31 de outubro de 2005

...mais ou menos, altos, altíssimmos, baixos, baixíssimos mas em geral, médio.

Um pouco de vontade de chorar, um pouco de orgulho, outro tanto de vergonha, uma pitada de humilhação, outra de saudade.

meio louca, histérica, tranqüila, determinada, com dúvida, muito segura, com certeza que sim, com certeza que nunca mais...

26 de outubro de 2005

Um pouco mais sobre o Afanásio de todos nós.


A impressão que me resta do resultado final desta batalha entre as torcidas de cá e de lá (com alguns viracasacas para quem dou o meu voto apesar de não compartilhar desta razão niilista) é que deixaram aquele afanasiozinho que mora dentro de todo mundo sair feliz e contente achando que suas idéias são geniais, e pior, aplicáveis.

Voltando pra antes do começo então.
Escolhi o Afanásio como um símbolo, mais midiático. Esse monstrinho conservador poderia também ser chamado de Erasminho ou Jairzinho, ou qualquer um de sua preferência. O discurso é o mesmo.

Agora, pro começo.
Nos meus exercícios de previsão de futuro percebi que o barco afundou mesmo. A população parece não demonstrar só desilusão com a esquerda, vulgo Lula. Esta desilusão pode e parece ter sido transformada em outras perspectivas que convocam a adoção de outras políticas. Políticas condenáveis por mim e que partem de outros princípios. Para sermos mais claros, temo com desespero que saindo da pauta e do planalto quem teoricamente pensava a igualdade e justiça social como solução, as que vierem substituir sejam aquelas identificadas com aquele pessoal do lado de lá.
Ganhando o direito de legítima defesa, que está na pauta da TFP e de outras galeras da torcida inimiga, a proibição total do aborto, a redução ou abolição da maioridade penal, a pena de morte ou a perpétua ganhem a dimensão de lei apoiados pelo mesmo afanasiozinho de todos nós.

E depois do fim
Derrota para o argumento da manipulação quimérica da grande mídia. Mesmo com o bombardeio da Rede Globo, Folha, Estado, O Globo a favor do SIM, a derrota foi feia. Lembro pela última vez do Jesus Martín-Barbero: sem a cumplicidade cultural de determinadas demandas e discursos, os meios de comunicação não são nada. Desta vez, o publicitário do Collor ganhou da Rede Globo, porque soube de maneira espetacular alimentar o mostrinho conservador que mora dentro de tantos.

22 de outubro de 2005

“Não irmão, artista não!”

Eu queria ser artista. Artista que é artista é aquele que consegue transformar angústia em expressão, qualquer que seja.

Se eu pudesse fazer um xerox fotocópia de meu cérebro e coração neste momento isso não seria necessário. Não dá pra fazer isso, nem com raio-x que eu tenho um monte.

Então eu precisava ser poeta. Precisava ter aquela incrível capacidade de síntese emocional que alguns tem aos conseguir contar com as mesmas palavras que eu tenho, as coisas mais tristes ou felizes. Sínteses, só.

A solução para crises de expressão para quem sofre de angústia crônica como eu são dois: atazanar as amigas com conversas sem nexo ou terapia psicanalítica. Ambos, um porre!

O primeiro porque você fica com a sensação de que ninguém merece escutar o que você está pensando, de novo. Rola uma certa impaciência para escutar infinitas vezes sobre o mesmo assunto, e ainda por cima não seguir os conselhos lógicos que lhe são oferecidos, não ter atitudes coerentes.

O segundo envolve o maldito velho barbudo, que nunca me convenceu não ser mais do que um conservador. Ou será minha terapeuta?

Eu queria ser poeta, pra ver se cura, ou pelo menos gasta essa obsessão.

Por que? Meu coração se entregou a tempestade que estava ali há algum tempo. Ou sempre esteve. E de tempos em tempos ela volta pra dar um rolê nas minhas decisões afetivas, zoar um pouco meu sono, minha maneira de comer, minhas unhas, minha sanidade, minha capacidade de me distrair.

21 de outubro de 2005

Só porque eu demorei


pra aprender a colocar imagens nesse blogue.
Aí vai uma, sem mais comentários...

19 de outubro de 2005

A incrível batalha dos “Cidadãos de Bem” contra “Os dedos alados”

Estamos a uma semana do referendo e algumas coisas estão me deixando nervosa.
As duas posições envolvem certo tipo de cegueira danosa e daninha, os debates estão tão esquizofrênicos quanto a proposta de revisão de um direito constitucional de maneira apressada e bem deslocada de outras amplas realidades que envolvem a Segurança Pública.
Não sou capaz de retomar a trajetória desta discussão de desarmar a população. Retomo então, minha trajetória de envolvimento, sem mesmo gostar, com estes casos.
Acho que foi na década de 90 que alguns pesquisadores de centro-esquerda começaram a pensar a Segurança Pública fora daquelas idéias de repressão violenta, prisão, pena de morte, punição dura, justiça implacável, característica daquela parcela da população sentada do outro lado, com os quais não partilho nada.

Acho também que dentro dessa imensa pauta, que consideraria a justiça social e igualdade econômica como pressupostos, estariam também outras propostas como unificação das polícias, polícia comunitária, mediação de conflitos, punição da violência policial, ouvidoria da polícia, etc. A pergunta que não se calou é aonde foram parar estes outros tópicos da pauta, e porque o desarmamento emplacou a ponto de virar referendo.

