2 de março de 2005

Desconexão

Comecei este post faz uma semana. Ele começou a ser escrito em itens, para facilitar a leitura de tantas coisas desconexas, mas acho que em letra corrida a coisa fica mais confusa, mais ao gosto desta que te escreve.

Coloquei uma música agora, uma salsa, e já consigo me imaginar girando no salão nos braços de algum guapo, a rodar tão bem como se tivesse asas nos pés. Sim, meu pé está melhor, mas não pra tanto. Obrigada pelos comentários amigos e saudosos. Estou tentando escrever, disputo espaço com o marasmo ocupado em que me encontro e com meu irmão que joga o dia inteiro nesta máquina de entretenimento. Quando sobra um tempo, eu já estou vendo a Nazaré, depois um filminho, depois meu último volume do Tempo e o Vento e depois sono. De manhã fisio, terapia, algum passeio, almoço, crochê, às vezes dois parágrafos na introdução da tese, crochê, jornal da Band, jornal Nacional, e voltamos a Nazaré. Anda sendo quase isso, todos os dias, de tédio eu não estou morrendo...morro é de inanição de amigos, todo mundo sumiu do Messenger, o computador de três companheiros queimou. Se bem que neste sábado tive ilustres visitas, até participei de um jornal muito legal à distância, o grupo nosotr@s publicamos nosso primeiro zine, com textos e desenhos inspirados e saiu! Puta merda, como eu fico feliz quando a gente consegue construir coisas juntos. Tem também coisas que eu to pensando que eu nem sei direito, mas acho que eu não estou pensando porque senão eu lembraria...ou não, meu caderninho está sempre longe e quando eu percebo, não anotei a idéia e ela já foi...com o próximo ponto do crochê..
Aliás, profundíssimas minhas reflexões sobre o crochê. Porque será que é uma arte feminina? Pode ser porque está relacionado com a arte de esperar, feminina há séculos? Porque tecer crochê dá uma sensação de paz igual a rezar? Ou porque tecer crochê é igual a querer dar sentido pras coisas. Olha só: a vida, o tempo é um fio. Se você pega isso e consegue fazer um desenho, uma ordenação qualquer, o traçado de enrosco nos pontos isso vira quase tudo. Vira até história. A temporada por enquanto contabiliza um tapete, uma toalhinha de bandeja, um xale e um cachecol. Minha avó ficaria contente com tamanha demonstração de dotes que nunca exibi. Aí eu me desculpo com ela perguntando quem vai tecer e costurar as coisas lindas que eu quero? Quem?
Aliás, acumula-se uma pergunta. Quem fudeu com o requeijão? Bem, tenho que ir, um guapo acaba de me chamar pra dançar.

"Tula está encendida llama a los bomberos!
Tu eres candela ¡afina los cueros!
El cuarto de Tula, le cogió candela.
Se quedó dormida y no apagó la vela."