20 de dezembro de 2008

Sabedoria Elisa Lucinda

Tava brincando de oráculo com o livro de poesia da Elisa Lucinda.

Oráculo é: pensa numa coisa e abre o livro.

Veio essa cantiga.

Meu homem
escuta essa minha lira:
De noite suas costas são
a minha escuridão mais clara
rara, te vejo nítido roçando
Os lábios do meu beijo
.Meu desejo circula pelo corpo como um som
e eu não concentro amor só na parte
Parte, volta...
Minha abertura pequena se expande
profunda para onde não sei

Meu homem
escuta essa carícia:
Delícia sua mão
me pega pelo dorso
como se fosse a primeira mão
primeiro menino, primeiro selo, primeiro varão.
Meu erro de me estabanar me dá medo.
É cedo e o trem ainda não apitou.
Escuto no entanto a fábrica da cidade de São Paulo
soando lá fora

Deve ser manhã.
A claridade que assusta seus olhinhos azuis
vai morrer de medo de mim quando eu chegar.
Vou tirar meu amor da mala
exala tudo cheirando a amêndoas doces
colônia e creme de barba
Tudo se acalmará em fogo
quando a nossa água definitiva
invadir o ar com seu cheiro de querer forte
Sorte
Vou chegando
Distância some.

Escuta meu homem
essa minha cantiga
um dia me caso contigo
no fundo sou
uma menina antiga