unhas de vermelho para inspirar confiança, e não roer.

14 de setembro de 2005

Cratera no estômago

A defesa foi marcada, e no mesmo segundo uma cratera foi aberta no meu estômago. Maldito ácido corrosivo.

Medo pânico de defender o que escrevi, que nem sei se concordo mais, já passou muito tempo. Não gostei de tanta coisa ali! Insegurança intelectual que não passou nestes três anos e uma dissertação depois.

Desta forma peço a meus amigos que não venham para a defesa. Não me levem a mal, mas não quero público neste momento que considero difícil pra caramba. Nem mesmo público amigo que tenho certeza que qualquer problema ia me apoiar até o fim, dizendo que a banca é cretina, ou mesmo usando de violência para fazê-los assinar o formulário que me dirá: mestre.

Sobre a jornada de festas comemorativas ainda nem consegui pensar direito. Mas tenho certeza, e essa sim poderia defender com unhas e dentes em frente a uma banca, de que quero todos nas festas, longínquos ou presentes. Começa na sexta dia 30, não sei quando vai parar...

8 de setembro de 2005

que não tem fim

“ Eu vou te dar um prato de flores
e no seu ventre vou fazer o meu jardim
que não tem fim
que não tem fim”

Continuo o esforço pela diversificação das paixões. Livros, outras pessoas amigas, trabalhinhos, planos para outro blog, risadas, bebedeiras, comidas. Os dois últimos, além da conta.

Visitei meus cachorros ontem, eles estão lindos e felizes. A baleia uma senhora respeitável, com cataratas e dentes poídos. A zaza gorda e meiga e brava como sempre. A chica também gorda mas bem musculosa, com as berebas usuais, uivando lindinha como sempre. O bê feliz e trouxa. A capitu, minúscula. Fiquei feliz que até vim fedendo cachorro pra casa, de saudade daquela muafa que só a matilha inteira sabe cultivar, por mais banhos que tomem.

No mais, comi ameixinha do pé, visitei cachoeira na chuva, espantei gambá da lareira, tomei vinho e esquentei o pé gelado nos pés do moço que foi comigo. Coisa quente que é isso tudo, apesar do frio do feriado de pátria independente.

Estou apaixonada também pelo site na orelha, músicas + entrevistas, tudo super moderno, mas aconchegante que nem conversa de bar. Fica aqui também a paixão pela Nação, só que a Zumbi, que canta com voz de poço fundo, a letra linda com que começo este pouste.

Pensei numa porrada de coisas nesta semana, nos encontros do findi passado, nas conversas com os amigos de sempre ou ausentes há algum tempo. Sempre amigos queridos. As idéias abaixo, que serão medidas provisórias para quando o socialismo chegar, não são necessariamente minhas. Mas são idéias que só uma mesa de bar pode criar. Só consigo me lembrar de algumas, mas se lembrarem de mais aproveitem para me telefonar pra matar todas as saudades (no plural)

1. Toda quarta feira deveria ser feriado

2. A seleção brasileira deveria fazer espetáculos públicos mensais, em todos os estados, gratuitos. E não cobrando 300 pilas naquela fétida capital federal.

3. O minhocão deveria ser derrubado em uma fúria coletiva

4. A careca do josé serra deveria ser anunciada como espaço publicitário

5. Todo bar deveria ter computador com internet de grátis, se quiser ter máquinas caça-níqueis