4 de agosto de 2005

Por que eu saí do orkut?

Uma amiga foi a primeira a notar, outros amigos vieram na seqüência. Perguntaram o porquê.

Quem me conhece sabe, sou uma pessoa bem chegada a uma maneira de raciocinar próxima a chamada pelos incrédulos de “teoria da conspiração”. Outros mais atentos diriam que é “visão de futuro”, outros mais técnicos, “paranóia”. Eu digo, no mínimo, “desconfiança”.

Existe uma balbúrdia criada em cima desta “comunidade de relacionamentos” principalmente pela Folha que me incomoda. A impressão que me dá é que os jornalistas perdem todo aquele tempo de sobra fuçando em suas páginas no orkut cada um com seus 500 amigos e/ou fãs.

Nos últimos meses o orkut foi notícia de diversas formas. Até mesmo as mais ridículas, tipo “orkut fica fora do ar por quatro horas”, ou, “internautas reclamam do sumiço de comunidades”. É o tipo de pauta de quem está por dentro do negócio.

Fora isso, o inegável formato de páginas policiais. “Me diga”, sem nenhum sopapo, “do que você gosta e com quem você anda”. Ninguém é capaz de negar a incrível visibilidade que as vidas podem tomar na comunidade mundial que ganhou recente tradução para o português.

O que a gente duvida, ainda, é da repressão.

Até o momento alguns episódios envolvendo repressão ocorreram, e foram denunciados ou trazidos a publico pela mesma Folha. Uma delas apavorando um moleque dono da comunidade odeio pretos! Aplausos. Outro dia, porém, foi desvendada a quadrilha de moleques vendendo ecstasy, a comunidade viva crack e ou viva o pó. Crime: à princípio, apologia as drogas. Leizinha mais mal definida que pode até cair sobre aquele camelô vendendo a camiseta com o símbolo da adidas transformado na folhinha de cinco pontas. Tá bom, tinha até endereço de emeio para o envio por sedex dos comprimidos. Quem descobriu e denunciou?

Agora imaginem aquela comunidade dos sonhos, “cortemos a cabeça do mainardi”. Crime? Ameaça? Eu ainda não penso no horror, se tudo der errado mesmo...

Mas, o pior é tentar sair. Num surto eu me desconectei. Esqueci de tirar a fotos, as comunidades, os amigos, mudar pro Zimbábue e me chamar Zuleika. Meu nome e emeio continuam lá. E se procurar bem o nome e o emeio das pessoas que você convidou, mesmo as que não quiseram entrar por diversos motivos, também estão lá.

Ou seja, não tem como sair... Respondido?