9 de setembro de 2011

Janela para o velho mundo 1

No banco duro do subterrâneo mais temido da polícia de fronteira do aeroporto da França estava a moça mexicana. Não falava francês, levava uma pequena mala e um sorriso assustado.

Perguntei o que faltava a ela. A mim, com tudo legalizado, faltava apenas um carimbo no passaporte que a polícia “esquecera-se” de fazer. A ela, faltava quase tudo que se exigia para ser um turista na França: um seguro saúde, 60 euros por dia, a hospedagem.

Antes de sair, acompanhada do único policial simpático em quilômetros, muito rápido consegui dizer-lhe “suerte!”. A intérprete dizia que ela ficaria detida por 24 horas. Depois ela mesma se corrigiu: detida não, retida. Em uma sala com cama e ducha, onde ela poderia tentar resolver sua situação, se não, seria deportada para o México.

No mesmo pé que chegou, ela seria mandada embora.

E assim começou minha vida no velho mundo: as portas fechadas para mais uma pessoa originária de um país da qual a França já tentou expandir seu império.

Um comentário:

Bia disse...

mierda de fronteiras!!...