18 de agosto de 2005

Um cachorro muito amigo meu

Há alguns dias foi morto um cachorro amigo meu. Amigo nosso, na verdade. Na galera todo mundo se olha e lembra: você soube do Jagunço?

Falei com o dono dele ontem, pessoa que guardo em lugares estranhíssimos, como ali em baixo da escrivaninha junto daquela foto. Esta foto nem sei bem quando eu fotografei, lá no chão da cozinha de uma casa que nem existe mais, o dono e o cão em uma foto simétrica, um deitado no colo do outro, cabelo, pêlo, barba, tudo misturado e amigo. Tirei a foto de debaixo da escrivaninha, tentei deixar lá mesmo o dono, e coloquei no mural.

Falei com o dono ontem que me contou história tão triste que tem lágrima encravada no meu olho até agora. Jagunço morre de bala, né Cuca? Não! Volta pra cá, vem beber, vem conversar, vamos brindar o cachorro que morreu.

Tão melancólico este cachorro, ele chorava de amor, lembra? Ele brincava com as cachorras crianças, ele atendia o assobio, ele uivava tão fácil, ele tinha barba, ele andava sem coleira, ele era briguento, ele tinha pêlo duro, ele fazia trilha e nadava no mar.