29 de dezembro de 2004

Rumo a Cadeninhos 2005

Com essa minha mania de caderninhos já resgatei muita coisa boa. Já contei que às vezes anoto as coisas no meio da baladas ou no meio do dia ou da noite. São idéias que eu não posso perder, são coisas que eu vi, alguém me disse, alguma informação importante, um telefone, um site...e intermináveis lista de FAZER... ir na depil, comprar sal, ligar quem...

Bem este ano de 2004 coube em dois caderninhos. O primeiro todo arrumadinho, era o oficial, acabou na Argentina. O segundo iniciou depois da volta da Argentina e da morte da minha avó. Era o puro caos...sem as capas, todo riscado de INSS, herança, cemitério, piqueteros, Casas André Luiz, ortopedistas e Nossa Senhora de Fátima.

Olha o que eu achei no primeiro caderninho. Foi meu último grande momento com a minha avó. Tinha sido meu aniversário na sexta-feira santa, e nesses 27 anos foi o que caiu mais próximo da época em que nasci, o domingo de Páscoa de 1977.

Daí, depois de gritar que em Itu não tinha nada de bom, resolvi prestigiar uma de suas festas populares mais antigas: o Estouro de Judas.

Minha avó festeira foi a única que quis vir comigo. Deixei-a em um lugar seguro, com sombra mas bem no gargarejo possível...a 20 metros do show pirotécnico. Neste dia tinha ido com a câmera e avistei um conhecido que era jornalista. Consegui ficar dentro da linha de segurança e ficar mais perto do show para tirar fotos... Encontrei-a logo depois do estouro, gargalhando super feliz, e me disse: “Nunca vi tanta gente torcendo pro diabo!”

Foi a máxima do dia! A religiosidade da minha avó me fascina muito...até ontem lembrei que ela conseguiu ensinar o Pai Nosso, a Ave Maria, e pasmem, a Salve Rainha e o Credo...para os netos pagãos...só por dormirmos pequenos os dois amontoados na cama dela. Subversão!

Voltando ao caderno, achei isto.

Fim da quaresma, meio dia em ponto.
Seu Zico Fogueteiro acende o estopim. Estoura o primeiro morteiro e toda praça treme. Crianças choram e pedem pra ir embora (lembrei porque fui uma vez na infância e nunca mais gostei de ir). Até os Guardas Civis estão com as mãos nas orelhas. Na seqüência, explodem dez morteiros...o último impulsiona o Judas para cima e o diabo pra baixo..eles estão num varão bem comprido e se encontram no meio, para a apoteose.

O diabo sentado nos ombros de Judas, a espera é tensa. O povo mesmo diz que eles estão brigando e todos assistem esta luta corporal mais antiga que os bisavós, em silêncio. Na verdade, os bonecos não se mexem, mas quem se importa, todo mundo vê!

Daí, a explosão final que leva pelos ares o grande mal do mundo.

Alertada pelo amigo que a cabeça do diabo uma vez tinha sido arremessada inteira e ferido um cara gravemente, fiquei mais tensa ainda antes da explosão. Mas nada de grave aconteceu. Seu Zico Fogueteiro aliviado anda pelo meio dos destroços...serragem, madeira, explosivos e pregos. É uma bomba mesmo! Mas tudo correu bem...e no recomeço da vida, com o fim da quaresma, o mal tinha sido eliminado sem maiores problemas.

E além de tudo encontrei a minha avó gargalhando no meio da multidão.

27 de dezembro de 2004

Tava esquecendo

que hoje é o meu segundo aniversário...
Tenho certeza que no ano passado nem lembrei, mas este ano a jornada "Meu Pé Esquerdo" está de volta. Daí, foi inevitável lembrar!

Estou tão animada pra chegar 2005, pra ir pra praia...

...pra voltar da praia eu já estou com um pouco de medo. Entro na faca dia 11 ou 13/01.

Enquanto isso, preparo minha matula para que a virada seja tão, mas tão boa que garanta felicidade pelos dois meses de tédio...

23 de dezembro de 2004

sem comentários

Ontem calei
E aproveitei pra não dizer nada.

21 de dezembro de 2004

Relaxando o zóios

Como prometi há algum tempo estou mandando o endereço do fotoblog do filho do Chinês.

Dêem uma olhadinha, ele é fofo.

