22 de outubro de 2005

“Não irmão, artista não!”

Eu queria ser artista. Artista que é artista é aquele que consegue transformar angústia em expressão, qualquer que seja.

Se eu pudesse fazer um xerox fotocópia de meu cérebro e coração neste momento isso não seria necessário. Não dá pra fazer isso, nem com raio-x que eu tenho um monte.

Então eu precisava ser poeta. Precisava ter aquela incrível capacidade de síntese emocional que alguns tem aos conseguir contar com as mesmas palavras que eu tenho, as coisas mais tristes ou felizes. Sínteses, só.

A solução para crises de expressão para quem sofre de angústia crônica como eu são dois: atazanar as amigas com conversas sem nexo ou terapia psicanalítica. Ambos, um porre!

O primeiro porque você fica com a sensação de que ninguém merece escutar o que você está pensando, de novo. Rola uma certa impaciência para escutar infinitas vezes sobre o mesmo assunto, e ainda por cima não seguir os conselhos lógicos que lhe são oferecidos, não ter atitudes coerentes.

O segundo envolve o maldito velho barbudo, que nunca me convenceu não ser mais do que um conservador. Ou será minha terapeuta?

Eu queria ser poeta, pra ver se cura, ou pelo menos gasta essa obsessão.

Por que? Meu coração se entregou a tempestade que estava ali há algum tempo. Ou sempre esteve. E de tempos em tempos ela volta pra dar um rolê nas minhas decisões afetivas, zoar um pouco meu sono, minha maneira de comer, minhas unhas, minha sanidade, minha capacidade de me distrair.