20 de setembro de 2009

O abraço, do P. Picasso

Saí correndo de casa para ver se conseguia vê-lo.
Na porta da fábrica, escutei a sirene das 18h ainda distante uma esquina do portão. De longe eu o ví, calça marrom e camisa, cabelo lavado de banho ou de suor, não importava.
Corri levantando minha saia para que pudesse parar naquela esquina em que ele sempre me via. Ele veio com passos cansados e decididos, não disse nada. Passou seus braços pela minha cintura e deitou sua cabeça, encostando seus olhos nos meus. Só respirava meu alento.
Sabia que aqueles encontros de todo dia eram só nossos. Escutei as casas ao redor fechando os olhos. Os outros desviavam do abraço indiferentes. Um pintor na esquina imaginava a cena.