Dá vontade de fazer um filho...

http://mateu.04.fotoblog.uol.com.br/index.html

La noche y la herida

Estava com saudades de um amigoamor que encontrei ontem.
E fazia um tempo que meu coração não batia no estômago.
Fui embora rápido, ele vai embora rápido.
Só aquele tempo que cura tudo parece passar devagar...devagar...

Lembrei da música:

La noche ira sin prisa de nostalgia
Habrá de ser un tango nuestra herida
Un acordeón sangriento nuestas almas
Seremos esta noche todo el día

Vuelve a mí
Ámame sin luz
En nuestra alcoba azul
Donde no hubo sol para nosotros

Ciégame
Mata mi corazón
En nuestra alcoba azul

Mi Amor

18 de dezembro de 2004

Deprimentemente Bridget

Não falei! Tenho ódio de parecer com ela no quesito estragar tudo...

Vamos lá, eu conto tudo.
Sexta-feira à noite, banho tomado, sainha, rimel transparente, óleo de maracujá...tudo pra atravessar a rua e ir no samba. Meia hora depois chega o pessoal...mais meia hora depois chega ele.

Só pra esclarecer, "ele" não é o Guey, é outro que apareceu por aí e vamos de chamá-lo por Neurinha. Este apelido, foi ele mesmo que se deu...porque ele diz que é neurótico. Pior, é ex-neurótico.

Em tendo uma longa experiência com neuróticos e pela minha incrível capacidade de atraí-los, fiquei preocupada. Não quero! Pensei, falei, jurei... Até ontem à noite encontrar com ele, beber, fumar, beber, beber, fumar, fumar... e conversar um papo bom...meio neurótico, mas bom.

De repente, todo mundo foi embora e eu e ele ficamos. Vamos pra minha casa, tá chovendo, vão roubar minha bicicleta, estaciona lá dentro, vamos comprar a última cerveja, eu não quero mais, eu quero.

Papo vai... chega uma hora nos atracamos. Nem estava morrendo de amores por ele, mas paguei pra ver no que dava.

Poucos minutos depois, na minha confortável cama, acontece aquela pergunta crucial: você têm camisinha? Não, nem eu. Chi, não dá, de jeito nenhum. Ah, eu tenho uma feminina em algum lugar....

Abre o saquinho, olha, gira, ninguém entende muito o que fazer com ela. Provado o potencial triplamente brochante deste acessório. E daí, vem a máxima da noite: É melhor mesmo não acontecer nada porque eu tenho uma namorada.

Eu dei uma risadinha só e falei algumas coisas que não eram exatamente o que eu gostaria de dizer e ...escorracei-o da minha cama. Muito mais pela raiva dele ter trazido a namorada como justificativa daquele ensejo do que propriamente por ela existir.

Estou ficando craque em escorraçar pessoas da minha cama. É o segundo neste ano, tô mandando mal. Nos dois casos eu não estava morrendo por eles.

Apesar de sexo nunca ser demais, fica a questão:

Se tivesse rolado, será que eu me sentiria pior do que me senti nesta manhã, acordando de ressaca, lembrando que eu toquei o cara no meio da tempestade, que eu comi macarrão e fui dormir, sozinha?

16 de dezembro de 2004

Se rio ou se mar

Bem, hoje está uma daquelas noites muito aprazíveis. É quinta-feira e o verão parece ter chegado no dia certo.

Acho mesmo quinta-feira o melhor dia da semana. Tem lógica, até. Você já trabalhou de segunda até hoje...quatro dias...já está meio cansada...ao mesmo tempo em que o corpo, este rebelde incurável (ou drogado conformado não estou certa), já pede por embriaguez, um pega de luxúria e pelo menos meio trago de ilusão, afinal...desponta o final de semana.

Quinta-feira é o dia que dá pra tocar o foda-se, com o perdão da palavra. Se hoje eu for dormir tarde, não faz mal passar o dia de amanhã com sono. Vai ser sexta-feira, e, caralho, como é bom viver no Brasil... e termos este acordo unânime e mais ou menos velado de que às sextas-feiras e segundas-feiras não se trabalha. Em segundo lugar vêm às quartas. Que não se trabalha muito porque é dia de meio de semana. O mais triste, de longe! E em geral as terças-feiras são conformadas.

Mas as quintas..!!!

