18 de novembro de 2004

Ordinatér

Olá,
Estou há três dias acumulando livros pra ler, tenho uns dois capítulos pra fazer, neste ano, antes da cirurgia em janeiro (É.)

Enquanto isso me vem aquela sede de liberdade, a vontade de beber, conhecer meninos novos que ando precisando muito, conversar com amigos, aprender árabe, dar a volta ao mundo.

Essa vontade de aprender árabe tá batendo. É a língua do futuro, quando os americanos perderem...Vai que eu aprenda até caligrafia artística ao mesmo tempo!

Enquanto isso, o inglês. Que eu estudei tanto e esqueci muito. To aprendendo a pronunciar tudo de novo...o pior é que eu odeio sotaque americano. Odeio mesmo...então eu luto pra manter meu acento brasileiro. Pontos a menos... Quem se lembra do ordinatér?!

XoX

Historinha de Buenos Aires I
Não importa a temperatura do dia, que nesta cidade pode oscilar do abaixo de zero aos quarenta graus, todas as quintas-feiras, há exatos 27 anos, um grupo de mães que agora seriam avós se tivessem tido chance, vão a Plaza de Mayo reclamar seus filhos.

Na cabeça levam lenços brancos que na verdade não são simplesmente lenços, são as fraldas de seus filhos mortos pela ditadura. São mulheres que inverteram bastante a ordem das coisas, enterraram (ou sonham enterrar) seus filhos, herdaram os ideais de luta dos jovens e mais ainda, saíram de casa com medo e dor para enfrentar cães, metralhadoras, policiais, militares, esquecimento.

Elas contam que conseguiam espantar os policiais quando começavam a rezar a Ave Maria com toda força e que eles tinham tanto medo de Deus que deviam se lembrar que bater em mulher os poderia levar para o inferno. Eles mal sabiam que em meio a essas rezas, no canto monótono das vozes, elas combinavam entre elas e com o próprio Deus o próximo lugar de encontro.