12 de setembro de 2007

la mer, la mer toujours recommencé

Deito a cabeça no travesseiro para pensar na milionésima crise do ano, e na incontável crise dessa mesma vida que só tem trinta anos, uma varize detectada, gastrite, dores nas costas, artrose e às vezes, um espírito tão velho.

Penso então em respostas para uma pergunta que há muito me aflige. Você é o que você é ou o que você quer ser? (Não lembro direito da letra daquela música, como é que era? quem me guia…não sou eu, é o pai…?)

Penso afinal em quem está dirigindo essa porra desse caminhão desgovernado?

Eu nunca quis ser professora, demorei até amanhã pra fazer uma tatuagem no corpo que penso há 12 anos, não me livro dos meus mortos, das crises de 15 anos atrás, da vontade de solidão desse espírito às vezes tão velho.

Releio livros que não terminei e que às vezes até terminei mas não lembro. Da outra vez que li está lá grifado (o bom de ler a lápis): Vivo sem viver em mim. Agora grifei essa passagem que está no título. Pelo menos dá pra saber que o velho anjo da historia passou por aí. (Será ele o guia, que voa de frente olhando pra trás? Era isso? Como era mesmo a música? Não sou meu guia…?)

Quando crescesse eu queria mesmo? Falar muitas línguas para me comunicar onde quisesse, viver em vários lugares, conhecer muitos homens, ler muitos livros. Talvez muita vontade para uma vida só. E essa vontade não me deixa dormir, eu não posso esquecer o que eu queria mesmo ser quando crescesse. Será que eu cresci?

(Nessa hora lembrei de uma outra música, que não era a que eu estava tentando lembrar. Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar…) pra combinar com o título, com o momento que se passa hoje.

Levantei então do travesseiro, busquei a garrafa de vinho azedo escondida no armário e bebi no copo de minhas ancestrais, para ver se escrevendo eu durmo, para amanhã, celebrar uma nova vida.