De verão, chinelos, roupa bem podrona, aquela de cavucar quintal, pairei o dia todo sobre o dia...só comemorando que minhas aulas de inglês acabaram hoje e ...meu coletivo de monstros (alguém sabe esta palavra? Alcatéia dá muito valor a eles, constelação é parnasiano demais) hoje resolveu me dar uma folga e passear...Afinal é quinta-feira!

E, de forma mais ou menos deliberada, hoje optei por estar sozinha. Se eu tivesse dado algumas telefonadas, pode ser que encontrasse alguém aqui pelo centro...acreditem, já tem uma comunidade aqui...Mas não...estou sozinha e com aquela sede que disse numa outra vez.

Desci no buteco da frente de casa...menos de dez passos (Viva o Centro!) e comprei umas brejúsculas. Skol gelada de garrafa, não muito barata, o cara empresta o casco. Aliás, ele me vê de longe e já estende um LM. Também tentei fazer um daqueles, mas o consumo coletivo me destreinou ao ponto de produzir o mesmo tipo de pastel que àqueles dos velhos idos de 1996.

E sentei primeiro na frente do telefone...merda de linha econômica (eu odeio a Telefônica parte XXII, § 4). Tava com vontade de conversar com minhas amigas...mas pra fazer interurbano você compra um cartão nas lotéricas, carrega seu telefone...e a voz te avisa...você tem 3 min e 42 seg de conversação...se a gente acha que é roubada pela Telefônica normalmente, imagina neste esquema. Bom, já comprei dois cartões e gastei tudo. Agora não tenho, e resolvi escrever.

To quase escrevendo para a Bia, a Cris, a Ana, o James e o Degan..os quais eu leio todos os dias religiosamente...e sofro com as ausências porque, a não ser o Degan...vocês são todos uns relapsos com o relato de seus cotidianos! Humpf! Vamos escrever minha gente!

Então consegui comer meu pastel, com direito a ingestão de partículas, já acabei a primeira garrafa de cerveja...e fumei alguns cigarros. Ao contrário da Bridget Jones, eu nunca os conto.

Aliás, ontem a Ana Emi, a Aline e eu nos encontramos e fomos ver o filme da Bridget Jones. Todas decididas! Tomara que vocês tenham visto, ou pretendam ver de qualquer jeito, pois achei o filme uma bosta, e não quero influenciá-loslas com minha opinião. Tenho muito ódio, não acho graça, de ter algumas coincidências com ela, algumas cruciais como ter a incrível capacidade de estragar tudo. Por isso não sei se rio ou mar com as histórias dela. Mas mesmo assim, o primeiro filme é melhor!

*

Me esqueci de dizer. Estou escutando um cd de Salsa que comprei por 9,90. Se chama Los Latin Brothers, sente o clima! Tem tantas horas que me faz lembrar o Calcinha Preta que até me emociona. É o mesmo balanço e a mesma quentura.

Reli tudo o que escrevi e to achando uma viagem! Espero que não fique chato de ler.

Preciso contar que estou com as unhas compridas e cor de ameixa, que meu cabelo ta comprido e esquisito, que faz três dias que como um saco de confeti assistindo Plantão Médico na TV e que eu estou com medo e vontade de acabar conversando com minha avó quando eu tomar anestesia geral de novo...daqui a menos de um mês.

Uma certa dose de morbidez me fez assistir um documentário outro dia, e foi bem punk. A mídia ocidental dedica-se bastante a mostras as patologias socioculturais da China, como àquela de abandonar bebês menina. Desta vez o documentário dedicou-se à questão do preconceito que sofrem as pessoas baixinhas. A ponto de não conseguirem emprego nem namorado! (Será que não tem isso por aqui?)...Para reverter a situação as pessoas se submetiam a uma cirurgia de encompridamento da perna. Pra saber, perna é o nome dado àquela parte da perna que não é coxa, só o que está abaixo do joelho. Então aquelas pessoas passam por um puta sofrimento, com aqueles ferros (aqueles) na perna, girando uma manivela que impede a consolidação do osso, esgarçando o osso serrado (quebrado) artificialmente em uma cirurgia, pra ficar meio saracura, desproporcionalmente mais alto sete centímetros.

OK, OK, é mórbido eu ficar vendo uma cirurgia ortopédica ao vivo e ao sangue...eu só vi porque estava sozinha...ninguém me deixaria ver. Merda de discovery chanel! Ao mesmo tempo estou procurando entender mais uma vez que meu sofrimento não é único...tem pra todo mundo. E me sentir melhor com isso...por pelo menos fazer parte da raça humana.

