18 de abril de 2005

Bolo de

" Tão doce, tão cedo, tão já
Tudo de novo vira começo"
Do leminski

A decepção é sempre maior do que a expectativa. Mesmo se a expectativa for pequena, quase nula. Expectativa daquelas relutantes em fugir das inúmeras vozes que sussurram no ouvido, que te dizem “não espera muito”, “ é só mais um”, “imagine”.

Vivi grandes momentos neste final de semana, com aquele que se convencionou chamar por Ernani Moraes, grande, mais velho. Achei que ele não era de brincadeira. Por odiar joguinhos de poder achei que estes passavam com correr da idade. Depois DELE fazer insinuações de programinhas pelo próximo mês, comer ali, ir acolá, etcétera. Falei, vamos.

Domingo à noite ele relutou em ir embora da minha cama, da minha casa. “O que você vai fazer amanhã?” Respondi “Médico, fisioterapia, estudar”. Ele disse “Vou no zoológico com as crianças (em tempo, ele é professor), volto as cinco, nos vemos?”

Saí do médico às 5:30. Liguei, ninguém atendeu no celular. (Pensei, estranho, não deve poder atender o celular no meio do passeio)
Liguei de novo as 5:45., Não atendeu de novo. (Pensei, o trânsito deve ter atrasado o passeio)
Esperei até as 6 da tarde no buteco da Capote Valente. Meio sofrendo, meio pensando. Liguei as 6:00. Ninguém atendeu, deixei recado já com uma faixa escrito “Ridícula” pendurada sobre minha cabeça.

Às 6:05 liguei pra Ju, que como uma boa amiga, é crucial em momentos de crise e tensão. Ela me contou um par de notícias boas, conversamos um pouco pra enrolar e ela me ajudou a estipular um teto para a espera. Às 6:35 começaria a caminhar para o ponto de ônibus. Ta bom, beijo, beijo, tchau, valeu!

Desligo o orelhão e olho pra trás no buteco. Vejo uma amiga das antigas. Oi, tudo bem, senta aí. Foi ótimo, tomei cerveja, adiei a noite perdida em esperas. Enquanto conversávamos sobre as últimas, não conseguia deixar de pensar no bolo que eu havia tomado. Estas hipóteses rolaram na minha cabeça e como todos os meus leitores são amigos, resolvi contá-las. Desta vez espero mesmo que haja uma votação, porque meus amigos raramente comentam sobre meus casos amorosos neste blog.

Hipóteses para o bolo
1. Todo mundo viu, menos eu que estava fora de casa, a manchete do Jornal Nacional. “Tragédia no Zoológico: Lontras em fúria atacam estudantes”. É óbvio que ele nem pode me ligar porque estava no hospital, se justificando para pais e mestres e diretores o ataque justificado ao moleque de classe média que atirou uma bombinha no laguinho das lontras. Lontra é um bicho bravo. Eu apoio ela.

2. “Ônibus de estudantes é assaltado na Avenida do Estado. Professor tem seu celular roubado” Claro, com meu telefone na agenda, ele está na delegacia esperando o BO. Não conseguiu achar meu telefone com ninguém.

3. (......) Hipótese que nem pros melhores amigos eu conto.

4. A mais plausível: Ele esqueceu!