Antes de tudo, tenho que falar que vou votar sim no domingo que vem, porque eu tenho medo de arma, desde que meu pai me fez segurar uma pra me defender, caso acontecesse algo quando ele estivesse fora. Pra ter uma idéia, nesse dia a bala escorregou e caiu no meu pé. Não gosto e não quero: nem pra mim e nem contra mim. Vejam então que voto também envolvida na minha cegueira, que alguns julgariam igualmente subjetiva. Outra razão, também muito forte, diz daquela postura atenta em votar contra quem está sentado do outro lado do plenário, embaixo do outdoor da CBC, usando canetas da taurus, os velhos senhores da guerra (sim, eu li o menino do dedo verde)

Cidadãos do mal
Olhando então para o discurso do NÃO. Quem diria que veríamos a galera do lado de lá falando em direito. Mais um conceito nosso roubado. Já roubaram minha liberdade e transformaram em livre-mercado, já transformaram minha justiça e pioraram em vingança, e já zoaram com minha igualdade chamando de oportunidade, a fraternidade, então: virou lei de incentivo fiscal. Quem luta pelo direito somos nós: Educação, Comida, Saúde, Terra, Informação. É assustador que o discurso do “direito” possa ser fortalecido por eles lá, comandados por assassinos como o Fleury. É mais assustador que estes mesmos aí seriam os mais ferrenhos contra o aborto, outro direito individual, mas dessa parcela de sub-gentes que somos nós, as reprodutoras. Outro ponto que me incomoda muito é que todo este discurso está embasado no “cidadão de bem contra rapa”. Pessoalmente acho ridícula esta dicotomia, mas se há cidadãos de bem, não são eles.

Dos dedos alados
As inúmeras conversas de bar, sempre as do bar, me trouxeram também outros olhares para o SIM. Não há como negar que o que está sendo cassado é um direito assegurado na constituição. E isso, realmente é difícil de aceitar. Levando que conta que um dos meus passatempos preferidos é pensar as projeções para o futuro, o barco realmente pode virar, se não já virou. Eu creio que a decepção com o PT não vai passar incólume, e podemos pirar num futuro em que se defender do estado vai fazer sentido. Ou mesmo defender esse estado, que é ruim mais é nosso, daquela galera sentada lá em cima do outro trópico.
E mesmo que pesquisas (que são de muitas formas “carteiradas” semelhantes ao uso da palavra “especialistas” pela grande imprensa) mostrem o grande número de mortes por arma de fogo, que muitas armas roubadas dos “cidadãos do bem” vão para o crime, etc., fica difícil acreditar que o tráfico de armas, que só perde pro de drogas e o de gente no mundo, não deve aumentar.

Outra situação que está na pauta deste discurso: os crimes de periferia, as brigas, as paixões mal resolvidas. Que se pensarmos bem devem continuar a ocorrer com ou sem as armas, ou com instrumentos insólitos que alimentem as páginas policiais dos jornais. E o Estatuto do Desarmamento não prevê a total proibição da venda de armas e munição. Se você provar qualquer um daqueles itens previstos, ou simplesmente que corre risco de vida, você vai comprar uma. Pensar a proibição como uma reforma constitucional é assustador, mais ainda se percebermos que bem pouco pode mudar.

O que eu perdi nesta trajetória subjetiva (e coletiva também) de compreensão do processo histórico e político envolvido neste referendo? Ainda não deu pra perceber.

Mas eu vou votar domingo contra o maldito afanásiozinho que estou descobrindo morar dentro da maioria.

13 de outubro de 2005

Ta todo mundo espiano...

Cansei desse blog, cansei dos meus sentimentalismos baratos (para os outros, claro pois para mim saem meio caros).
Nesse momento de mudar de vida caberia um silêncio reservado, porque ninguém merece escutar o que estou pensando.
Essa decisão vem também de uma crítica, pequena porém dolorida, que sofreu minha dissertação: “Certa dose de egolatria” Ta vendo no que dá se meter com jornalista? Três anos e deu no que deu. Se bem que alguns poderiam dizer que é de nascença.
A decisão agora é que neste blogue só constará, a partir de hoje, considerações filosóficas sobre minha vida. Chega de fofoca, de diz que disse. Com um certo espaço para parábolas ilustrativas. E um toque de sabedorias incompreensíveis. Coisas que no mínimo me façam pensar pra escrever. Não mais vômitos desabafantes emocionados e bêbados.

Quando eu não souber o que dizer, recorro ao meu repertório de frases, entre aspas, com citação de fonte. Com muito mais credibilidade.

Por exemplo, sobre o amor, meu amor difícil e sofrido, cito o velho mais jovem do momento, o Antônio José, ou seja qual for o nome dele: “O amor é um rock e a personalidade dele é um pagode”

Por exemplo, sobre o trabalho, meu trabalho chato e emburrecedor, cito: “Ninguém merece”.

Sobre o baratismo dos sentimentalismos, fica o Leminski: “o bicho alfabeto passa, fica o que não se escreve”

Sobre as sabedorias incompreensíveis, cito de novo o home: “um salto de sapo jamais abolirá o velho poço”

É pra isso que serve mestrado ou eu me desautorizei quando devia me autorizar?

7 de outubro de 2005

Vazio carregado de surpresas.

É certo, defendi, sou mestre, mas a segundona seguinte me pareceu igual. No fundo essas passagens são iguais a ano-novo ou aniversário. São passagens, rituais, símbolos...mas que mudam pouco o dia seguinte.

Tenho tanta coisa pra esperar agora que nem sei por onde começar. Fazer uma viagem? Fazer doutorado? Fazer regime? Virar professora? Fazer um filho? Um jornal? Uma revista? Outra graduação? Outro mestrado? Um curso de corte-costura? Oficinas no Sesc? Volto pra Cuba?

É claro, o alívio não tem preço. Dá até um vazio, que reflete na preguiça de acordar. Mas pelo menos, é um vazio cheio de expectativas, do que será que eu quero ser quando eu crescer...