Desculpe o desabafo! Mudei de cd e comecei a ouvir Narcotango, um grupo de argentino de tango-eletrônico, levo na praia procês verem. É demais!
E o cd sem querer levou meu clima de verão e chinelas diretamente para um futuro próximo.

E assim seria se eu estivesse sentada nos banquinhos desconfortáveis, mas viciantes da cozinha amarela, na mesa redonda. Tudo esfumaçado e amigo.

E podia até ser que fosse quinta-feira!

Sede de vento bom.

Nesses últimos dias fiquei lembrando da minha adolescência em Itu. E de como eu sentia uma sede de todas as coisas, das músicas do mundo, dos filmes, das culturas, das viagens, do que bonito podia haver...

...sufocada na cidade e no meu pequeno quarto embaixo da casa, em noites de crise aguda de desidratação eu trepava no muro do vizinho e ficava sentada, só pra sentir o vento na cara, sinal de que o ar andava e por conseqüencia, o mundo estava girando independente da minha paradez.

Estou lendo uma história que me lembrou este episódio. A personagem associa as grande mudanças da vida dela ao vento que soprou naquele dia.

Hoje, tô com sede de vento bom.

13 de dezembro de 2004

Siri ri

Poeminha besta que escrivi na minha primeira noite neste apê.

Eu me senti em casa quando os siriris chegaram.
Aos montes, rodando na lâmpada nova.

O siriri é um bicho salsinha e eu, quando criança, morria de medo de comê-los confundido na batatoada.

É bicho que faz sombra de morcego e que se mata de amor pela luz enquanto dança tango.

Bem-vindos siriris! Eu vou dormir mais deixo uma luz acesa pra vocês!

12 de dezembro de 2004

a Música e o domingão

Aí, Pessoal
Sei que não é privilégio meu procurar sentido na vida aos domingos à noite. Uma das melhores maneiras de fazer isso é ligar o rádio do rádio-relógio e ver que música toca. O que o oráculo-dial-fm vai te dizer tem que fazer algum sentido.
Então vai, ouvi meia hora de música e todas encaixaram um pouco na minha vaziez dominical. A programação foi a seguinte:

1. Deslizes, Fagner (incomparável!)
Não sei porque insisto tanto em te querer(...)
Pois aprendi que o meu silêncio vale mais e desse jeito eu trazer você pra mim E como prêmio eu recebo o teu abraço Subornando o meu desejo tão antigo (...)
Me enganando só assim somos amigos


2. Próxima: Se eu não te amasse tanto assim, Ivete Sangalo (dispensa comentários!)

3. Seguinte: Adriana Calcanhoto, não sei nome da música.
"Avião sem asa,
piu piu sem Frajola,
Buchecha sem Claudinho,
Sou eu assim sem você"
(não nessa ordem)

4. Na seqüência: Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval , do da Viola. (linda!)

5. Mais uma pra você querido ouvinte:
"Eu perco o sono e choro, sei que quase desespero mais não sei porque..."
(Na versão Paula Toler acústico, muito menos gritada e muito pior)

“A vida é sempre um risco eu tenho medo do perigo.”
“...que justifique a vida pelo menos neste instante”

6. Mais uma, horror!
Colombina, do Ed Motta. Pelamordedeus!
“Sou um triste pierrot mal amado, mestre sala desacompanhado!”

7. Pra finalizar a noite: Zizi Possi
“Noite, à horas te espero e vc não chega. Ai meu coração!
Fogo aceso, ...e paixão
Sou toda explosão!”

Daí veio o intervalo comercial e começou a tocar Simone. Melhor eu desligar logo.

Boa noite!

10 de dezembro de 2004

Tal filha tal mãe

Ontem à noite, na Geologia
_ Dá uma olhada, Jú. Aqui só tem esses meninões saudáveis!

_Claro! Saudável de tanto brincar na terra!

De duas tias-roucas* sentadas na Geologia, fumando e bebendo e olhando.
Pensando se o nosso tempo já passou ou ainda está por vir!

* Tia-rouca: terminologia cunhada pela nossa amiga Julinha ao referir-se àquela qualidade de tias superlegais, solteronas, filiadas ao PT, funcionárias públicas, besteirentas e roucas de tanto fumar e beber. Variações locais: "bezorrão"

7 de dezembro de 2004

Meu blogue tá com problemas? Não consigo acessar.

6 de dezembro de 2004

Em tempo 2: Alejandra Pizarnik

Encontrei esta poeta na Argentina, disse pra Bia que ela ia gostar.

Ontem peguei com o Carioca as coisas que as meninas me mandaram lá de Buenos Aires, entre tudo,
o xerox do livro de Alejandra.

Eu amei os poemas dela...que são de uma tristeza irreparável. Muito, muito maior que a minha.

Hija del viento

"Han venido
Invaden la sangre.
Huelen a plumas,
a carencia,
a llanto.
Pero tu alimientas al miedo
y a la soledad
como a dos animales pequeños
perdidos en el desierto.

Han venido
a incendiar la edad del sueño
Un adiós és tu vida
Pero tú te atrazas
como la serpiente loca del movimiento
que solo se halla a sí misma
porque no hay nadie.

Tú lloras debajo de tu llanto
tú abres el cofre de tus deseos
y éres más rica que la noche

Pero hace tanta soledad
que las palavras se suicidan."

O Amor e a máeducação

Fui assistir Má Educação.
Não Gostei Apesar Do Che Guevara Lindo Como Mulher.

Achei que faltou aquela paixão dos outros filmes, os últimos três me fizeram chorar muito. Hoje, fui assistir filme porque estava com o choro encravado e precisava desopilar.

Entreguei os capítulos hoje. Consegui, sem muito estresse, não muito mais do que aquele que continuou não me deixando dormir. Obrigado Ana e todo mundo que torceu.

E acho que queria chorar por causa daquela sensação pós pressão. Um vazio, estranho...Quase me lembrou o 1º de Maio do Mário de Andrade...

O que faço com tanta folga? Mental principalmente, porque física eu não ando tendo...

Daí descobri que, quem sou eu pra dizer que o Almodóvar não tem paixão?

Sou eu que não tenho... mais.

Descobri também que minhas amigas são muito, muito corajosas. Umas amam de longe, outras enfrentaram perrengues pesadíssimos ao lado da família do namorado e começaram de novo, outras são pegas de surpresa pela paixão, outras têm filhos, vão morar junto, mesmo que leve mais de dez anos pra decidir se isso é o certo.

Faz algum tempo que eu percebi que o amor, mesmo que unilateral, passageiro, profundo, pra sempre, é pra poucos. Ou pra todos aqueles que têm a coragem de se dobrar, se entregar, cair, admitir, gritar, chorar e sofrer. E recomeçar.

Por isso eu não choro mais, parece. Nem com um filme do Almodóvar.

PS: Em tempo: o nome dele é G-U-E-Y, e não GAY (Viu Jú?!), que significa cara, tipo, meu paquerinha!

1 de dezembro de 2004

Santa Cecília e a intelectual de salão

É isso, amigos e amigas. Descobri que para o dia 6/12, ou seja, A PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA, tenho que entregar meu relatório da Capes. Isto é, aqueles dois capítulos que eu deveria entregar ainda este ano deverão sair neste final de semana.

Notei que meu corpo, meu inconsciente, os espíritos do bem, meu anjo da guarda ou algo do gênero, estavam tentando me avisar de que um alerta 911 estava próximo. Há três dias eu não durmo direito.

Nos dois primeiros, rolei como um churrasco grego na cama, me embrulhei nas cobertas como um charuto e acordei como uma morta-viva... tudo isso por causa de uma sensação bem esquisita, que não era ruim e nem boa. No último dia, dei um golpe certeiro na insônia. Tomei três latinhas e um leitinho com Nescau pra arrematar. Dormi que nem ma morta-viva deve dormir. Mas as 5:30 da manhã...o alerta voltou.

Descubro hoje que o relatório é pra segunda. Já tinha marcado depilação, mão e pé (ou seja, no mínimo 3 horas de cabeleireiro). Não faz mal, levo O Poder do Mito comigo e quem sabe consigo me concentrar. Em geral não consigo nem ler Caras, só olho as figurinhas. Vamos ver!

A partir de sexta-feira, estarei trancada em casa, construindo, pensando, me desesperando, fumando, cocacolando, chorando, dormindo, xingando, e principalmente...rezando.

Aceito qualquer ajuda espiritual, torcida, rezas, macumbas, velas, incensos e promessas pra santo. Encaminhar para o dona Veridiana, apt. 603.

Aos cuidados da Santa Cecília.